domingo, 11 de outubro de 2015

Radiografia

Passou uma semana desde as eleições e depois de todas as considerações feitas por todos os que votaram, os que não votaram, os que ganharam e os que perderam com que ficámos? Não especificamente o facto de não haver governo eleito pela maior margem de abstenção de sempre. A questão principal, qual é a questão principal que ficou à superfície? Esta: Queixamos-nos, gritamos e revoltamos-nos mas no final, na hora de mudar qualquer coisa, fica tudo na mesma. Por uma questão de apatia, por uma questão de crescente ignorância causada por anos intensos de destruição do sistema de ensino e de programas da TVI. Seja porque for, não interessa, mas esse foi o resultado, a questão maior que surgiu. O que do ponto de vista dos políticos é uma vitória. Afinal esta coisa da democracia tem uma falha grave. Isto de dar a escolha ao povo que se luta para se manter na ignorância é algo bastante perigoso, pelo que é necessário dar a ilusão de escolha entre duas faces da mesma moeda e que a única coisa que muda entre os dois são os interesses que servem. O povo, cansado de ver as coisas sempre na mesma e de sentir que não há alternativa, têm duas alternativas: lutar ou conformar-se. 

E nós conformamos-nos. Está no nosso ADN. Não vale a pena fazer nada, nunca vale a pena fazer nada porque não há nada que possamos que fazer. É um sistema à prova de bala. Temos um sistema viciado que depende da participação de alguém que convém desanimar de forma a que não participando, legitimando, pela ausência e dormência, tudo aquilo que não se conseguiria fazer caso estivessem presentes e acordados. 

Cada vez mais estas eleições servem como radiografia da doença terminal da qual o povo sofre, uma doença provocada não por acaso, mas por interesse. Uma interessa chamada dormência apática.

Sem comentários: