terça-feira, 1 de maio de 2012

"Patrão"

O Pingo Doce faz a campanha das campanhas sem publicidade, apenas recorrendo ao estado psicológico de penúria a que chegaram os portugueses, chegando assim a ter o nome da marca nos telejornais de todas as televisões sem gastar um tostão. 

50 % de desconto para compras acima dos 100 euros, uma táctica desesperada? Talvez. 
Eficaz? Definitivamente.

O que é que isto revela? Que apesar da crise, os portugueses continuam vítimas de um consumismo desenfreado que os faz correr a super ou hiper-mercados, dispostos a entrar e provocar confusões, provavelmente para levar coisas que não precisam, apenas porque metade dessas coisas que não precisam é de borla.

Assim a empresa que antes estava na mó de baixo por fazer aquilo que 17 ou 18 empresas do PSI 20 já tinham feito antes, encontra uma forma de se redimir aos olhos do consumidor que são no fundo o patrão. E é engraçada esta questão do patrão ser o cliente, porque se formos a ver, é um "patrão" muito fácil de manipular. É um "patrão" que vai a correr quando o "empregado" quer que ele corra, que compra o que quer que ele compre. O chamado "patrão" submisso. O que é certo é que o "patrão" não sabe que é realmente o "patrão" e é incapaz de ler nas entrelinhas, por não ter capacidade para tal, por não ter tempo, por estar muito ocupado a sobreviver ou simplesmente por não querer saber.

Há tantas opções, tantos ideais.
Comprar produtos portugueses para apoiar os produtores nacionais, comprar produtos que não façam testes em animais, comprar produtos que não tenham fábricas em países de terceiro mundo onde os trabalhadores são explorados, não comprar fruta espanhola porque além de ser pior que a portuguesa, bem... é espanhola.

É normal que quando surjam campanhas como esta, o "patrão" se descontrole e diga, "que se lixe, vou chular este empregado". É normal porque este é o "patrão" que mal dinheiro tem para sobreviver e quando o tem, opta pelo mais barato. É no entanto também o "patrão" que não dispensa as suas cervejas no café, as suas férias no Brasil ou a roupa de marca. É um "patrão" que ainda não se apercebeu que por mais descontos e promoções que surjam, que os "empregados" vão tentar vender-lhe os produtos que eles não querem comprar. E vão conseguir.

Este patrão é uma vítima de si próprio, da campanha de aumentos nos media, onde está tudo tão caro que se aparece qualquer coisa 10 cêntimos mais barato, a 100 quilómetros de distância, a única coisa a fazer é correr até ao local e comprar imediatamente, sem hesitar. A lavagem cerebral é tão grande e tão forte que este "patrão" é apenas um peão na mão dos seus "empregados".

Dá vontade de despedir este "patrão" mas o mais triste e sobretudo irónico é que a maior parte deles... já está desempregada.

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