sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Lê E Passa

Li agora uma mensagem na minha conta de Hi5 que fez encher o meu copo no que diz respeito ao assunto das mensagens e mails em que supostamente temos que passar a toda a gente para provarmos que somos amigos deles ou então para mostrar o quão conscientes e sensíveis somos. A mensagem descrevia o dia-a-dia de uma criança de 3 anos, assassinada pelo pai alcóolico por maus tratos. Se até aqui já me perguntava até que ponto servia uma mensagem extremamente negativa assim, depois do último parágrafo, fiquei completamente decidido. Não tem utilidade absolutamente nenhuma. O parágrafo é este:

"Existem milhões de crianças que assim como a "Sara" são mortos.
E tu podes ajudá-los.
Fico desiludida até ao mais profundo de mim se tu leres isto e não o fizeres passar.
E se porque tu ficaste sensibilizada, faz qualquer coisa!!
Tudo o que eu te peço, é de enviar isto e de reconheceres que estas coisas acontecem, e que pessoas como o pai da "Sara" vivem na nossa sociedade.
Faz passar este poema porque mesmo se isto parece doido pode talvez mudar indirectamente as nossas vidas.
Por favor faz passar isto se fores contra o abuso das crianças :( ..."

O facto de alguém ficcionar a existência de uma criança assassinada pelo pai e enviar isto para toda a gente que está no hi5 ou por toda as suas listas de contactos de e-mail, vai realmente ajudar em algo? O que vamos todos nós, pessoas sensíveis, fazer? Criar milícias, sair à rua com tochas a arder e espancar pais negligentes? Algum pai negligente, depois de ler esta mensagem vai realmente admitir que é um mau pai? Que é uma fraca desculpa de pessoa?
É isto?
É esta a solução para os nossos problemas? Enviar spam?

Faz-me lembrar os famosos mails de "Envia isto para 15 amigos, inclusive a pessoa que te enviou e assim verás quantas pessoas gostam de ti". Recebi esta mensagem de 2 ex-colegas de trabalho que também considero amigos, tem o meu número de telemóvel, sabem onde moro, etc. É engraçado ver que do lote de pessoas que deixei no meu último emprego, estas duas pessoas foram as únicas pessoas das quais só tive notícias através deste mail. Todas as outras, as que se estão a cagar para mensagens idiotas, têm mantido o contacto e demonstraram interesse em realmente continuar a manter a relação que criámos.
Existe muito sofrimento no mundo, existe muita solidão, existe muita miséria, criada principalmente por nós próprios. Não fomos ensinados a amar e se não fomos ensinados, também não podemos ensinar ninguém. Querem ajudar o mundo? Deixem-se de merdas de mails da tanga e mudem o vosso interior. O exterior de certeza que muda mais facilmente. O faz de conta de que somos bonzinhos não ajuda em nada quando não o somos realmente.

Talvez até consiga reconhecer algum valor nestas mensagens. Servem para os pobres de espírito dizerem a si próprios que até são boas pessoas, sensíveis e têm muitos amigos. Resta saber se mesmo assim eles ficam convencidos. A mim não me convencem.
Mas eu também não passo spam, não sou sensível.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Rádio

Graças ao meu novo trabalho, ouço rádio praticamente 8 horas por dia, coisa que já não acontecia à volta de oito, nove anos. O que aconteceu por essa altura foi de passar das 8 horas para as 2 horas diárias, ou seja, passei a ouvir apenas o programa da manhã, na altura o clássico programa da manhã da Comercial, a Rádio Rock (R.I.P.) com José Carlos Malato, Ana Lamy, Pedro Ribeiro e Nuno Markl. Depois de mudar de emprego esse ritmo manteve-se, também porque tive liberdade para isso. Assisti ao falecimento da rádio rock e ao desmembramento do programa da manhã. A Lamy e o Malato já não tinham se mudado para a Antena 3, tendo sido estes dois substituídos pela encantadora Maria Vasconcelos onde se mantiveram assim salvo erro, por volta de 2 anos. Acabaram também com esse programa, tendo Pedro Ribeiro passado para a Rádio Clube Português, o Markl para a Antena 3 e a Maria afastou-se das lides radiofónicas, pelo menos tanto quanto sei. Nessa altura então optei por mudar também para a Antena 3, mas sempre no mesmo esquema, 2 horas por dia. Entretanto mais uma mudança profissional e deixei de ter hipótese de ouvir rádio... até agora. As 8 horas por dia.
Eu não tenho nada contra a rádio, não tenho nada contra as pessoas que gostam de ouvir rádio todo o dia, mas só há uma coisa que me faz confusão... como é que aguentam ouvir um grupo de músicas 5 ou 6 vezes ao dia? Eu não gosto muito da repetição, quando estou a ouvir uma música ou um filme que tem partes que me tocam, ouço ou revejo essas partes até conseguir sentir bem o que é suposto eu sentir. Finalizado esse processo, ponho a coisa de parte e apenas mais tarde pego nela, porque senão, para mim, o que há de positivo acaba por se desvanecer com a repetição. Sempre gostei dos programas da manhã pela forma como são apresentados. Pedro Ribeiro é genial e único a apresentar programas de rádio e isso ficou mais que comprovado quando esteve bastante tempo no Rádio Clube Português, num ambiente que exigia um registo diferente àquele que a Rádio Comercial permitia, e conseguiu manter a sua personalidade e fazer ao mesmo tempo um excelente trabalho. Markl dá uma vivacidade às manhãs da Antena 3, que faz com que se tenha sempre mais interesse nas conversas espontâneas que surgem do que propriamente na música que passa. Tirando isto o que sobra? Música repetida. Não aguento mais ouvir a Vanessa da Mata e o Ben Harper, o Jorge Palma, a música irritante do assobio, aquela do suicidal e todas as outras que depois de tanta repetição não saiem da cabeça. Para mim não há pior que isso. Estar na cama a stressar por causa do trabalho e a lutar para conseguir dormir e surge a Vanessa da Mata, sabe-se de lá de onde, a cantar:

"Tudo o que quer me dáaaaaar, é demais..."

No meu estado actual é complicado arranjar pontos que me prendam à sanidade durante grande parte do dia e depois com estas interferências no cérebro, pior se torna. Acho que esta é a técnica que se usava para fazer lavagens cerebrais. Metiam-nos a ouvir as rádios portuguesas durante todo o dia e no final do processo, a vítima até punha ovos se lhe pedissem. O lado positivo, porque há sempre um lado positivo em tudo o que é mau, é que nunca mais tivemos falta de ovos desde que comecei a ouvir rádio 8 horas por dia.