quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Porque Não Para Todos?

Acabou de chegar à minha secretária um comunicado de última hora do qual ainda se desconhece a veracidade. Ao mais alto rigor jornalístico, o documento contém o orçamento da assembleia da república de 2010 e incita ao linchamento público de todos os políticos, a começar nos que estão no governo. Apesar de gostar de linchar políticos, também tenho uma curiosidade que me obriga a investigar um pouco a razão desse linchamento. Ok... não preciso de razões para linchar políticos, eu sou é mesmo curioso, admito.
A minha curiosidade levou-me a procurar o orçamento da Assembleia da República para 2011, já a prever as medidas de austeridade. Como tal e para não ir no barco errado, fui mesmo à fonte, ou seja, o diário da república. Para já, esta coisa de democracia transparente tem muito que se lhe diga. Assim que se diz aos políticos que eles têm que ser transparentes, vai de colocar a coisa por artigos e alíneas e usar termos jurídicos para que a maior parte dos labregos ignorantes como eu não percebam lhufas do que estão a (tentar) ler. Sabem que mais cedo ou mais tarde as pessoas desistem, seja porque vem o fisco ou o tribunal levar-lhe o computador ou porque a luz é inevitavelmente cortada por falta de pagamento, e que essas mesmas pessoas vão acabar por preferir ocupar esse tempo precioso para ver os jornais desportivos ou as últimas movimentações nesse fascinante mundo da actividade social que é o jet set.
A primeira coisa que posso dizer é que... apesar da crise, continuam a ser muitos milhões juntos. Como já disse diversas vezes a diversas pessoas, quando a quantia passa os 1275 euros, eu não faço a miníma ideia do valor real da quantia. Aliás, nem dos próprios 1275 euros eu faço a miníma ideia da equivalência real em termos de valor (ou seja, em escudos). De qualquer forma, vou tentar salientar alguns dos pontos que acho mais flagrantes :

- Subsídio de Refeição - 619.720.00€
- Combustíveis e lubrificantes - 112.750.00€
- Vestuário e artigos pessoais - 83.750.00€
- Material de escritório - 358.070.00€
- Prémios, condecorações e ofertas - 155.740.00€
- Comunicações (englobando Internet, fax e voz) - 1.132.220.00€
- Transportes - 4.344.770.00€ (dividido em dois: Transportes Deputados - 3.963.650.00€; Transporte outras situações - 381.120.00€)
- Deslocações e Estadas - 1.537.216.00€ (dividido em dois: Deslocações Viagens - 902.229.00€; Deslocações Estadas - 634.987.00€)
- Outros trabalhos especializados - 3.434.655.45€ (dividido em três: Outros trabalhos especializados Diários da Assembleia da República - 71.470.00€; Serviços de restaurante, refeitório e cafetaria - 952.654,00€; Outros trabalhos especializados - 2.410.531,45€)

Tem mais uma série de coisas que não percebo, mas se fosse a enumerar essas, o blogspot não tinha espaço suficiente, por isso vamos nos manter por esta pequena amostra. Aproveito também para fazer a passagem com a actualidade política, as notícias dos mais variados quadrantes onde a ordem do dia (sim porque eles fazem e anunciam estas coisas à luz do dia, nem tentam esconder) é tentar safar-se às medidas de austeridade, sendo que os últimos desenvolvimentos foram por parte da região autónoma dos Açores, que através do seu presidente, fez saber que os cortes anunciados na função pública iriam ser compensados (sabe-se lá como) através de um fundo qualquer, evitando assim perdas nos salários dos funcionários. Depois de algum silêncio, o Governo afirma categoricamente que não haverá excepções de qualquer tipo embora admita que não tem poder para mexer com as decisões tomadas pelo executivo dos Açores. Vou fazer um esforço consciente para não comentar e não me dispersar mais sobre o assunto. 

E qual é o assunto? O assunto é austeridade. Peguem nos números e vejam se vêem alguma austeridade. É certo que não temos os do ano passado, e ainda bem, porque ainda podíamos culpar a Assembleia da República pela crise que estamos a viver. 
Sempre fui ensinado que se dizemos alguma coisa, temos que dar o exemplo. É certo que as pessoas que me ensinaram isso, muito frequentemente não o cumpriram. Ora, a malta do governo e a restante classe política deveria dar o exemplo, mesmo que saibamos que eles enchem a barriga à grande às escondidas, mas deveriam pelo menos ganhar mais alguma vergonha, se usassem a palavra austeridade e participassem em gastos monumentais como o pequeno exemplo indicado acima. Eu quero que a classe política mergulhe a fundo na austeridade. 

Eu quero que eles acordem com ela, que a comam durante o dia e que se deitem com ela. 

Não quero que tenham subsídio de alimentação, quero que levem sandes de casa, de manteiga durante três dias, fiambre num e queijo noutro - atenção, nada de sandes de queijo e fiambre, austeridade é austeridade! E não é necessário cantinas nem refeitórios. Máximo dos máximos, montem uma roulote no corredor principal, para as necessidades.

Não  quero cá subsídios para vestuário e artigos pessoais, não há artigos pessoais pagos pelo Estado porque assim deixam de ser pessoais e passam a ser públicos e aquela cambada de sacristas não vai devolver nada!

Não quero cá dinheiro gasto em material de escritório. Quero que roubem material de escritório. Quero que se faça uma corrente com os deputados europeus para que se envie material de escritório de Bruxelas para cá. Quero que o nosso país seja temido lá fora, de tal maneira que todos esvaziem as secretários assim que um português esteja nas imediações. Quero que seja de tal maneira que as medidas de segurança sejam tão fortes que os deputados portugueses tenham que usar a sua imaginação para lhes furtar clips e canetas e resmas de papel e impressoras e portáteis. Nós conseguimos. Se é para roubar e enganar o próximo, nós conseguimos sempre dar a volta por cima.

Não é preciso dinheiro em comunicações, internet, fax e telefone. Basta ligar a televisão para ver que por 19.90, temos tv por cabo, internet e telefone. Não há fax, mas há e-mails. É só fazer mais um esforço e pedir a algum eurodeputado para desviar algum scanner a um euro-colega e temos uma solução mais económica. E com a tv por cabo, se calhar, evita-se ausências em dias de jogos de Portugal. Assim até viam os jogos todos juntos, discutiam quando era falta ou não e levantavam-se todos juntos a gritar golo. Iria apelar à união entre os portugueses.

Eu não quero cá deslocações e estadas.O máximo que aceito é um passe social. Não é preciso motoristas, não é preciso dinheiro para combustíveis. Eu quero que eles andem todos de metro para serem todos assaltados e violados e espancados (não necessariamente por esta ordem), tal como qualquer outro português. Eu quero que eles fiquem sufucados no meio do sovaco alheio quando o metro está cheio. Quero que sejam molhados por um fogareiro, quando esperam pelos autocarros. Eu quero que eles andem a pé, que corram para fazer exercício e para melhor fugir às quadrilhas que andam por aí à solta. E essa história de estadas... isso tem que acabar. Deputados não se desloca. As coisas é que se deslocam até ele. Se tem família, a família que vá até ele; se tem amante, a amante que pague o hotel; se tem gato, o gato que pague o gatil.

Eu quero que o nosso país seja novamente respeitado no exterior. Quando houver cá mais alguma cimeira, eu quero que os presidentes e primeiros-ministros dos países participantes saiam de cuecas do edifício. Quero que paguem portagens para sair do edifício, quero que paguem portagens para entrar no aeroporto. Quero os aviões desmontados por completo quando tiverem para se ir embora. 

Quero que façam todos os possíveis e impossíveis para não gastarem o que não têm, que cortem nas despesas desnecessárias. Quero que deixem de comer para dar de comer aos seus filhos. Quero que a luz, água seja cortada. Quero que sejam despejados das suas vivendas e apartamentos. Quero que o carro seja recolhido pela o stand de automóveis. Quero que se deitem a pensar como hão-de sair do buraco em que estão metidos, quero que passem a noite em branco a pensar em como hão-de sair do buraco em que estão metidos e quero que encontrem essa mesma saída quando for hora de se levantarem, mesmo sabendo que a solução não está ao alcance.

Quero que eles passem pelo mesmo que muitos portugueses passam há muito tempo e por aquilo que muitos mais vão passar no futuro. Não são portugueses também? A austeridade é para alguns... porque não para todos?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

As Diversas Faces da Mesma Crise

Eu tentei passar ao lado da tentação de falar da actual situação económica e dos responsáveis por essa mesma situação. Eu juro que tentei... com força e afinco... mas não dá. Os telejornais dedicam-lhe meia hora do seu espaço. De manhã, á hora do almoço e à noite, como o substituto eleito do 11 de setembro, furacão Katrina, terramoto no Haiti, enchurradas na Madeira, o Freeport. Se fosse suficientemente paranóico poderia dizer que estão a tentar-nos manipular com distrações. A mão do ilusionista faz movimentos estranhos, captando a atenção da plateia, enquanto a outra, faz o truque que a vai surpreender, mesmo estando ali à vista de todos. Será sempre assim, mas não é dessa condição que quero falar. Quero fazer a vontade àqueles que querem que se ouça, fale e pense na crise. 

Por todo o lado, governos tomam medidas de austeridade, cortes aqui, cortes ali. Com algumas ténues diferenças, todos os países apoiam-se sempre no mesmo, o contribuinte para suportar o peso excessivo que o estado representa no défice do país. É sabido que quando há grandes crises ou até mesmo depressões económicas, há também - sempre - quem lucre milhões. Mas por muito que possa parecer estranho, não são esses que me revoltam. Que nas sombras, têm as suas influências, como teias (ou mesmo tentáculos) têm um grande alcance para fazer mover as peças/pessoas necessárias para cumprir os seus objectivos. É preciso alguma inteligência, mesmo que seja usado para o... mal, chamemos-lhe assim. No entanto, aqueles que me irritam são os chico-espertos. Acho que não seja um exclusivo da nossa nação, mas por vezes tenho a impressão de que sim. 
Um governo que aumenta impostos alegando ser a única forma de combater o défice, não cortando na despesa e mantendo gastos farónicos com tachos para os boys acho que é uma boa súmula daquilo que quero dizer. Embora pudessem ter braços compridos para fazer as suas coisas das sombras, este tipo de indivualidade prefere fazer as coisas às claras apenas porque é preguiçoso.

- 3000€ de ordenado para gestor público, isso não vai dar bandeira?
- Não, pá. Eles já estão tão habituados que não dizem nada. E se disserem, sai uma notícia mas depois fica tudo na mesma.
- Se for assim... então está bem.
- Porreiro, pá.

Há tanta coisa feita às claras, no que diz respeito a vencimentos chorudos, a festas, a contratos publicitários, tanta obscenidade, tanto insulto aqueles que trabalharam toda uma vida e que têm uma reforma de 300€, que se eu fosse a enumerar, não saíria daqui antes do Natal.

Só me consigo rir, pensando na ironia de uma frase feita de certos políticos uns tempos atrás. Políticos que estavam no poder e agora também, que diziam que era difícil encontrar bons ministros que se sujeitassem às pressões que são inerentes ao cargo que ocupam por  um vencimento baixo, comparando com o sector privado. Então... temos ministros incompententes porque aqueles que são mesmo bons não se estão para sujeitar à má vida. No entanto, os ministros incompententes que se sujeitaram  a tal, depois de saírem do governo têm dois destinos:

- Ou vão para empresas privadas às quais as suas decisões afectaram positivamente (atirando dois nomes ao acaso, Lusoponte, Galp e Mota-Engil, perfeitamente aleatórios);
- Ou vão para gestores públicos, receber mais dinheiro do que aquele que estavam a receber como ministro, não tendo aumentado a sua competência para esse .

Se eu fosse fanático de futebol diria que, a situação do estado Português é como a da Sporting. A academia deles é muito apetecida porque de lá sairam grandes jogadores, como Figo, Ronaldo, Quaresma, Nani, etc. Jogadores que depois de lá jogar, deram o salto para os milhões. Se Portugal fosse o Sporting, eu diria que  o objectivo dos jogadores não é ajudar o Sporting a ser campeão, mas apenas usá-lo como trampolim para os milhões. O Sporting não ganha, os chulos orientam-se bem orientados, e o adepto sonha em mudar de clube, porque já sabe que mesmo mudando de treinador, de jogadores, de presidente... o que vem a seguir, é sempre pior.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

...And Justice For All - Parte 1

O processo Casa Pia era a prova definitiva do estado da nossa justiça, o derradeiro teste e temo dizer que a nota foi negativa. Confesso que tenho uma certa simpatia pelo Carlos Cruz, como figura pública e por ter feito ou por fazer parte da minha memória e do meu desenvolvimento como pessoa. Tenho discernimento suficiente para saber que o que vêmos na televisão das figuras públicas não é representativo do que eles são realmente na sua vida íntima. Nem as pessoas com quem lidamos no quotidiano quanto mais as figuras públicas. No entanto isso não quer dizer que ele ou todos os outros restantes tenham de ser obrigatoriamente culpados. É o que parece, é a sensação que fica, estas pessoas tinham de ser obrigatoriamente culpadas.

Não quero simplificar todo este processo, nem quero passar a ideia que tenho a arrogância de saber o que devia ou não devia ter sido feito, com a excepção de uma coisa que assumo a arrogância de dizer que deveria ter sido, obrigatoriamente, feito:
Todas as dúvidas deveriam ter ficado desfeitas e a questão é que elas não ficaram. Depois de uma eternidade, a montanha pariu um rato e pariu-o mal e durante mais duma semana. Resultado prático, o que deveria servir como exemplo da justiça (ou seja as condenações) acabou por descredibilizar o pouco que havia.
Vamos a enumerar :

1-Oito anos para sair a sentença, quiliões de páginas do processo (deve ter queimado mais árvores que os incêndios do verão de 2005), provas, CDs e DVDs, número record de testemunhas, quase mil. Oito anos... não é demasiado tempo? As penas de prisão são menores que o tempo que o processo demora a chegar ao fim. Em vez de condenar os criminosos a penas de prisão, não será melhor condená-los a penas de tribunal? Parecem ser mais severas...

2-Ziliões de crimes aos arguidos, fora aqueles que estavam no processo e não chegaram a ser arguidos. As únicas provas são as testemunhas. Será que as testemunhas que eram a prova dos que não chegaram a ser arguidos tiveram incentivos para deixarem de serem prova. O que coloca outra questão... será que as testemunhas que são prova de que os que são arguidos são realmente arguidos,receberam algum incentivo para dizerem que os que são arguidos são realmente arguidos?

3-O acordão da sentença tem mais de 2000 (!!!) páginas o que faz com a mesma não seja lida por completo. Não era suposto a sentença ser algo rápido, do género "és um cabrão, estás fodido e vais para a prisão apodrecer até ao final da tua vida mas como já gozaste 15 anos de prisão preventiva, ainda chegas a passar o natal na casa com a tua família"?

4 -Esse mesmo acordão demora uma semana a chegar às mãos dos arguidos, depois de um dos advogados duvidar que ele sequer existia por completo. Supostamente foram problemas informáticos. Deve ser complicado gravar um cd dum ficheiro word, principalmente quando ele não existe (oops).

5-Os arguidos foram condenados por uma décima dos crimes que foram condenados e as únicas provas são os testemunhos, principalmente na casa de Elvas. O curioso é que a dona da casa, onde se passaram todas as orgias pedófilas, não foi acusada. Ou seja... as testemunhas colocam os arguidos na casa de Elvas, mas não devem ter visto a dona. O que é estranho porque se eles são condenados por assalto sexual ou que raio foi o termo jurídico-legal, também deveriam ser condenados por invasão de propriedade privada já que estavam na casa de uma pessoa que não conheciam, sem esta saber. Aparentemente.

Estas são apenas algumas das questões que me suscitaram dúvidas e não estudei nem acompanhei muito o processo, nem de perto nem de longe. No entanto fiquei com estas dúvidas. Muita gente ficou com dúvidas, porque esta merda deste processo cheira mal como a... bem, como a merda.

Um dos advogados das vítimas da Casa Pia disse que este processo teve excessos simplesmente porque a lei permite. Pensando assim não é de estranhar que tenham sido ouvidas tantas testemunhas... até nos permite ficar com a ideia que quantas mais fossem, melhor porque a ideia mesmo era enrolar, atar e atolar a justiça até que ela não possa fazer mais nada. E é assim que se subjuga um povo, com uma justiça com leis ambiguas o suficiente para que não funcione quando interessa que ela não funcione.

E este é o primeiro passo para te adormecerem, carneiro. Dão-te ferramentas que dizem que funcionam mas que têm as portas de saída escolhidas a dedo para que eles nunca fiquem entalados.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Cansaço

A desvantagem de se estar cansado é que se fica mais sensível. Pode-se até pensar que, para quem tem um blog deste género, as coisas podem ficar facilitadas, afinal com tanta sensibilidade, é só escolher.
Acontece que eu estou tão cansado, tão cansado, que não consigo focar-me em nada específico.

-Poderia começar nas modas da protecção dos animais (nada de errado com isso), passar pela a dos vampiros e lobisomens a comerem humanas (há algo de muito errado com isso!) e as modas no geral, qualquer uma delas. Acabem com elas todas.

-Poderia falar de futebol mas aí era capaz de chorar por alguns dias e então acabaria por encharcar o blog todo e este revestimento não é impermeável. Há coisas que nunca vou perceber e constante procura por fruta sul-americana e espanhola é uma delas. Deve ser por não perceber nada de agricultura.

-Poderia falar de política ou justiça (ou falta dela) ou economia... mas cada um destes assuntos é tão vasto que não saberia por onde começar. E não sei. Embora tenha soluções, para não virem com bocas foleiras que só meu queixo e não apresento alternativas.
Simples:

Marcelo Rebelo de Sousa para presidente da républica, primeiro-ministro e para chefe da oposição
Marinho Pinto para Juíz e advogado de todos os casos em Portugal. Sem engonhar, em 24 horas, ele punha tudo em dia.
Para a economia... se calhar não se punha ninguém, isto vai tudo para o buraco também, por isso...

- Poderia falar de televisão, mas depois começo a pensar na informação na TVI, Sic e RTP e começa a dar-me vómitos. Estou cansado demais até para vomitar. Acho que até para uma flatulência. E este assunto tem flatulência suficiente para dar ar quente ao balão do Willie Fog na volta ao mundo.

- Poderia falar dos fogos e da anedota da legislação e da organização dos vários mecanismos que em vez de impedirem que hajam fogos, asseguram que todos os anos o filme seja o mesmo. Tenho pena que não queimem São Bento, só para ver se afirmam que foi uma beata que começou tudo.

- Poderia falar da Igreja Católica, porque, além de também meter beatas, a pedofilia é um assunto sempre actual.

- Poderia falar do meu ódio de estimação à humanidade em geral e com os nazis e todos os idiotas, amebas extremistas em particular que por viverem em democracia, escondem-se atrás dela para espezinhar os mais fracos e indefesos.

Poderia ficar aqui dia e noite a enumerar material a explorar, mas não adianta, o meu cansaço continua crescente assim como a minha indiferença.

terça-feira, 13 de julho de 2010

C.P. - Chula o Povo

Se há coisa que me faz confusão é a chulice desmedida e a nova forma de cobrar aos utentes os bilhetes parece-me do mais chulo que há.

Senão vejamos.

Uma pessoa quer ir do Carregado para o Oriente, porque tá sol e estão a dar gomas no Vasco da Gama. Para tal, tem que comprar um cartãozinho (caga-o) e depois tem que carregar com a viagem que pretende (caga-o mais uma vez), que por acaso é de ida e volta. A pessoa levanta a pestana esquerda e entre pensamentos do tipo "já me foram à carteira" lá mete as moedas necessárias. Quase 5 euros depois, não se pode esquecer de retirar o talão, comprovativo da compra, e também de validar o bilhete. Já explicarei mais à frente o porquê.

Ao chegar ao local, descobre que foi enganado, e que a distribuição de gomas não é no Vasco da Gama e sim no Colombo. Vai então de Metro e pensa inocentemente para ele próprio:

"Catita, tenho este bilhete e posso carregá-lo". A máquina, estúpida, diz que o cartão não é válido e mesmo depois de gritar à frente dela "Ó vaca, esta feze é nova! Comprei meia hora atrás!" A vaca, perdão, máquina, não responde mas um inocente transeunte que por acaso ouviu o monólogo diz-lhe em tom paternal:

"Ó amigo, se esse cartão foi usado para comprar viagens da CP, não serve para o metro." - e ele diz a frase chave - "Tem que comprar outro"

Lá teve que ser, toma lá mais (quase) 2 euros (caga-o outra vez, será diarreia?) Depois de uma tarde a encher o bandulho de gomas e de outras substâncias nocivas ao dentame, eis que essa mesma pessoa resolve, já no Oriente, que na volta, em vez de ir para o Carregado, ir um pouco mais além, como Azambuja, para ir comer um frango. Ora como o bilhete já têm lá uma viagem, ele não deixa que se acrescente outra. Qual é a solução que encontra? Comprar outro cartão e pagar mais uma viagem. Ao embarcar, após validação do bilhete, lembra-se que se esqueceu dos papéis, o comprovativo em como pagou o bilhete. Na dúvida entre esperar mais uma hora ou seguir sem os papéis, acabou por decidir por se ir embarcar. Como o dia até lhe estava a correr bem, apanha o pica que tem uma certa dificuldade em fazer com que a máquina leia o cartão. Como até é fim de semana e ele está um pouco contrariado, não se está para chatear e pede pelo comprovativo.

A pessoa pensa logo "será que me vou borrar nas calças...?" e responde que saiu à pressa para apanhar o comboio e não se lembrou dos papéis. Ao que o pica responde:

- Não tem papelzinho? Então leva já no rabinho.

E toma lá uma multa (caga-o como um herói) que é os novos sistems são bons, são tão bons, tão ecológicos, tão ecológicos que precisas de andar a coleccionar papéis para comprovar que utilizaste esse sistema ultra-avançado apenas como precaução de ele falhar.

Em vez de ser a CP a a colmatar as falhas do seu sistema, essa obrigação recai sobre o utente que nunca pediu um sistema único que por acaso não dá no Metro de Lisboa nem na Fertagus, que nunca pediu cartõezinhos que são caros como a bosta e que depois de um dia na carteira, ficam inválidos. O utente não pediu modernidades que apenas servem para perder tempo e para atrapalhar todos aqueles que não andam habitualmente de comboio. Imaginemos as pessoas mais idosas que além de dificilmente não conseguirem perceber como funciona o complexo e avançado sistema, provavelmente irão gastar dinheiro inutilmente em cartões novos ao tentar validar a viagem já que a máquina deu erro após 3 passagens e como não insistiram mais, lá se tornaram mais uma vez vítimas desses meliantes da CP.

Voltemos ao nosso infeliz utente, já na Azambuja e com um frango no bucho, depois de ter gasto o equivalente a uma estadia na Serra da Estrela na passagem de ano, numa pousada de 4 estrelas, nunca saíndo da linha da Azambuja.
Por esta altura, com o rabo dorido, sem saber se é de cagar tanto dinheiro ou se de ser enrabado tantas vezes num curto espaço de tempo, acaba por decidir não gastar mais dinheiro em viagens e cartões e faz aquilo que devia ter feito desde início.

Não pagar bilhete.

Moral da história: Ao comprar cartões viva, carregar viagens e /ou validar essas mesmas viagens, andem sempre com um preservativo no bolso ou um medicamento para os problemas de intestinos. Nunca se sabe o que pode acontecer.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mitologia Grega

Cheguei a uma conclusão nos últimos tempos que faz todo sentido para mim, cada vez mais. Vou começar pela base do meu raciocínio. Os deuses gregos eram conhecidos pelas suas características humanas, principalmente ao nível das emoções, levadas ao extremo. Rancor, luxúria, inveja, ciúme, orgulho, etc.. Aliás, pensando ainda mais sobre isso quase que se pode dizer que representavam os 7 pecados mortais, condenados pela Igreja - ou uma maneira muito eficaz de combater o paganismo.

Bem, já me estou a desviar do assunto.

Os deuses gregos, através das suas acções, podem ser caracterizados como crianças com poderes. Agora um outro extremo... as crianças, principalmente as que nasceram a partir da minha geração que resultaram em adultos mais ou menos responsáveis e jovens adultos, etc, etc. As crianças que quando faziam asneira eram castigados, de forma a corrigir o seu comportamento. Castigos, porrada e... porrada. E embora a coisa nem sempre funcionasse, porque existem crianças realmente dificeis de "quebrar", mas havia um processo natural das coisas. Fazes merda, és castigado. É até um pouco castrador posso admitir, mas na minha opinião, e sou até bastante liberal, é algo que é essencial de forma a manter um pouco disciplina.

"Fizeste mal, as consequências são estas, vais sofrer na pele, para que da próxima vez pares para pensar"

Ora, a conclusão de todo este meu raciocínio é que...

O governo está cheio de pessoas que se julgam deuses gregos. Eles fartam-se de fazer merda mas são completamente intocáveis. Sócrates, o deus do Olimpo, permanece altivo a tudo e todos, não admitiu que todas as previsões que deu estavam erradas (de forma a tentar garantir mais uma maioria no parlamento), mesmo quando teve um défice de 8%, quando teve que fazer um orçamento rectificativo, mesmo quando teve que fazer um PEC porque o orçamento rectificativo não chegava, mesmo quando teve que fazer uma rectificação do PEC. Ele tem sempre razão. E quando não tem, o responsável por esse factor não é ele. É o comum mortal porque os deuses não se enganam. Mas entre o grupo dos comuns mortais, existem aqueles que são protegidos, os que fazem o culto à divindade olímpica. Os restantes levam com raios pelo cu acima em forma de relâmpago.

Obviamente que isto é uma metáfora paupérrima, e sem sentido algum, até porque toda a gente sabe que o Sócrates está nas mãos de interesses ocultos, assim como todos aqueles que estão ou estiveram no governo. Na verdade, é um pobre diabo que pensa que é Zeus mas na verdade não passar de uma criança atrás das barras no seu jardim de infância, que brinca com os brinquedos que lhe dizem para brincar.

Agora esta é uma boa metáfora.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Alguma Coisa Está Errada Neste Quadro

Alemanha

Polícia investiga e em duas semanas prende os responsáveis pelas falcatruas dos submarinos.

Portugal

O poder judicial demora quase 6 meses para destruir escutas que já tinha dito que eram ilegais/inválidas, etc.

Alguma coisa está errada...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ver Os Bonecos

Cheguei a uma conclusão recentemente, embora tenha sido o resultado de quase dois meses de experiências. É sabido que a comunicação social existe para manipular as opiniões do público. Dizem-nos o que alguém quer que nos diga. Um dia, servem interesses de um grupo, outro dia, de outro. Notícias bombásticas que surgem com estrondos e depois desaparecem como se fossem uma suave brisa de Primavera. Isto é normal e esperado numa sociedade construída em lobbies e compadrios como a nossa.
Na verdade, apesar de ser um amante da televisão (e embora já tenha sido mais), tenho que admitir que a pequena caixa de maravilhas tornou-se na mais poderosa arma de propaganda ao serviço do grande capital que quer dominar o mundo. A minha conversa pode soar um pouco paranóica mas acho que começa a ser claro, principalmente se analisarmos, todo o histórico dos quatro canais e a sua programação.

Terramoto no Haiti. Os telejornais dos três canais (RTP, SIC e TVI) bombardeia-nos com cerca de trinta minutos por programa sobre o Haiti com imagens a repetirem-se vezes sem conta, até à imagem da exaustão.

José Sócrates bandido. Os telejornais dos três canais (RTP, SIC e TVI) bombardeia-nos com cerca de trinta minutos por programa sobre as conversas do primeiro-ministro, do Armando Vara, do sucateiro, do face-oculta, das escutas, da Portugal Telecom, da censura, etc.

Chuvas torrenciais na madeira. Os telejornais dos três canais (RTP, SIC e TVI) bombardeia-nos com cerca de trinta minutos por programa com as imagens impressionantes (e repetidas elas também até à exaustão) da força da água na Madeira, da destruição, das imagens com música dramática a captarem o drama pungente de pessoas que perderam tudo, tratadas como se fosse um filme para os óscares, e da porra do mealheiro com os 129 euros.

Três situações díspares que podem afirmar que não têm qualquer relação entre si, nem sequer se pode afirmar que nos querem desviar a atenção para os problemas graves de crise económica que o nosso país e o mundo atravessam já que aparentemente foram fruto de situações que o homem controla cada vez menos, se é que alguma vez controlou: a força da Natureza e a miséria da Justiça portuguesa.
Alguém bem atento pode facilmente reparar que isto é um estratagema para que nos lavar a cabeça. Ora nestes tempos todos em que me cansei de ouvir, ciclicamente, sobre um assunto, dei comigo a parar na RTP2 a ver o que estava a dar. E o que é que estava a dar? Bonecos. Vi durante quase dois meses bonecos porque não queria ter o cérebro lavado da comunicação social. Odeio sentir-me encurrulado e eles sabem disso. Esses sacanas das notícias sabem bem que a malta das conspirações, que está a par de tudo, cheira tretas à légua e então dissimulam a RTP2, com os seus bonecos, com o objectivo de... não sei bem! Talvez com o objectivo de nos por todos, a nós que andamos de olhos abertos, a brincar com os bonecos e a esquecer a dominação global que está em curso.

Se pensam que resulta...
...estão certos, porque precisei de três clisters para recuperar o discernimento. Ainda sinto um tremor ligeiro cada vez que vejo o genérico da Ovelha Choné! No entanto, uma verdade seja dita, apesar da programação de animação venenosa, a RTP2 continua a ser o melhor canal da televisão portuguesa. Isso já diz um pouco do resto.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Espremer A Fruta Bem Espremida

Nos dias o que correm, é natural que cada vez mais tenha que me voltar para o jornalismo (principalmente de televisão e rádio) e para as suas tácticas que cada vez me parecem desesperadas. E parece-me logo um contrasenso, a partir do momento que um dos objectivos do jornalismo é, por excelência, informar, imparcialmente. Ora, será que devido à concorrência dos dias de hoje ser feroz e cada vez mais haja a febre do noticiar primeiro que os outros todos (veja-se o caso da TVI que levaram isto a um tal extremo que acabam por serem eles a fazerem as notícias principalmente nos tempos de Moniz [em que ele era entrevistado pelo telejornal da estação de televisão que presidia nos momentos em que havia uma aposta nova da TVI ou então em que a notícia fosse alguma questão em que estivesse envolvida a TVI - caso Marcelo Rebelo de Sousa e outros parecidos], já sem falar da esposa dele) fazendo que se recorra obviamente às notícias bombásticas mas na maioria das vezes falsas? Lá dizia o povo, a pressa é a inimiga da perfeição.
Mas vamos deixar o estado geral do jornalismo e focar-nos numa situação em específico...

Já repararam que em ocasiões que o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro estão presentes de forma oficial, os jornalistas rodeiam-nos e perguntam-lhes tudo desde o último escândalo da justiça, governo e arredores até à colocação dos astros e os resultados do campeonato de futsal da Gronelândia. Na primeira série dos Gato Fedorento, ainda na Sic Radical, foi feito um sketch onde parodiavam exactamente com essa situação. Pois bem, a semana passada, por ocasião de uma visita qualquer do Presidente da República, já não sei a que sítio, o mesmo foi solicitado para falar sobre diversos assuntos, dando origem a, se não estou em erro, quatro reportagens do Jornal da Tarde da RTP1. Ele foi Haiti, ele foi orçamento, ele foi tudo e mais alguma coisa. E era um sentimento de déjà vú, cada vez que anunciavam a peça, nós sabíamos quem iríamos ver, e onde, e até o senhor de barba que se ofereceu para segurar o gravador a algum reporter que não chegava até lá. Tive pena desse senhor... ter de ficar ali a segurar o gravador durante quase meia hora enquanto os jornalistas despejavam perguntas e ele se amaldiçoava a si próprio por ser tão prestável.

No fundo, parece-me que o que vimos aqui foi a transição para a realidade de um filme. Bowfinger com Steve Martin e Eddie Murphy que falava a história de um realizador muito mau que não tinha onde cair morto e que por causa disso resolve perseguir um famoso actor de cinema com uma máquina de filmar e fazer assim um filme com uma estrela, sem ter de lhe pagar cachet. Ora, é exactamente este plano malévolo que as rádios e televisões estão a tentar fazer neste país. Apesar da sua competição feroz, unem-se todas no mesmo objectivo de ter o Presidente da República como comentador político. Uma espécie de Marcelo de Rebelo de Sousa mas mais barato e com direitos a ter um pivot a apresentar o momento em que ele vai aparecer. Então sempre que ele aparece, vai de perguntar tudo sobre a actualidade e se possível sobre o futuro, porque existem certos dias em que o Presidente não está disposto a falar e acaba por responder "não cabe ao Presidente da República comentar esses assuntos". O que obviamente é uma Justiça.

Quanto ao Primeiro Ministro é fácil fazê-lo falar. Basta ir ter com ele e perguntar se ele leu os jornais que é fácil. Ele responde logo que é tudo uma cabala e que foram ultrapassados todos os limites da decência.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

The More Things Change

2010.

O Tempo passa a correr, num ápice. Cada vez mais, muito graças às nossas vidas, cheias de compromissos inadiáveis e projectos e responsabilidades. Longe vão os tempos em que se olhava para o relógio e para o calendário e se ansiava por horas e datas respectivas. Agora concentramos-nos naquilo que temos a fazer e quando damos conta é verão. Passados uns segundos, é Natal outra vez.

Vamos parar o tempo, só por uns breves momentos.

O objectivo deste blog sempre foi e, em princípio, sempre será o de descarregar a bílis, como diria a minha querida companheira de descargas filosóficas. Não pretendemos mudar o mundo, nem tão pouco assumir-nos como salvadores da pátria, portadores da luz e do conhecimento.
Nada disso.
Apenas somos seres humanos, simples, com um feitio tramado. Por outras palavras, temos dificuldades em aturar merdas e o facto de muitas das vezes termos de as aturar, provoca-nos automaticamente a diminuição da tolerância e principalmente paciência. Juntar-se a essa necessidade de descarregar a bílis, vem também a necessidade de ver as coisas de forma irónica. Porque a vida é feita de ironias e quanto mais estivermos embrenhados na sociedade, mais depressa nos apercebemos disso.

O nosso objectivo pode ser facilmente mal-entendido como um simples blog de queixume - e obrigado à Maggie pelo seu precioso comentário e participação - e poderá não estar muito longe dessa realidade porque está na natureza do português se queixar. Queixar de tudo e de todos. Quando não chove, queixar-se da seca e pedir subsídios ao governo. Quando chove, queixar-se das cheias e pedir subsídios ao governo. Quando a vida corre mal, queixar-nos que os governos não nos dão subsídios. Ou que dão poucos. Ou que dão muitos. Nada está bom para nós, portugueses. Se o ser humano é imperfeito por natureza e nunca está satisfeito então eu diria que nós somos mais humanos que todos os outros. E preguiçosos.
E aqui assumo-me como português no seu pior. Gosto de me queixar mas sou preguiçoso na maior parte das vezes para me mexer. Activismo não é mesmo o meu forte, até porque eu gosto de observar à distância, muito à distância e tenho a tendência para guardar as minhas opiniões para mim próprio, mas tenho vindo a descobrir aos poucos o prazer destas descargas de material tóxico e descarregar através do uso da ironia e sarcasmo.

Mas mesmo assim, mesmo estando perto do queixume, não é esse o objectivo deste canto, nem sequer o da investigação altruísta, de mostrar as injustiças deste mundo. Mas simplesmente colocar (ou tentar) a nu o ridículo de situações que estão ao alcance de todos mas que nem todos reparam perante a massificação de telenovelas, futebol e programas de cantorias e dança. Ou porque não se querem preocupar. Recuperar a velha tradição portuguesa da má língua, da sátira ancestral que serviu para criticar o incriticável.

E neste ano que agora começa, continuamos com muito material para dissecar. Desde a promiscuidade do poder político com o poder económico, dos seus interesses pela estagnação do movimento ambiental, da hipocrisia, do cinismo. O ano mudou, mas continuamos todos humanos e continua tudo na mesma. Da nossa parte, hà sempre a esperança que não tenhamos assunto, ingénua é certo, mas sempre sincera porque por muito mau feitio que tenhamos continuamos a querer o que todas as misses dizem querer, paz no mundo e o fim da fome e da guerra.

Até esse futuro mais ou menos próximo, mais ou menos distante... Até lá... estaremos por aqui a dar vazão a todo ao nosso ácido gástrico, com a seriedade e leviandade popria de quem não está para aturar merdas mas que acaba sempre por as aturar.