domingo, 11 de outubro de 2015

Radiografia

Passou uma semana desde as eleições e depois de todas as considerações feitas por todos os que votaram, os que não votaram, os que ganharam e os que perderam com que ficámos? Não especificamente o facto de não haver governo eleito pela maior margem de abstenção de sempre. A questão principal, qual é a questão principal que ficou à superfície? Esta: Queixamos-nos, gritamos e revoltamos-nos mas no final, na hora de mudar qualquer coisa, fica tudo na mesma. Por uma questão de apatia, por uma questão de crescente ignorância causada por anos intensos de destruição do sistema de ensino e de programas da TVI. Seja porque for, não interessa, mas esse foi o resultado, a questão maior que surgiu. O que do ponto de vista dos políticos é uma vitória. Afinal esta coisa da democracia tem uma falha grave. Isto de dar a escolha ao povo que se luta para se manter na ignorância é algo bastante perigoso, pelo que é necessário dar a ilusão de escolha entre duas faces da mesma moeda e que a única coisa que muda entre os dois são os interesses que servem. O povo, cansado de ver as coisas sempre na mesma e de sentir que não há alternativa, têm duas alternativas: lutar ou conformar-se. 

E nós conformamos-nos. Está no nosso ADN. Não vale a pena fazer nada, nunca vale a pena fazer nada porque não há nada que possamos que fazer. É um sistema à prova de bala. Temos um sistema viciado que depende da participação de alguém que convém desanimar de forma a que não participando, legitimando, pela ausência e dormência, tudo aquilo que não se conseguiria fazer caso estivessem presentes e acordados. 

Cada vez mais estas eleições servem como radiografia da doença terminal da qual o povo sofre, uma doença provocada não por acaso, mas por interesse. Uma interessa chamada dormência apática.

domingo, 17 de maio de 2015

Açorda Ortográfica

É oficial. O acordo ortográfico é obrigatório. Tal já era previsto. Seria impensável o governo voltar atrás na decisão. Desde o início que acordo sempre se tornou polémico por ser simplesmente incompreensível. De um ponto de vista lógico é válido: a língua portuguesa é a quinta mais falada no mundo, e como há porrada de brasileiros por aí - principalmente no distrito de Lisboa - é a filosofia do "junta-te ao clube dos mais fortes". A questão foi que desde o início, que os teóricos acharam o acordo uma inutilidade, e que de todos os PALOPs, apenas Portugal levava a sério a sua aplicação. Não se trata no entanto SÓ de baixar as calças e de renegar a identidade nacional sem qualquer justificação, querer aplicar soluções ortográficas que pertencem a outras culturas que não a nossa. É também um grande negócio. Em tempos de crise, quanto é que não valeu fazer novas edições de todos os grandes clássicos da literatura? E obrigar a novos livros, a novos programas escolares, a novas formações? É o pão para a boca de muita gente,

Obviamente que isto não interessa falar, afinal, o que é tirar uns c's aqui e ali ou uns p's? O futuro estratégico da nação fala mais alto. É pena é que a estratégia da nação de uns séculos para cá seja apoiada em falta de tomates para manter um rumo, mesmo que isso custe caro a alguns interesses privados ou nações supostamente amigas - amigas enquanto fizermos aquilo que nos dizem para fazer e fomos meninos bem comportados.

Não é de agora, mas para os que tinham esperanças de as coisas se endireitassem... a esses tenho a triste notícia que a partir do momento em o Egipto passa a Egito, é um passinho para que os egípcios sejam egícios. Ou os portugueses apenas parvos.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Semáforos

Qual é a cena com os semáforos a piscar? 

Provavelmente é uma questão técnica que eu não tenho conhecimento ou sequer capacidade intelectual para atingir mas mesmo assim como comum cidadão tenho curiosidade em saber porque é que se gasta dinheiro com semáforos com a luz amarela a piscar, fazendo com que seja instaurada a lei da selva e do salve-se quem puder em locais onde o trânsito é algo complicado. Provavelmente esta é uma coisa local - nem sei de quem será a responsabilidade, das autarquias ou de algum organismo do estado - e não se verifica no resto do país, mas aqui onde estou a viver presentemente, no concelho de Vila Franca, esta questão é uma constante. Seja depois da meia-noite, não sabendo também se os semáforos a piscar faz parte de um ritual de hibernação que acontece durante todas as noites; seja durante dias inteiros seguidos - também podem ir de férias.

Mas o que me intriga e irrita é... será que não era possível desligá-los? Sabemos que o Natal é quando o homem quer, mas os semáforos são uma iluminaçãod e Natal muito desengonçada e desproporcional. Apenas desliguem-lhes o botão, poupa uns cêntimos de luz eléctrica a todos nós - porque tudo neste mundo é pago pelo desgraçado que trabalha e paga os seus impostos. Deixo então aqui a consideração... vamos acabar com os semáforos a piscar e já agora, usar esta desculpa para acabar/desligar tudo o que não tem realmente utilidade neste mundo. Vá, neste país, comecemos pelo nosso país. Coisas como Assembleia da Républica e eleições e tribunais e hospitais e coisas assim. Vamos acabar com todas estas coisas que deveriam funcionar de forma correcta mas que só estão a piscar na luz amarela há muito, muito, demasiado, tempo.