quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Viver Ou Sobreviver

O que raio estamos aqui a fazer?

Sim, o que raio estamos aqui a fazer?! Estamos aqui para  pagar impostos e sermos escravizados a fazer aquilo que não queremos até ao final das nossas vidas? Apenas para isso? Os nossos políticos querem nos fazer crer que precisamos de ser cidadãos responsáveis para que alimentarmos o sistema que os alimenta a eles e a toda a corja de sanguessugas que nos levam o dinheiro e contribuem para a nossa contínua prisão. Mas a culpa é nossa, não é deles. Apesar daquilo que eles nos querem fazer acreditar, temos sempre escolha. A escolha é nossa, por muito que pareça condicionada ou que estejamos demasiado programados, demasiado cegos para ver a verdade. A escolha começa sempre por responder à pergunta simples e brutalmente honesta que é...

O que raio estamos aqui a fazer?

Estamos a trazer algo de mais positivo para o mundo? Para a sociedade? Para a nossa vizinhança? Porra, para a nossa a vida? Ou apenas fazemos o que fazemos e estamos onde estamos por medo? Por comodidade? Por andarmos a dormir? Quais as razões da nossa vida ser como é? E não vale a pena dizer que é por causa deste, por causa do outro, por causa da crise, por causa do Passos Coelho, por causa do raio que vos parta. A escolha é nossa, é sempre nossa, mesmo que julguemos que não temos escolha para porra nenhuma. Temos, temos e temos.

Se estamos a morrer aos poucos, temos escolha de nos afastar das coisas que nos matam lentamente, se não estamos bem, temos a escolha de procurar melhor. Mais que a escolha, temos a obrigação moral perante nós próprios de procurarmos. Devemos procurar a felicidade, seja por onde for, onde quer que seja que nos leve, temos a obrigação de seguir o nosso coração, sem que o medo tenha influência na equação. Pelo menos uma influência constante. O medo de não conseguir voar é aquilo que impede os pássaros de voar. Fomos feitos para voar e não para estar em gaiolas, escondidos e agarrados às falácias das responsabilidades. Se sermos felizes implica sermos irresponsáveis então que sejamos irresponsáveis, de uma vez por todas que sejamos irresponsáveis. Que sejamos egoístas! Porque estarmos presos a receios e a situações que não nos servem também não trazem bem a ninguém, muito menos ao mundo. Lembram-se da pergunta inicial? 

O que raio estamos aqui a fazer? Qual a diferença que trazemos para o mundo? Ninguém está a falar de mudar o mundo, isso é idiota e é um discurso para ser usado unicamente se quisermos enganar idiotas suficientes para que nos elejam para qualquer coisa. Ninguém muda o mundo sozinho, o único mundo que podemos e devemos mudar é o nosso próprio. E quando mudamos o nosso mundo estamos a trazer algo de positivo a nós próprios e quando trazemos algo de positivo a nós próprios, trazemos algo de positivo aqueles à nossa volta e é assim que se muda o mundo. Quebrar com as nossas prisões e cumprirmos o nosso propósito, seja ele qual for.

Sabem o que é que estamos aqui a fazer? Estamos aqui para viver e não para apenas sobreviver. Estamos aqui para voar. Não temos culpa de estarmos rodeados de por águias que pensam que são galinhas. Lá por os outros serem assim não quer dizer que também temos que o ser. Somos indivíduos, diferentes dos outros, por muito que vivamos numa sociedade que nos quer tornar todos iguais, com o mesmo penteado, com um código de barras no pulso para melhor sermos identificados. Somos mais que isso, muito mais. Só há um problema...

Nem sempre acreditamos nisso. 

Como disse antes... a escolha é nossa.

domingo, 11 de outubro de 2015

Radiografia

Passou uma semana desde as eleições e depois de todas as considerações feitas por todos os que votaram, os que não votaram, os que ganharam e os que perderam com que ficámos? Não especificamente o facto de não haver governo eleito pela maior margem de abstenção de sempre. A questão principal, qual é a questão principal que ficou à superfície? Esta: Queixamos-nos, gritamos e revoltamos-nos mas no final, na hora de mudar qualquer coisa, fica tudo na mesma. Por uma questão de apatia, por uma questão de crescente ignorância causada por anos intensos de destruição do sistema de ensino e de programas da TVI. Seja porque for, não interessa, mas esse foi o resultado, a questão maior que surgiu. O que do ponto de vista dos políticos é uma vitória. Afinal esta coisa da democracia tem uma falha grave. Isto de dar a escolha ao povo que se luta para se manter na ignorância é algo bastante perigoso, pelo que é necessário dar a ilusão de escolha entre duas faces da mesma moeda e que a única coisa que muda entre os dois são os interesses que servem. O povo, cansado de ver as coisas sempre na mesma e de sentir que não há alternativa, têm duas alternativas: lutar ou conformar-se. 

E nós conformamos-nos. Está no nosso ADN. Não vale a pena fazer nada, nunca vale a pena fazer nada porque não há nada que possamos que fazer. É um sistema à prova de bala. Temos um sistema viciado que depende da participação de alguém que convém desanimar de forma a que não participando, legitimando, pela ausência e dormência, tudo aquilo que não se conseguiria fazer caso estivessem presentes e acordados. 

Cada vez mais estas eleições servem como radiografia da doença terminal da qual o povo sofre, uma doença provocada não por acaso, mas por interesse. Uma interessa chamada dormência apática.

domingo, 17 de maio de 2015

Açorda Ortográfica

É oficial. O acordo ortográfico é obrigatório. Tal já era previsto. Seria impensável o governo voltar atrás na decisão. Desde o início que acordo sempre se tornou polémico por ser simplesmente incompreensível. De um ponto de vista lógico é válido: a língua portuguesa é a quinta mais falada no mundo, e como há porrada de brasileiros por aí - principalmente no distrito de Lisboa - é a filosofia do "junta-te ao clube dos mais fortes". A questão foi que desde o início, que os teóricos acharam o acordo uma inutilidade, e que de todos os PALOPs, apenas Portugal levava a sério a sua aplicação. Não se trata no entanto SÓ de baixar as calças e de renegar a identidade nacional sem qualquer justificação, querer aplicar soluções ortográficas que pertencem a outras culturas que não a nossa. É também um grande negócio. Em tempos de crise, quanto é que não valeu fazer novas edições de todos os grandes clássicos da literatura? E obrigar a novos livros, a novos programas escolares, a novas formações? É o pão para a boca de muita gente,

Obviamente que isto não interessa falar, afinal, o que é tirar uns c's aqui e ali ou uns p's? O futuro estratégico da nação fala mais alto. É pena é que a estratégia da nação de uns séculos para cá seja apoiada em falta de tomates para manter um rumo, mesmo que isso custe caro a alguns interesses privados ou nações supostamente amigas - amigas enquanto fizermos aquilo que nos dizem para fazer e fomos meninos bem comportados.

Não é de agora, mas para os que tinham esperanças de as coisas se endireitassem... a esses tenho a triste notícia que a partir do momento em o Egipto passa a Egito, é um passinho para que os egípcios sejam egícios. Ou os portugueses apenas parvos.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Semáforos

Qual é a cena com os semáforos a piscar? 

Provavelmente é uma questão técnica que eu não tenho conhecimento ou sequer capacidade intelectual para atingir mas mesmo assim como comum cidadão tenho curiosidade em saber porque é que se gasta dinheiro com semáforos com a luz amarela a piscar, fazendo com que seja instaurada a lei da selva e do salve-se quem puder em locais onde o trânsito é algo complicado. Provavelmente esta é uma coisa local - nem sei de quem será a responsabilidade, das autarquias ou de algum organismo do estado - e não se verifica no resto do país, mas aqui onde estou a viver presentemente, no concelho de Vila Franca, esta questão é uma constante. Seja depois da meia-noite, não sabendo também se os semáforos a piscar faz parte de um ritual de hibernação que acontece durante todas as noites; seja durante dias inteiros seguidos - também podem ir de férias.

Mas o que me intriga e irrita é... será que não era possível desligá-los? Sabemos que o Natal é quando o homem quer, mas os semáforos são uma iluminaçãod e Natal muito desengonçada e desproporcional. Apenas desliguem-lhes o botão, poupa uns cêntimos de luz eléctrica a todos nós - porque tudo neste mundo é pago pelo desgraçado que trabalha e paga os seus impostos. Deixo então aqui a consideração... vamos acabar com os semáforos a piscar e já agora, usar esta desculpa para acabar/desligar tudo o que não tem realmente utilidade neste mundo. Vá, neste país, comecemos pelo nosso país. Coisas como Assembleia da Républica e eleições e tribunais e hospitais e coisas assim. Vamos acabar com todas estas coisas que deveriam funcionar de forma correcta mas que só estão a piscar na luz amarela há muito, muito, demasiado, tempo.

domingo, 9 de novembro de 2014

Mediocridade

A capacidade que o ser humano tem para se submeter à mediocridade é impressionante. Acomoda-se com sítios que não gosta, trabalhos que o desgastam, pessoas que não suporta, tudo porque é suposto adaptar-se. Adaptar-se para sobreviver. Dito desta forma parece algo épico. A luta pela sobrevivência, numa sociedade e mundo frios e implacáveis. Na verdade é bem menos que isso. Esta adaptar para sobreviver muitas vezes implica fechar os olhos e ficar quieto no canto. Temos um mundo inteiro à nossa volta a dizer que as coisas estão difíceis, que não temos valor, que não há nada a fazer contra aquilo que está instituído. Então concordamos e acomodamo-nos.

"Há quem esteja pior do que eu"

"Tenho sorte em ter aquilo que tenho"

"Tenho que estar grato"

"Quem sou eu para querer mais?"

Grande parte destas coisas são verdade. Há sempre quem esteja pior que nós e até podemos ter sorte em ter aquilo que temos e sem dúvida que temos que estar gratos. Mas será que o estar grato impede que sejamos más pessoas por querer mais? Por ambicionar mais? Não estamos a falar de ambição egoísta desmedida para acumular bens materiais, afinal, isso é o que nos passam desde o berço. Dizem-nos que devemos ser médicos, engenheiros, advogados, coisas que nos colocam numa boa posição financeira e na própria sociedade, implicando, directa ou indirectamente, de que tudo o resto é inferior. Não nos promete um futuro seguro. E em busca de segurança vamos nós, renegando aquilo que realmente queremos. Na verdade, na maior parte das vezes, desconhecendo aquilo que realmente queremos. E sonhamos por lotarias, prémios e heranças como a solução para o vazio que temos dentro de nós, sem saber de que não precisamos de mais coisas para nos libertarmos. 

Precisamos de menos. Menos possessões, menos ideias pré-concebidas, menos medos, menos ego, menos ignorância.

E continuamos adormecidos na mediocridade que abraçámos. E não é difícil acordar desta mediocridade porque ela é a única realidadeque conhecemos. No entanto, quando isso acontece, normalmente por influência do exterior, acontecem duas coisas: Negação para que se volte a dormir bem acomodado com tudo aquilo que não nos serve ou pânico e a vontade de querer fugir o quanto antes. Querer ser o que se é realmente, viver isso, na maior parte das vezes sem saber o que isso realmente é, apenas saber que não é o estado actual. E mais uma vez olha-se para lotarias, prémios e heranças como a única coisa capaz de nos resgatar desta prisão onde crescemos. E de engano em engano, acaba-se por se desistir e voltar a ficar na mediocridade em que nos dizem pertencermos, pensando que é tarde demais para mudar o quer que seja. Que somos apenas um para mudar o quer que seja.

Não é tarde demais, nunca, e não somos apenas um.

O irónico é que para escapar à mediocridade não temos que ser super-humanos, não temos que ser sortudos, não temos que ser abençoados ou ajudados. Apenas temos que ser nós próprios.

sábado, 23 de agosto de 2014

Estupidez Natural

Haverá algo mais parvo do que colocar taxa em aparelhos que tenham memória para combater a pirataria? É certo que ainda não tivemos um governo que se aproveitasse desde que há democracia e de que cada vez que vão à casa de banho saem-se com coisas brilhantes em prol dos cidadãos como liberalizar o preço dos combustíveis – que ia fazer com que os preços baixassem, mas que os iluminados não previram que ia fazer com que subissem TODOS (ainda bem que temos os cartazes informativos na auto-estrada para nos mostrar que do Algarve a Guimarães tem tudo o mesmo preço, era uma informação que precisamos mesmo de ter). Também é certo que este governo atinge novos máximos de estupidez humana, mas esta nova taxa promete bater recordes.

Este imposto vai ter consequências ironicamente engraçadas:

1º - Vai subir a importação de tablets, telemóveis e discos e afins em catadupa – É bem mais barato mandar vir de Espanha do que comprar cá dentro. E depois o governo queixa-se das divisas a saírem do país e da fuga aos impostos – já agora fuga do país.
2ª – Penaliza quem compra os ditos artigos e não faz uso da pirataria, assim como penaliza duplamente quem realmente faz um esforço para comprar os seus álbuns, vai aos seus concertos, vai ao seu teatro e cinema porque é assim que se apoiam os artistas certo? Ao contrário desta taxa cujo destino não será certamente o artista lesado.
3ª – Mas o melhor mesmo é que legitima o download ilegal. Meus amigos, quem estiver com problemas morais por andar no sacanço, há fácil solução, basta ir comprar uma pen e depois fica com legitimidade para sacar o quer que seja, afinal já pagou a taxa.

No entanto, todos sabemos como funciona o português e o governo, apesar da sua estupidez natural, sabe que o português. Pode estrebuchar muito mas depois acaba por amochar e calar. A taxa vai-se tornar tão normal que ninguém se vai queixar e vai ser mais uma carga, estúpida, em cima do contribuinte.

Tenho uma ideia… porque não fazer uma taxa para cobrar a estupidez? Começávamos na assembleia da república e acabávamos em São Bento. Antes de chegarmos a meio, tínhamos o problema do défice resolvido.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Neura

Existem dias complicados. Dias em que tudo nos faz confusão, tudo nos mete raiva, tudo é uma razão para acender o nosso rastilho curto, bem curto. São aquelas coisas que o povo sabiamente soube de chamar de neura.

“Isso passa. É neura”.

Ou

“Estou com a neura, não falem comigo hoje”

Apesar destes pedidos, quanto mais se pede para que exista paciência, distância, cuidado, mais parece que aparecem coisas que testam os limites e se calhar não é difícil perceber porquê. Na vertente da lei da atracção, quanto mais se pede por algo, quanta mais concentração se focar em algo, mais ela vem até nós. Neste caso, estamos a concentrar-nos numa sensação de falta de paz, num sentimento de querer algo que não se tem, nas reacções violentas que nos apetece ter por falta de paciência. É exactamente o que vem até nós. O que leva a um exercício engraçado e irónico. Lutar para arranjar paciência quando não se tem e ainda assim, colocar à nossa volta todos os elementos necessários para a acabar com a mesma em três tempos. Também é o teste derradeiro.

É fácil sermos moralistas, apregoar aos quatro ventos a paz e o amor e a boa vontade entre homens, mulheres, animais e plantas quando a vida nos corre de feição. Até é fácil perdoar pequenas faltas que tenham contra nós ou contra os nossos princípios morais. Manter o mesmo entusiasmo em dia que nos falte a paciência… isso sim, isso é serviço. Também é parte da aprendizagem de humildade, conhecer os nossos limites e reconhecer quando podemos ser injustos ou incorrectos com aqueles que não merecem que descarreguemos neles.

A neura é apenas uma forma de distinguir quem é capaz de ser justo e injusto, independentemente das condições. Dito desta forma, até parece uma coisa essencial ao desenvolvimento social de cada humano. Se calhar até é.


segunda-feira, 31 de março de 2014

Querer E Não Ter

Quantas vezes não se é vítima do consumismo exacerbado, da massificação do incentivo ao consumo? Até o iluminado do nosso primeiro-ministro se queixou no inicio do seu segundo ano de governo que o défice do orçamento de estado se devia aos portugueses não terem consumido tanto - isto depois de os acusar de viverem acima das suas posses.

O dinheiro desaparece sem deixar rasto, contas, comida, bebida, coisas para nos fazer sentir melhor, coisas supérfluas, coisas para comprar amor, carinho, coisas, coisas. São apenas coisas, não interessam, são apenas coisas, apenas para ter um fim em vista. O objectivo de preencher o vazio com alguma coisa, com alguma pessoa. Troca por trocar. Apenas é preciso dinheiro. É engraçado, o dinheiro é aquilo que compra tudo, menos aquilo que precisamos. A saúde que advém de uma paz de espírito, o amor verdadeiro, aquele que é tanto sentido, seja qual for a posição social ou o tamanho da conta bancária. Sem preço.

Mesmo assim, estamos numa sociedade que insiste em meter preço em tudo e que acaba por depender daqueles que se afundam nela para construir os seus alicerces. Aqueles que crédito após crédito, na tentativa de tapar um buraco abrem um outro maior, acabam por cair num círculo vicioso. Vampirizados, são vítimas da sua própria inconsciência ou ingenuidade. Querer e não ter, todas as coisas, coisas e apenas coisas, acabam por perder aquilo que tinham e ficar sem aquilo que queriam ter. Acabam por perder aquilo que não se consegue comprar em troca de coisas que não conseguiram pagar.

Vale mesmo a pena?

Talvez o princípio da sociedade moderna seja de escravizar sem correntes. A parte irónica é que são os escravos que se oferecem a essa condição.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Vazio

Há muita coisa mal neste mundo, muitas pessoas a fazerem coisas parvas, muitos espertalhões a aproveitarem-se dos mais fracos, dos mais desfavorecidos ou simplesmente dos mais distraídos. Resumindo, muito sumo para centenas de postas neste blog, mas mesmo assim, quando chega a hora de escrever, não surge nada. 

Branco.

Vazio.

E não se trata de bloqueio de escritor. Não desta forma. Isto é diferente. É como se tivesse chegado a um ponto em que não houvesse nada cá dentro para deitar cá para fora, nem mesmo sobre as maiores injustiças. Dormência. Confortável dormência. Seria caso para pedir ao mundo para parar de rodar apenas por uns momentos,  só até se conseguir recuperar algo que não se sabe bem o quê - seria tão fácil procurar por aquilo que se perdeu se apenas se soubesse o que era. 

São estes momentos de procura por algo interior que se volta, por momentos, para o exterior. Olhando um pouco cá para fora e para todas essas pessoas que referi antes, os espertalhões, os idiotas, os cínicos, os falsos, é impossível não questionar se estas mesmas personagens não se sentirão também elas vazias. Por exemplo, a classe política, muitas vezes aqui abordada e em grande parte conivente com o poder económico e esmagada à sua vontade, esmagando todo um povo, obrigando-o procurar pela sobrevivência num outro lado qualquer. Será que estes mesmos seres terão momentos em que se sentem vazios? Será que eles tem estes momentos de vazio? Mas a diferença seria... o vazio que tenho é sobre eles... será que eles sentem vazios sobre eles próprios? Ou será que a importância que os cargos para os quais foram eleitos ou apontados é de alguma forma uma prevenção para este vazio?

Perante o vazio será que dizem "recebo este dinheiro todo ao final do mês, tenho coisas até perder de vista, as pessoas respeitam-me, por isso... este vazio deve ser fome, vou jantar outra vez"? Se sim, talvez seja essa a razão do político/gestor/aldrabão ser um bicho que engorda com o tempo. Sempre a comer a ver se consegue tapar o vazio. Provavelmente comem tanto que têm que vomitar para comer outra vez, porque o raio do vazio não desaparece.

Divago. Os políticos/gestores/ladrões não sentem vazio porque isso seria partir do princípio de que eles olhariam interiormente ou que pelo menos estavam em contacto com aquilo que remotamente se parecesse com uma consciência. Se isso acontecesse, provavelmente suicidavam-se ou mudavam de profissão, já que as duas são inconjugáveis.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Azar

Não pretendo ocupar muito do vosso tempo com isto, até porque o povo português já deve estar cansado de todos os dias ser bombardeados de notícias sobre política, mas em modo expresso pode ser que a cena se torne mais suportável. É simples, uma simples pergunta:

Já olharam para a nossa classe política, para os nossos gestores e não sentiram arrepios de frio por sentir que não passamos de peões cujo maior dom é votar e descontar para impostos?

Com esta saga toda do Paulinho das feiras, é impossível que alguém não tenha sentido isso. A coligação amua, o país cai a pique, todos os sacrifícios feitos postos em causa de um dia para o outro, isto tudo para quê? Para que exista uma nova repartição de poder entre os dois partidos de governo. Não querendo personalizar, apesar da ambição que é reconhecida a Paulo Portas, a verdade é que este é o comportamento típico do político/gestor português, brincar com dinheiro e vida dos outros e nunca ser responsabilizado. Porque não criar um modelo de avaliação para ministros/gestores tal como foi criado para os professores? Porque é que não são punidos como o resto do mundo pela sua fraca prestação.

Eu tenho uma breve ideia, talvez seja um pouco demagoga,  mas mesmo assim, acho que vem de encontro ao factor expresso que mencionei.

Os políticos e gestores deste país não são punidos pelos seus erros de gestão, porque custa a acreditar que pessoas tão bem sucedidas, com carros, casas, apartamentos, filhos em colégios privados, férias no estrangeiro, e mais uma série de coisas que a grande maioria dos portugueses apenas sonha, possam ter responsabilidade no que diz respeito a gestão danosa. Com vidas privadas tão recheadas de sucesso, quem é que pode acreditar que no trabalho eles sejam tão medíocres. Deverá ser azar.

E é azar. Azar do português por ter de suportar com tantos iluminados que o deixam às escuras.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Papa Chico

Já temos um novo Papa. E se aquelas pessoas que estavam preocupadas por não termos Papa, ficaram descansadas, bem, elas que se comecem a preocupar novamente. A primeira coisa que o Papa pediu aos fieis ainda antes de ser entronizado foi para... rezar por ele.

Ora... isto é estranho. Quer dizer, a malta anda aqui neste mundo cheio de fome, miséria, corrupção, políticos, ladrões, gatunos, pedófilos, oportunistas e políticos. Sendo assim,  não é o Chico que precisa que orem por ele, somos nós! Para que é que nos serve um papa se ainda temos que rezar por ele também?  Por amor de Zeus,  não precisamos de mais trabalho! Já temos filhos, irmãos, pais e avós para tomar conta, não precisamos de mais um senhor de 76 anos para ir mudar a fralda e dar-lhe a papa e orarmos por ele. 

Se calhar estou a ser muito exigente mas acho que esta coisa de ser o representante de Deus na terra já teve mais importância do que tem hoje em dia. Quando é o próprio representante de Deus que pede que os fieis intercedam por ele junto do patrão... isto já diz um pouco do representante. Ele deveria estar perto, mais perto que todos os outros. A não ser que... ele tenha pensado algo do género.

"Por favor, digam-lhe algo da minha parte... não sei que se passa, ele já não me ouve mais. Vá lá. Façam-me o jeitinho"

domingo, 10 de março de 2013

Incompetência

É curioso como os mais altos cargos governativos estão isentos de responsabilidades. Quem diz cargos governativos diz tudo o que tenha a ver com gerir o dinheiro dos outros. E não me quero referir a corrupção. Não é que ela não exista, porque esse já é um ponto assente. Aquele em que todos falam, algumas vezes com razão, outras nem por isso. A questão é que a corrupção já se tornou uma desculpa para nos acomodarmos.

"Não vale a pena votar, são todos uns corruptos! Está tudo minado de corrupção!"

Não tenhamos dúvidas, onde existe poder, seja ele qualquer for, há sempre a tentação desse poder se corromper, seja pela pessoa que o tem, seja por pessoas que o querem usar, seja por ambos. Esta é uma questão recorrente, que dificilmente deixará de existir pelo menos na democracia ocidental - uma democracia que o é apenas no papel.

Vamos deixar a corrupção de lado e vamos falar de outra coisa mais sinistra: Incompetência. 

É fácil confundir as duas, porque por vezes é-nos difícil acreditar que alguém seja tão incompetente para prejudicar tanto o país/empresa, que só pode ser corrupto e estar a meter ao bolso. 

Não deveria ser a incompetência um crime? Ou pelo menos pagar multas? De certeza de que ajudaria em muito os cofres do estado em momentos como o actual . Se um ministro das Finanças repetidamente falha as suas previsões em relação aos objectivos atingidos, não será este ministro tão perigoso como aquele que desvia dinheiro ou é corrompido para prestar favores? É que em caso de corrupção ainda há alguém que se beneficiado. Em caso de incompetência, nem o próprio se favorece - embora, tenha que admitir, que há sempre alguém que consegue aproveitar dessas incompetências.

Erros de previsão, despesismo, contratos malucos que não trazem benefício ao país. Será que isto não dá direito a despedimento com justa causa? Incapacidade para ver que eliminar a classe média não vai aumentar as receitas do estado em termos de impostos (antes pelo contrário), incapacidade de cortar a sério onde há despesismo, não serão estas boas razões para que se chegar à conclusão de que este gestor do nosso dinheiro é inadequado?

Vamos imaginar que Portugal é uma família, e que o chefe de família do país é uma fusão de duas pessoas, o primeiro ministro, que não sabe muito bem o que fazer, e o ministro das finanças que vive no seu mundo, afastado da realidade. Ora se numa família chegasse à conclusão que se gasta mais do que o dinheiro que entra, será que não era melhor vender um dos três carros, deixar de dormir um dia por semana num hotel de luxo, cortar TV Cabo, as refeições fora de casa,  apenas para citar alguns exemplos? Isto seria o lógico, mas o que acontece realmente é que em vez de cortar com tudo o que é supérfluo, os gastos mantém-se, apenas se procura outras fontes de rendimento. 

Eu não percebo muito de matemática, mas acho que não é complicado, não é muito dramático. Se fosse um problema da escola e eu não o conseguisse resolver, tinha negativa. Se fosse numa empresa, seria despedido com justa causa. Se fosse na minha situação familiar, os credores viriam ter comigo. Então qual a dificuldade de cortar com a despesa? Será que os nosso governantes não conseguem resolver um problema simples como este, ou será que pediram todos equivalência e por isso, será normal a sua incompetência.

Ora não deveria este pessoal pelo menos pagar parte da dívida do seu bolso? Os actuais e os anteriores. Os prejudicados são sempre os mesmos, quem não pode fugir, quem trabalha, quem cumpre, quem não falha - e quando falha, cai-lhe o mundo em cima. Não deveriam as finanças ir ter com o Sócrates, com o Santana Lopes, com o Paulo Portas, com o Durão Barroso, como o Guterres, com o Cavaco e exigir-lhes algo pelos maus serviços prestados à nação? Exigir algo mais do que serem condecorados? Porquê premiar a incompetência? Será perder as eleições castigo suficiente? E o país que ficou perdido? Fica-se contente por, apesar do país estar destruído, pelo menos mudou-se de Governo por alguém igualmente incompetente?

É esse o problema, já se tornou normal sermos governados por incompetentes, de tal forma que não estranhamos, de tal forma que não nos importamos, de tal forma que nem queremos saber. Aceitamos com um encolher de ombros que diz "o que é que eu posso fazer" mas que nem se dá ao trabalho de ir votar, de ir-se manifestar. Não será também essa uma forma de incompetência? Não seremos também nós incompetentes? Aos olhos do governo, somos todos, sem dúvida, ora porque não apreciamos o esforço que  os nossos governantes estão a fazer, ora porque não temos mais dinheiro que possamos passar para as mãos do estado.

Diz-se que numa democracia, o país é de todos, e até pode ser mas na verdade, na verdade... apesar do país ser nosso, continua a ser gerido por mãos incompetentes, cuja sua única competência é servir-se bem durante quatro ou mais anos. É algo que pode exigir algum talento mas não creio que seja talento para ser recompensado.

sábado, 24 de novembro de 2012

Dentro

É um vício enorme que se tem de falar do exterior de forma crítica. É todo o princípio deste blog, falar de forma irónica e sarcástica de tudo o que se tem à nossa volta. Confesso que é o mais fácil, olhar para fora. Não tem muito que saber. É apenas abrir os olhos. Quer dizer... que disparate.

Como se abrir os olhos fosse algo fácil.

Existe algo ainda mais complicado do que abrir os olhos para ver o que está à nossa volta. Olhar para dentro. O que é que está cá dentro? Não vamos por um lado mais espiritual, de descobrir o verdadeiro Eu, até porque aí pouco há a apontar, porque também não há muito que se conheça. Não sejamos, portanto, ambiciosos e vamos ficar por aquilo que nos é possível atingir.

O Ego. Esse sacana.

O Ego basicamente é aquilo que nos diz para ficarmos zangados com coisas insignificantes e não estou a dizer isto por despeito, é mesmo por conhecimento de causa. Por diversas ocasiões dei por mim zangado com alguém por algo que de repente desaparecia do horizonte e a cada vez que eu, inocente eu, vítima indefesa do Ego, perguntava:

- Mas... mas... porquê?
- Porque sim!
- Mas o que é que esta pessoa me fez?!
- Fez-te, fez-te... coisas! Ninguém te faz coisas e se fica a rir! Têm que sofrer as consequências.

A verdade é que a dor sentida pelo Ego, é ampliada por mil até que chega ao eu. Que se sente ofendido por sentir aquela dor e como resposta, ataca. Só que isso só faz com que sinta mais dor, e vai crescendo, vai crescendo até que se chega a um ponto e o eu pergunta ao Ego:

- Ouve lá, mas porque raio me sinto assim tão mal?
- Porque te fizeram mal!
- Mas eu reagi, eu paguei na mesma moeda. Não devia estar melhor? E outra coisa, que raio me fizeram para eu estar assim tão revoltado?
- Bem... talvez tenha sido...
- Talvez tenha sido? Mas tu não tens a certeza? Estás ofendido com alguém e não sabes porquê?
- Eu... não me lembro...
- TU... NÃO... TE... LEMBRAS?!
- ...pois... desculpa...

Na verdade, muitas vezes magoamos esta ou aquela pessoa por não querermos dar o braço a torcer, ou dar a outra face, porque isso é simplesmente muito cristão, ou porque isso nos faz sentir fracos, mas a verdade é que responder na mesma moeda apenas faz que se sinta o mesmo a dobrar. Admito que o problema possa exclusivo meu, por muito que o meu Ego pense que aquilo que sente é válido para toda a humanidade (por alguma razão é Ego e não ego), admito que as outras pessoas consigam conviver consigo próprios, sentindo ódio ou raiva por outros, que isso não lhes faça diferença, que nem sequer se apercebam do sentimento dentro de si. No entanto... acho que o grande problema de todos (e agora não é o meu Ego a falar) é desconhecermos mesmo o que temos de nós e acharmos que é tudo porque o que está à nossa volta... está à nossa volta.

É o dom fantástico do ser humano, pensar que sabe tudo sobre si, quando na verdade, só depois de admitir que não sabe nada é que pode começar, finalmente, a saber algo.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Cultura

Com que então... a RTP2 vai com a porca. 

Não deixa de ser engraçado, o canal português que mais ênfase dá à cultura, à arte, às modalidades desportivas que não o futebol, à informação/documentários de qualidade, seja o sacrificado.  

Engraçado de uma forma deprimentemente irónica.

Basta tentarmos ver um pouco com mais atenção.

Em Portugal, a música não é cultura, não tendo o mesmo valor de imposto IVA que um livro, por exemplo. É certo que é uma questão de tempo até que seja tudo nivelado pelos 30% de IVA que o governo inevitavelmente vai estabelecer num futuro mais próximo.

Em Portugal, não há problema de um primeiro-ministro ser condecorado pelo seu serviço à pátria mesmo que a sua governação tenha levado a pátria (ou pelo menos ajudado) a um buraco mais fundo.

Em Portugal, não há problema de um primeiro-ministro mentir para todo o mundo, afirmando ter visto as armas de destruição maciça no Iraque quando elas não existiam. Nem há problema de recompensar esse visionário com o cargo de presidente da Comissão da Europeia, se bem que o cargo não foi uma recompensa pela visão que teve e sim a razão.

Em Portugal, em vez de fazer reformas administrativas profundas e de acabar com os tachos das fundações e parcerias público-privadas, é escolhida a difícil tarefa de aumentar impostos e de sufocar a economia. Se o governo fosse um médico, decidiria cortar a perna ao paciente por se encontrar gangrenar, em vez de simplesmente tirar o garrote que está a impedir a circulação de sangue.

Em Portugal, criam-se e aprovam-se leis pelas mesmas pessoas que vão beneficiar das mesmas nos seus trabalhos part-time (porque ser deputado é algo tão reles, que é necessário ser também trabalhar noutro lado qualquer para garantir a sobrevivência).

Em Portugal, tudo o que for limitações à corrupção são rapidamente ultrapassadas por vazios legais, indefinições ou conversa jurídica da tanga que faz com que no final do dia, se tiveres um advogado que fale bem conversa jurídica da tanga, estás safo. Quando não se existirem vazios legais, bem, então a têm que se recorrer aos senhores do part-time para alterar as mesmas.

Em Portugal, desde que o raio do D. Sebastião foi levar porrada dos mouros, que uma corja de interesseiros, lesmas, sanguessugas, chupistas, mentecaptos, energúmenos, chico-espertos e anormais se instalou no poder com interesse de favorecer os seus e os próximos à custa de todo um povo. Por isso não é surpresa nenhuma tudo isto. Não é surpresa a educação estar um pântano desde o 25 de Abril (isto não querendo dizer que antes era melhor, talvez mais rigorosa no seu programa mas que educação pode governo fascista dar ao seu povo?), não é surpresa os roubos flagrantes de dinheiros públicos, não é surpresa nenhuma a justiça ser uma anedota, não é surpresa nenhuma a saúde se aproximar cada vez do modelo americano em que tens que ser rico (ou seja, ter um seguro) para teres acesso a ela. Nada disto é surpresa, porque no fundo, o português médio já está habituado a ser sodomizado desde a Idade Média. É por isso é que o povo é sereno, é por isso é que somos um povo de brandos costumes. Porque o buraco do anûs já está tão lasso que a malta não sente nada.

Segundo a ex-estrela do FMI e actual estrela de culinária do governo de Passos Coelho que está agarrado ao tacho do acompanhamento das privatizações idealizadas pelo estado português, a RTP2 não tem audiência nenhuma e por isso não tem razão de existir. 

E faz todo o sentido.

Proponho queimar as partituras de Mozart, os quadros do Picasso, os livros do Saramago, Proust, Tólstoi, porque isso faz doer a cabeça das pessoas que os tentam ler, acabem com os museus, acabem com os fados, acabem com a música, acabem com a literatura, porra, acabem com tudo o que obriga o português a pensar porque não interessa ter um povo informado, não interessa ter um povo que pense por si próprio porque nesse caso vão começar a questionar aqueles que o governa. Porque não interessa dar serviço público a essas pessoas, informação, cultura, arte, interessa é encher os olhos com o mesmo lixo que passa nos restantes canais para que eles se mantenham entretidos e com os olhos fechados como uma boa ovelha obediente. 

Pegando na mesma imagem do médico... se o nosso governo fosse médico, tratava toxicodependentes com heroína, porque é isso que eles querem. Mas talvez o governo e todos aqueles que detém o poder de uma forma ou outra não sejam médicos. Talvez eles sejam traficantes e nós os clientes.

Até morrermos de overdose de excremento no nosso corpo e sobretudo nas nossas mentes.

terça-feira, 1 de maio de 2012

"Patrão"

O Pingo Doce faz a campanha das campanhas sem publicidade, apenas recorrendo ao estado psicológico de penúria a que chegaram os portugueses, chegando assim a ter o nome da marca nos telejornais de todas as televisões sem gastar um tostão. 

50 % de desconto para compras acima dos 100 euros, uma táctica desesperada? Talvez. 
Eficaz? Definitivamente.

O que é que isto revela? Que apesar da crise, os portugueses continuam vítimas de um consumismo desenfreado que os faz correr a super ou hiper-mercados, dispostos a entrar e provocar confusões, provavelmente para levar coisas que não precisam, apenas porque metade dessas coisas que não precisam é de borla.

Assim a empresa que antes estava na mó de baixo por fazer aquilo que 17 ou 18 empresas do PSI 20 já tinham feito antes, encontra uma forma de se redimir aos olhos do consumidor que são no fundo o patrão. E é engraçada esta questão do patrão ser o cliente, porque se formos a ver, é um "patrão" muito fácil de manipular. É um "patrão" que vai a correr quando o "empregado" quer que ele corra, que compra o que quer que ele compre. O chamado "patrão" submisso. O que é certo é que o "patrão" não sabe que é realmente o "patrão" e é incapaz de ler nas entrelinhas, por não ter capacidade para tal, por não ter tempo, por estar muito ocupado a sobreviver ou simplesmente por não querer saber.

Há tantas opções, tantos ideais.
Comprar produtos portugueses para apoiar os produtores nacionais, comprar produtos que não façam testes em animais, comprar produtos que não tenham fábricas em países de terceiro mundo onde os trabalhadores são explorados, não comprar fruta espanhola porque além de ser pior que a portuguesa, bem... é espanhola.

É normal que quando surjam campanhas como esta, o "patrão" se descontrole e diga, "que se lixe, vou chular este empregado". É normal porque este é o "patrão" que mal dinheiro tem para sobreviver e quando o tem, opta pelo mais barato. É no entanto também o "patrão" que não dispensa as suas cervejas no café, as suas férias no Brasil ou a roupa de marca. É um "patrão" que ainda não se apercebeu que por mais descontos e promoções que surjam, que os "empregados" vão tentar vender-lhe os produtos que eles não querem comprar. E vão conseguir.

Este patrão é uma vítima de si próprio, da campanha de aumentos nos media, onde está tudo tão caro que se aparece qualquer coisa 10 cêntimos mais barato, a 100 quilómetros de distância, a única coisa a fazer é correr até ao local e comprar imediatamente, sem hesitar. A lavagem cerebral é tão grande e tão forte que este "patrão" é apenas um peão na mão dos seus "empregados".

Dá vontade de despedir este "patrão" mas o mais triste e sobretudo irónico é que a maior parte deles... já está desempregada.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Reflexão Mais ou Menos Profunda Sobre O Dia de S. Valentim

Este dia pode ser comparado à época natalícia. Com forte teor de consumismo capitalista, este dia serve para nos lembrar daquilo que deveria existir durante todo o ano. Se em relação ao Natal se trata de amar o próximo e de termos um pouco de compaixão pelas pessoas em geral. Há o efeito perverso que este tipo de dias tem, mas é engraçada a forma como funciona ao contrário do Natal. Durante o ano, quase todas as pessoas desfavorecidas anseiam pelo Natal porque será provavelmente a única altura do ano em que podem comer algo quente. Na questão do dia dos namorados, todos aquele que não têm par desejavam que não houvesse um dia que os lembrasse de que não têm como escoar todo o seu amor – se bem que em muitos casos é mesmo o problema de escoar outra coisa.

Eu confesso, e vou ser brutalmente honesto quanto a este assunto, que também eu caí na tentação de tentar arranjar namorada apenas para poder exibir com um ar triunfante um sorriso sincero enquanto digo coisas como:

“Hoje fui jantar mais a minha namorada.”
“Ontem saí mais cedo para comprar uma prenda para a minha namorada”

Que diabos, eu nem me importava de dizer coisas como:

“Porra! Esqueci-me de comprar uma prenda para a minha namorada.”

E sempre foi um pouco neste sentimento que vivi o dia dos namorados. E por incrível, ainda não consegui passar esta data com uma namorada. Isto é, estar mesmo com ela. O que ainda faz com que se pareça com uma anedota cósmica. Mesmo quando podia estar com o meu par, o universo diz-me, não, não será desta. Vê se aprecias a ironia da situação. E realmente comecei a apreciar bem a ironia da situação, de tal forma que também pondero arranjar uma namorada só para acabar com ela no dia seguinte ao dia dos namorados. Deitar a língua de fora ao destino só para que ele saiba com quem se está a meter.

…

Ok, isso seria idiota, mas também como é que se espera que um gajo (ou gaja) se sinta depois de andar um ano inteiro a tentar encontrar uma namorada apenas por causa de um dia. Um dia em que não se sinta socialmente diminuído perante os seus pares (ou impares) e que diga:

“SIM, EU TENHO NAMORADA E NÃO LHE VOU OFERECER NADA PORQUE NÃO CEDO ÀS VOSSAS TÁCTICAS IMPERIALISTAS E CAPITALISTAS!”

Porque uma coisa é certa… quer se tenha namorada ou não, a pergunta que qualquer pessoa ouve no dia dos namorados é:
“Então o que vais oferecer à/ao tua/teu namorada/namorado?”
O que dá vontade de responder…
“Uma botija de oxigénio porque a enterrei viva. Mas não lhe digas nada, não quero estragar a surpresa.”

Mas não, isto é apenas um desabafo. Um faz-de-conta daquilo que gostaria que acontecesse. Porque o que acontece realmente é…
“Então o que é que vais oferecer à tua namorada?”
“Nada.”
“Oh, coitada. Não lhe dás nada…”
E nesta altura penso para mim mesmo na resposta que quero dar. Que não lhe dou nada porque não tenho namorada, porque no fundo, apesar da pessoa espectacular que sou e apesar do meu interior belo e apaixonante, que o mesmo está reservado e que é difícil chegarem a ele. Que provavelmente não é culpa do universo, do destino, ou até mesmo da minha pessoa ou de todas as outras pessoas, da sociedade em que me insiro. Que provavelmente não tenho porque simplesmente não tenho. Sem nenhum sentido nisso, apenas porque não aconteceu e que por isso, mais vale nem sequer pensar nisso e tentar ignorar este dia e fingir todas as coisas fofinhas à volta dele. E que nem vale a pena perguntar ou fazer comentários porque isso só me faz lembrar de algo que passo o resto do ano a ouvir.
O que eu acabo por dizer mesmo é…
“Pois é.”

Se eu acho que a hipocrisia do Natal é difícil de aguentar, a estupidez do dia dos namorados é quase impossível porque não interessa se tu és feliz, não interessa se fazes alguém feliz. Interessa apenas que tenhas alguém. Que compres uma casa, um carro, e 1,4 filhos. Que possas mostrar a todos que és alguém digno/a de encaixar na sociedade. E o principal passa ao lado.

Estares com alguém que te ama. Estares com alguém que amas.

Não é isso o mais importante?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Trabalho de Amigo

No passado sábado fui a um lançamento de um livro por parte de uma editora, sem saber que, simultaneamente, era também a comemoração do primeiro aniversário da editora. A sala estava composta e até tiveram que se ir buscar mais cadeiras para que todos pudessem estar presentes sentados no auditório, acabando por ficar algumas pessoas em pé na entrada. A coisa prometia. Na verdade, não prometia grande coisa porque também não haviam grandes expectativas. Estava presente apenas para dar apoio a uma querida amiga, que também participou no livro – que é uma compilação de textos de pessoas sobre um tema especifico, divididos entre três vertentes, prosa, poesia e a participações de crianças. Até aqui tudo bem. 

Quando é que as coisas começam a ficar estranhas? 

Quando eu reparo que a minha amiga tem que comprar uma cópia do livro, apesar de ter participado nele. Ok, é um bocado estranho, mas dada a conjectura actual, minimamente compreensível. 
10 euros? Um pouco puxado mas... pode ser que... livro com cerca de 80 páginas? Capa manhosamente amadora? Ok, mais uma vez. Crise. Poupar no papel, poupar no profissionalismo da apresentação gráfica do livro. Pelos vistos, a crise é tão bera que até chegou à qualidade de alguns dos textos. A sério. Faz parecer aquilo que escrevo tratados filosóficos. E eu escrevo muita merda marada. Mesmo... marada!

Bem, continuando. O que já não foi tão compreensível foi o que se seguiu, uma apresentação de cerca de quinze minutos com fotos de todos os lançamentos, com a música a ouvir-se ao fundo, lá muito ao fundo. Uma apresentação em Powerpoint. A uma certa altura, as fotos aceleram de tal forma que parece que se está andar num carrossel duma feira qualquer e a tentar tirar fotografias para o exterior – ok, é um exagero, mas é apenas para se ter ideia do que estou a falar. Provavelmente o autor da apresentação, viu que ainda faltavam muitas fotos e que era material para durar horas, senão dias, então teve que condensar tudo em pouco mais de quinze minutos. Gostei da mensagem final em que dizia algo parecido com “muitas mais fotos ficaram por mostrar” – O mal das máquinas digitais é que não limites de fotos por causa dos rolos.
Bem, pouco refeitos deste choque, chega o interlúdio (o primeiro), que ia separar o assinalar do primeiro aniversário, com o lançamento do livro propriamente dito. Vemos uma pequena rapariga com um microfone na mão, sendo anunciada como… eu nem sei como é que ela foi anunciada, tal não foi o choque! Lembro-me vagamente de pensar que ela ia recitar qualquer coisa do livro. Quando começa a rodar a pista instrumental “Trocas e Baldrocas” e a rapariga começa a cantar, eu só me recordo de pensar… “Ok, é oficial, estou noutra dimensão!”
Confesso que nesta altura só pedia para sair daquele momento, mas depois também um medo me invadiu:

"E... se eu não conseguir voltar? E se eu não conseguir encontrar o caminho de volta para a minha dimensão?
AAAaaaaaaaaaaah!"

Depois dessa primeira música... houve... uma segunda música! E quase não sobrevivi! Atenção, não ponho em causa a prestação da criança. Ela esteve lindamente, tal como esteve qualquer criança de 8 a 10 anos. Aliás, melhor, porque se eu tivesse a idade dela, nem morto me apanhavam frente a uma plateia cheia a cantar um embaraçoso Karaoke.

Finalmente, depois da cantoria, passámos então à segunda parte propriamente dita, onde foi feita a apresentação/lançamento do livro, com direito à história de como surgiu, e à leitura de alguns dos textos, com especial ênfase ao das crianças que... não quero lançar polémicas, mas... penso que eram todos filhos dos responsáveis pela editora e/ou colaboradores da mesma. E conforme eles foram lendo os textos... eu fui sabendo os nomes e apelidos, reconhecendo-os algures, algo começou a cheirar muito mal no reino da Dinamarca. E o pessoal está bem longe de lá! Ao que parece, ainda ia haver uma pausa para buffet para depois voltarem para mais, só que temendo o que podia aparecer por lá, tive mesmo que tentar sair sem olhar para trás. Tentei, mas não consegui. O meu organismo é muito suscéptivel a pequenas alterações. Deitar-me mais tarde, enervar-me, estar entusiasmo ou passar para outra dimensão, são coisas que normalmente o alteram. Como tal, a fome era tão negra que eu só parei depois de ter roubado uma chamuça a uma criança (não, não era a criança que teve a cantar) e de ter olhado para mim mesmo no reflexo de um espelho por perto, e ter gritado com revolta:

"No que é que tu te tornaste?! Num MONSTRO!!"

E corri a chorar e nunca mais ninguém me viu. Nem me viram, nem me pararam. Isto aconteceu no Sábado e eu só parei de correr hoje ao almoço. Estou a enviar esta posta de Badajoz. Julguei que aqui estava seguro.

Nota explicativa:
Não quero com isto desprestigiar o trabalho de uma editora e de todos os seus profissionais. Um ano, talvez um sonho realizado, mesmo nesta altura difícil. Ou sobretudo, nesta altura. É difícil cumprir sonhos e quando eles se realizam... É como o trabalho de um amigo nosso, que nos dá. Aquele feito/pago com o seu sangue, suor e lágrimas e do qual guardamos com grande carinho. Aquele que não interessa a quem não nos conhece.
Supostamente, a editora deveria ser mais orientada para o público e menos para os amigos. Mas, também há espaço para eles, neste mundo cão que é o mundo editorial. E não, a minha opinião não melhorou em relação a este mundo com esta experiência.

domingo, 6 de novembro de 2011

Pensamento Positivo

É difícil pensar positivo. Ligamos a televisão e lá vem mais um ministro a anunciar cortes em benefícios sociais e aumento de impostos. Especialistas a dizer que 2012 será bem pior. Que a recuperação não será possível tão cedo. Crimes violentos por ninharias, assaltos, tiroteios, assassinatos. 

Eu tento pensar positivo, a sério que tento, mas a cada vez que ligo o rádio, não basta a música de merda que passa ciclicamente durante todo o dia, também as notícias passam ciclicamente. Como um mantra. Um mantra que nos mantem adormecidos com o pensamento sintonizado no negativismo.

Eu diria que é impossível pensar positivo. Hoje em dia, nos tempos em que vivemos. Fomos criados em abundância, foi-nos prometido o mundo, mas o mundo não era deles para prometer e nós comprámos com as nossas vidas essa ilusória promessa. A crise é uma oportunidade para nos encontrarmos, para deixarmos de fora aquilo que não precisamos, os valores que não precisamos. Mas é difícil pensar assim, isso é demsasiado positivo e a nossa mente continua sintonizada no negativo. Aliás, eu diria que eles nos fizeram esquecer o que é o positivo ou negativo. 

É negativo não podermos continuar a comprar coisas que não precisamos? 
É negativo ver que não interessa em quem se vote, não interessa em quem se ganhe, que as coisas seguem o rumo que alguém determinou que deveriam seguir? 
É negativo ter a noção que o ser humano comum, além de ser insignificante perante a grandeza imensurável do cosmos, é também ele insignificante perante os olhos dos que detém o poder económico e que manipulam todos os aspectos que têm influência na sua vida?

Se calhar não é fácil conviver com o negativo. Se calhar é preferível a ilusão da positividade inexistente do que a realidade negativa. Eles contam com isso. Contam com os limites que todos nós, os seres humanos comuns, temos. Passar a vida a trabalhar, sermos escravos de um trabalho que não nos diz nada e nos intervalos fazermos aquilo que gostamos, sendo que temos que roubar tempo às horas de sono para o fazermos.

É difícil pensar positivo. Porra, é difícil ter apenas um pensamento positivo que seja, porque já não sabemos o que é positivo ou negativo. Hoje em dia, o positivo entra em confronto directo com a liberdade dos outros. Queremos ser felizes a todo o custo, queremos comodidade. Melhor, maior, agora. Não interessa a pessoa a nosso lado, não falamos com ela de qualquer forma. Não interessa o mundo que destruímos, também iremos morrer cedo de qualquer forma.

A necessidade é a mãe da invenção, diz a sabedoria popular. Nós necessitamos de nos libertarmos das amarras que foram colocadas nas nossas camas quando nos puseram para dormir, precisamos de acordar do sono em que nos colocaram. Precisamos de questionar o porquê de as notícias nos controlarem, das rádios, da televisão. De tudo aquilo que nos dizem que precisamos e que no fundo só nos aprisiona e prende ainda mais. Necessitamos de nos reinventar, de ver o que somos, de nos aproximarmos das pessoas, de nos aproximarmos de todos aqueles que nos rodeiam e não estou a falar de familía apenas, mas de todos. Precisamos de nos unir, de nos encontrar a nós próprios. Pensar positivo não é fechar os olhos e fazer de conta que vai ficar tudo bem, que o governo, o FMI, a União Europeia, o Durão Barroso, o Obama, vão resolver todos os problemas que temos. Pensar positivo é ver quem nos manipula, quem nos tenta limitar através do poder económico, quem tenta possuir a nossa alma. Nós continuamos a ter valor, continuamos a ser mais que um mero número estatístico, apenas precisamos de desligar a televisão, desligar o rádio, desligar tudo aquilo que nos controla e viver.

Apenas viver. Da melhor forma que conseguirmos. E se não for com todo o conforto que achamos que merecemos, será com um pouco menos. Se não for com tantas pessoas que desejaríamos, será connosco próprios. De olhos abertos, sem amarras. E agir, viver, trabalhar. Não para os outros, mas para nós próprios, para o nosso futuro. Porque ninguém o constroi por nós. Isso é o que nos querem fazer crer. Que não somos capaz de o fazer sozinhos, que precisamos de um carro, casa, telemóvel, computador, televisão, rádio para estarmos integrados na sociedade. Que precisamos de outros que nos digam o que ouvir, o que ver, o que gostar, o que comer, o que pensar.

O pensamento positivo não está naquilo que vemos, está dentro de nós. E é difícil pensar positivo porque não fomos programados para isso pelos poderes vigentes. Porque não é suposto. Apenas temos que tomar controlo nas nossas mãos e fazê-lo. Por nós.


domingo, 24 de julho de 2011

O Mundo Em Que Vivemos

Já repararam?

Crise económica, convulsões sociais, revoltas. É inegável que o mundo em que vivemos está em profunda transformação. Não só a sociedade mas como também o mundo físico. Tempestades, cheias no Verão, seca no Inverno. É o tempo propício para as profecias, para o 2012, para as novas eras, para a crença generalizada que isto tudo vai-se danar e voltamo-nos para o Apocalipse, as Revelações, para os Maias, para os Evangélicos, para a Segunda Vinda, para Nostrodamus, ou os muitos nossos Bandarra e Agostinho da Silva, para todos aqueles que milhares, centenas ou dezenas de anos atrás previram que a evolução do ser humano iriam descambar, inevitavelmente, na sua destruição. Apesar de todos os avisos, de todas as descrições horrendas do fim dos dias, caminhamos orgulhosamente para esse fim. Não estou a dizer que deveríamos atirar-nos para o chão e arrepender-nos dos nossos pecados até porque se o todos o fizessemos, mais de metade o iria fazer apenas para tentar salvar a pele. Colhemos o que semeamos. Como pessoas, como raça humana. E agora é tarde demais para voltar atrás, já não há como. Apenas temos espaço para prosseguir um caminho em frente, diferente, daquele que os nossos governantes nos indicam, o caminho do sacrifício por uma economia de recursos falida, com a ilusao que daqui a uns anos estará tudo bem, quando os recursos na qual se baseiam estão no limite da extinção.

Esta conversa toda para quê?

A mudança virá, sem dúvida, talvez ela fosse inevitável pela nossa própria forma de agir/ser, ou talvez fosse apenas um ciclo que as nossas acções fizeram com que fosse antecipado. Uma coisa é certa, este modelo social/económico não resulta e está a dar as últimas porque este quadro já não tem mais espaço para ser escrito e provavelmente ou inevitavelmente, vai ter de ser apagado para se começar a escrever algo novo, com a esperança de não cometer os mesmos erros do passado. O problema é que o mundo em que vivemos não tem a memória curta, agora a espécie dominante que habita nele...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ahhh Sócrates. Votar em ti, ou não votar em ti...eis a questão.

Acabaram de me convidar no Facebook para um grupo chamado “POR FAVOR NÃO VOTEM NO SÓCRATES”.

Bem a minha relação com o senhor primeiro ministro não é seguramente muito amistosa. O governo PS foi mau, ele foi mau em muita coisa, foi arrogante, mentiroso, e existe possibilidade de estar envolvido em actos criminosos.
Apesar disso recusei imediatamente entrar no grupo. Porque? Numa palavra acho uma ideia imbecil.

Sócrates tem TUDO para ter toda a gente contra ele. Mesmo tudo, tem tudo para que eu o odeie. Mas não sou capaz, porquê?

A oposição, em particular o PSD é de uma cretinice, as ideias são idiotas, os protagonistas não lhes ficam atrás.

Contratos verbais, aumento do IVA, que depois já não é aumento é passar produtos de um escalão para o outro, é perder na reforma quando se faz a malandragem de estar desempregado.

O senhor Miguel Relvas que diz que votar noutros partidos é “desperdiçar o voto”, parece um caniche a vir rosnar sempre que o Primeiro Ministro fala, e parece que fica excitado cada vez que diz que o primeiro ministro fala com luvas de boxe calçadas. Agora usam outra “terrorismo político”.

Podia falar aqui de tanta coisa imbecil que estes senhores fizeram, mas o mais ridículo de tudo é que por muito mau que o Sócrates seja, estes tipos são tão piores que de repente até o Sócrates não parece assim tão mau.

É como ter uma grande dor de barriga, é mau e uma pessoa só quer aliviar os intestinos. No entanto quando comparado uma tortura oriental a coisa nem parece tão chata.

Isto já para não falar que desde que me lembro como gente sempre se falou em problemas com divida, défice etc. etc. …e eu não tenho 6 anos. Têm a lata de dizer que a culpa é só dele?

Eu provavelmente não vou votar no Sócrates, mas o que me tira do sério em relação a grupos como este é que provavelmente muita daquela gente está com uma ânsia tão grande de se livrar dele que muito certamente se vão meter numa situação pior.
Isso e a vontade de ser do contra talvez, ou então o facto de não apreciar que me digam em quem devo ou não votar.