É um vício enorme que se tem de falar do exterior de forma crítica. É todo o princípio deste blog, falar de forma irónica e sarcástica de tudo o que se tem à nossa volta. Confesso que é o mais fácil, olhar para fora. Não tem muito que saber. É apenas abrir os olhos. Quer dizer... que disparate.
Como se abrir os olhos fosse algo fácil.
Existe algo ainda mais complicado do que abrir os olhos para ver o que está à nossa volta. Olhar para dentro. O que é que está cá dentro? Não vamos por um lado mais espiritual, de descobrir o verdadeiro Eu, até porque aí pouco há a apontar, porque também não há muito que se conheça. Não sejamos, portanto, ambiciosos e vamos ficar por aquilo que nos é possível atingir.
O Ego. Esse sacana.
O Ego basicamente é aquilo que nos diz para ficarmos zangados com coisas insignificantes e não estou a dizer isto por despeito, é mesmo por conhecimento de causa. Por diversas ocasiões dei por mim zangado com alguém por algo que de repente desaparecia do horizonte e a cada vez que eu, inocente eu, vítima indefesa do Ego, perguntava:
- Mas... mas... porquê?
- Porque sim!
- Mas o que é que esta pessoa me fez?!
- Fez-te, fez-te... coisas! Ninguém te faz coisas e se fica a rir! Têm que sofrer as consequências.
A verdade é que a dor sentida pelo Ego, é ampliada por mil até que chega ao eu. Que se sente ofendido por sentir aquela dor e como resposta, ataca. Só que isso só faz com que sinta mais dor, e vai crescendo, vai crescendo até que se chega a um ponto e o eu pergunta ao Ego:
- Ouve lá, mas porque raio me sinto assim tão mal?
- Porque te fizeram mal!
- Mas eu reagi, eu paguei na mesma moeda. Não devia estar melhor? E outra coisa, que raio me fizeram para eu estar assim tão revoltado?
- Bem... talvez tenha sido...
- Talvez tenha sido? Mas tu não tens a certeza? Estás ofendido com alguém e não sabes porquê?
- Eu... não me lembro...
- TU... NÃO... TE... LEMBRAS?!
- ...pois... desculpa...
Na verdade, muitas vezes magoamos esta ou aquela pessoa por não querermos dar o braço a torcer, ou dar a outra face, porque isso é simplesmente muito cristão, ou porque isso nos faz sentir fracos, mas a verdade é que responder na mesma moeda apenas faz que se sinta o mesmo a dobrar. Admito que o problema possa exclusivo meu, por muito que o meu Ego pense que aquilo que sente é válido para toda a humanidade (por alguma razão é Ego e não ego), admito que as outras pessoas consigam conviver consigo próprios, sentindo ódio ou raiva por outros, que isso não lhes faça diferença, que nem sequer se apercebam do sentimento dentro de si. No entanto... acho que o grande problema de todos (e agora não é o meu Ego a falar) é desconhecermos mesmo o que temos de nós e acharmos que é tudo porque o que está à nossa volta... está à nossa volta.
É o dom fantástico do ser humano, pensar que sabe tudo sobre si, quando na verdade, só depois de admitir que não sabe nada é que pode começar, finalmente, a saber algo.
sábado, 24 de novembro de 2012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Cultura
Com que então... a RTP2 vai com a porca.
Não deixa de ser engraçado, o canal português que mais ênfase dá à cultura, à arte, às modalidades desportivas que não o futebol, à informação/documentários de qualidade, seja o sacrificado.
Engraçado de uma forma deprimentemente irónica.
Basta tentarmos ver um pouco com mais atenção.
Em Portugal, a música não é cultura, não tendo o mesmo valor de imposto IVA que um livro, por exemplo. É certo que é uma questão de tempo até que seja tudo nivelado pelos 30% de IVA que o governo inevitavelmente vai estabelecer num futuro mais próximo.
Em Portugal, não há problema de um primeiro-ministro ser condecorado pelo seu serviço à pátria mesmo que a sua governação tenha levado a pátria (ou pelo menos ajudado) a um buraco mais fundo.
Em Portugal, não há problema de um primeiro-ministro mentir para todo o mundo, afirmando ter visto as armas de destruição maciça no Iraque quando elas não existiam. Nem há problema de recompensar esse visionário com o cargo de presidente da Comissão da Europeia, se bem que o cargo não foi uma recompensa pela visão que teve e sim a razão.
Em Portugal, em vez de fazer reformas administrativas profundas e de acabar com os tachos das fundações e parcerias público-privadas, é escolhida a difícil tarefa de aumentar impostos e de sufocar a economia. Se o governo fosse um médico, decidiria cortar a perna ao paciente por se encontrar gangrenar, em vez de simplesmente tirar o garrote que está a impedir a circulação de sangue.
Em Portugal, criam-se e aprovam-se leis pelas mesmas pessoas que vão beneficiar das mesmas nos seus trabalhos part-time (porque ser deputado é algo tão reles, que é necessário ser também trabalhar noutro lado qualquer para garantir a sobrevivência).
Em Portugal, tudo o que for limitações à corrupção são rapidamente ultrapassadas por vazios legais, indefinições ou conversa jurídica da tanga que faz com que no final do dia, se tiveres um advogado que fale bem conversa jurídica da tanga, estás safo. Quando não se existirem vazios legais, bem, então a têm que se recorrer aos senhores do part-time para alterar as mesmas.
Em Portugal, desde que o raio do D. Sebastião foi levar porrada dos mouros, que uma corja de interesseiros, lesmas, sanguessugas, chupistas, mentecaptos, energúmenos, chico-espertos e anormais se instalou no poder com interesse de favorecer os seus e os próximos à custa de todo um povo. Por isso não é surpresa nenhuma tudo isto. Não é surpresa a educação estar um pântano desde o 25 de Abril (isto não querendo dizer que antes era melhor, talvez mais rigorosa no seu programa mas que educação pode governo fascista dar ao seu povo?), não é surpresa os roubos flagrantes de dinheiros públicos, não é surpresa nenhuma a justiça ser uma anedota, não é surpresa nenhuma a saúde se aproximar cada vez do modelo americano em que tens que ser rico (ou seja, ter um seguro) para teres acesso a ela. Nada disto é surpresa, porque no fundo, o português médio já está habituado a ser sodomizado desde a Idade Média. É por isso é que o povo é sereno, é por isso é que somos um povo de brandos costumes. Porque o buraco do anûs já está tão lasso que a malta não sente nada.
Segundo a ex-estrela do FMI e actual estrela de culinária do governo de Passos Coelho que está agarrado ao tacho do acompanhamento das privatizações idealizadas pelo estado português, a RTP2 não tem audiência nenhuma e por isso não tem razão de existir.
E faz todo o sentido.
Proponho queimar as partituras de Mozart, os quadros do Picasso, os livros do Saramago, Proust, Tólstoi, porque isso faz doer a cabeça das pessoas que os tentam ler, acabem com os museus, acabem com os fados, acabem com a música, acabem com a literatura, porra, acabem com tudo o que obriga o português a pensar porque não interessa ter um povo informado, não interessa ter um povo que pense por si próprio porque nesse caso vão começar a questionar aqueles que o governa. Porque não interessa dar serviço público a essas pessoas, informação, cultura, arte, interessa é encher os olhos com o mesmo lixo que passa nos restantes canais para que eles se mantenham entretidos e com os olhos fechados como uma boa ovelha obediente.
Pegando na mesma imagem do médico... se o nosso governo fosse médico, tratava toxicodependentes com heroína, porque é isso que eles querem. Mas talvez o governo e todos aqueles que detém o poder de uma forma ou outra não sejam médicos. Talvez eles sejam traficantes e nós os clientes.
Até morrermos de overdose de excremento no nosso corpo e sobretudo nas nossas mentes.
terça-feira, 1 de maio de 2012
"Patrão"
O Pingo Doce faz a campanha das campanhas sem publicidade, apenas recorrendo ao estado psicológico de penúria a que chegaram os portugueses, chegando assim a ter o nome da marca nos telejornais de todas as televisões sem gastar um tostão.
50 % de desconto para compras acima dos 100 euros, uma táctica desesperada? Talvez.
Eficaz? Definitivamente.
O que é que isto revela? Que apesar da crise, os portugueses continuam vítimas de um consumismo desenfreado que os faz correr a super ou hiper-mercados, dispostos a entrar e provocar confusões, provavelmente para levar coisas que não precisam, apenas porque metade dessas coisas que não precisam é de borla.
Assim a empresa que antes estava na mó de baixo por fazer aquilo que 17 ou 18 empresas do PSI 20 já tinham feito antes, encontra uma forma de se redimir aos olhos do consumidor que são no fundo o patrão. E é engraçada esta questão do patrão ser o cliente, porque se formos a ver, é um "patrão" muito fácil de manipular. É um "patrão" que vai a correr quando o "empregado" quer que ele corra, que compra o que quer que ele compre. O chamado "patrão" submisso. O que é certo é que o "patrão" não sabe que é realmente o "patrão" e é incapaz de ler nas entrelinhas, por não ter capacidade para tal, por não ter tempo, por estar muito ocupado a sobreviver ou simplesmente por não querer saber.
Há tantas opções, tantos ideais.
Comprar produtos portugueses para apoiar os produtores nacionais, comprar produtos que não façam testes em animais, comprar produtos que não tenham fábricas em países de terceiro mundo onde os trabalhadores são explorados, não comprar fruta espanhola porque além de ser pior que a portuguesa, bem... é espanhola.
É normal que quando surjam campanhas como esta, o "patrão" se descontrole e diga, "que se lixe, vou chular este empregado". É normal porque este é o "patrão" que mal dinheiro tem para sobreviver e quando o tem, opta pelo mais barato. É no entanto também o "patrão" que não dispensa as suas cervejas no café, as suas férias no Brasil ou a roupa de marca. É um "patrão" que ainda não se apercebeu que por mais descontos e promoções que surjam, que os "empregados" vão tentar vender-lhe os produtos que eles não querem comprar. E vão conseguir.
Este patrão é uma vítima de si próprio, da campanha de aumentos nos media, onde está tudo tão caro que se aparece qualquer coisa 10 cêntimos mais barato, a 100 quilómetros de distância, a única coisa a fazer é correr até ao local e comprar imediatamente, sem hesitar. A lavagem cerebral é tão grande e tão forte que este "patrão" é apenas um peão na mão dos seus "empregados".
Dá vontade de despedir este "patrão" mas o mais triste e sobretudo irónico é que a maior parte deles... já está desempregada.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Reflexão Mais ou Menos Profunda Sobre O Dia de S. Valentim
Este dia pode ser comparado à época natalícia. Com forte teor de consumismo capitalista, este dia serve para nos lembrar daquilo que deveria existir durante todo o ano. Se em relação ao Natal se trata de amar o próximo e de termos um pouco de compaixão pelas pessoas em geral. Há o efeito perverso que este tipo de dias tem, mas é engraçada a forma como funciona ao contrário do Natal. Durante o ano, quase todas as pessoas desfavorecidas anseiam pelo Natal porque será provavelmente a única altura do ano em que podem comer algo quente. Na questão do dia dos namorados, todos aquele que não têm par desejavam que não houvesse um dia que os lembrasse de que não têm como escoar todo o seu amor – se bem que em muitos casos é mesmo o problema de escoar outra coisa.
Eu confesso, e vou ser brutalmente honesto quanto a este assunto, que também eu caí na tentação de tentar arranjar namorada apenas para poder exibir com um ar triunfante um sorriso sincero enquanto digo coisas como:
“Hoje fui jantar mais a minha namorada.”
“Ontem saí mais cedo para comprar uma prenda para a minha namorada”
Que diabos, eu nem me importava de dizer coisas como:
“Porra! Esqueci-me de comprar uma prenda para a minha namorada.”
E sempre foi um pouco neste sentimento que vivi o dia dos namorados. E por incrível, ainda não consegui passar esta data com uma namorada. Isto é, estar mesmo com ela. O que ainda faz com que se pareça com uma anedota cósmica. Mesmo quando podia estar com o meu par, o universo diz-me, não, não será desta. Vê se aprecias a ironia da situação. E realmente comecei a apreciar bem a ironia da situação, de tal forma que também pondero arranjar uma namorada só para acabar com ela no dia seguinte ao dia dos namorados. Deitar a língua de fora ao destino só para que ele saiba com quem se está a meter.
…
Ok, isso seria idiota, mas também como é que se espera que um gajo (ou gaja) se sinta depois de andar um ano inteiro a tentar encontrar uma namorada apenas por causa de um dia. Um dia em que não se sinta socialmente diminuído perante os seus pares (ou impares) e que diga:
“SIM, EU TENHO NAMORADA E NÃO LHE VOU OFERECER NADA PORQUE NÃO CEDO ÀS VOSSAS TÁCTICAS IMPERIALISTAS E CAPITALISTAS!”
Porque uma coisa é certa… quer se tenha namorada ou não, a pergunta que qualquer pessoa ouve no dia dos namorados é:
“Então o que vais oferecer à/ao tua/teu namorada/namorado?”
O que dá vontade de responder…
“Uma botija de oxigénio porque a enterrei viva. Mas não lhe digas nada, não quero estragar a surpresa.”
Mas não, isto é apenas um desabafo. Um faz-de-conta daquilo que gostaria que acontecesse. Porque o que acontece realmente é…
“Então o que é que vais oferecer à tua namorada?”
“Nada.”
“Oh, coitada. Não lhe dás nada…”
E nesta altura penso para mim mesmo na resposta que quero dar. Que não lhe dou nada porque não tenho namorada, porque no fundo, apesar da pessoa espectacular que sou e apesar do meu interior belo e apaixonante, que o mesmo está reservado e que é difícil chegarem a ele. Que provavelmente não é culpa do universo, do destino, ou até mesmo da minha pessoa ou de todas as outras pessoas, da sociedade em que me insiro. Que provavelmente não tenho porque simplesmente não tenho. Sem nenhum sentido nisso, apenas porque não aconteceu e que por isso, mais vale nem sequer pensar nisso e tentar ignorar este dia e fingir todas as coisas fofinhas à volta dele. E que nem vale a pena perguntar ou fazer comentários porque isso só me faz lembrar de algo que passo o resto do ano a ouvir.
O que eu acabo por dizer mesmo é…
“Pois é.”
Se eu acho que a hipocrisia do Natal é difícil de aguentar, a estupidez do dia dos namorados é quase impossível porque não interessa se tu és feliz, não interessa se fazes alguém feliz. Interessa apenas que tenhas alguém. Que compres uma casa, um carro, e 1,4 filhos. Que possas mostrar a todos que és alguém digno/a de encaixar na sociedade. E o principal passa ao lado.
Estares com alguém que te ama. Estares com alguém que amas.
Não é isso o mais importante?
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Trabalho de Amigo
No passado sábado fui a um lançamento de um livro por parte de uma editora, sem saber que, simultaneamente, era também a comemoração do primeiro aniversário da editora. A sala estava composta e até tiveram que se ir buscar mais cadeiras para que todos pudessem estar presentes sentados no auditório, acabando por ficar algumas pessoas em pé na entrada. A coisa prometia. Na verdade, não prometia grande coisa porque também não haviam grandes expectativas. Estava presente apenas para dar apoio a uma querida amiga, que também participou no livro – que é uma compilação de textos de pessoas sobre um tema especifico, divididos entre três vertentes, prosa, poesia e a participações de crianças. Até aqui tudo bem.
Quando é que as coisas começam a ficar estranhas?
Quando eu reparo que a minha amiga tem que comprar uma cópia do livro, apesar de ter participado nele. Ok, é um bocado estranho, mas dada a conjectura actual, minimamente compreensível.
10 euros? Um pouco puxado mas... pode ser que... livro com cerca de 80 páginas? Capa manhosamente amadora? Ok, mais uma vez. Crise. Poupar no papel, poupar no profissionalismo da apresentação gráfica do livro. Pelos vistos, a crise é tão bera que até chegou à qualidade de alguns dos textos. A sério. Faz parecer aquilo que escrevo tratados filosóficos. E eu escrevo muita merda marada. Mesmo... marada!
Bem, continuando. O que já não foi tão compreensível foi o que se seguiu, uma apresentação de cerca de quinze minutos com fotos de todos os lançamentos, com a música a ouvir-se ao fundo, lá muito ao fundo. Uma apresentação em Powerpoint. A uma certa altura, as fotos aceleram de tal forma que parece que se está andar num carrossel duma feira qualquer e a tentar tirar fotografias para o exterior – ok, é um exagero, mas é apenas para se ter ideia do que estou a falar. Provavelmente o autor da apresentação, viu que ainda faltavam muitas fotos e que era material para durar horas, senão dias, então teve que condensar tudo em pouco mais de quinze minutos. Gostei da mensagem final em que dizia algo parecido com “muitas mais fotos ficaram por mostrar” – O mal das máquinas digitais é que não limites de fotos por causa dos rolos.
Bem, pouco refeitos deste choque, chega o interlúdio (o primeiro), que ia separar o assinalar do primeiro aniversário, com o lançamento do livro propriamente dito. Vemos uma pequena rapariga com um microfone na mão, sendo anunciada como… eu nem sei como é que ela foi anunciada, tal não foi o choque! Lembro-me vagamente de pensar que ela ia recitar qualquer coisa do livro. Quando começa a rodar a pista instrumental “Trocas e Baldrocas” e a rapariga começa a cantar, eu só me recordo de pensar… “Ok, é oficial, estou noutra dimensão!”
Confesso que nesta altura só pedia para sair daquele momento, mas depois também um medo me invadiu:
"E... se eu não conseguir voltar? E se eu não conseguir encontrar o caminho de volta para a minha dimensão?
AAAaaaaaaaaaaah!"
Depois dessa primeira música... houve... uma segunda música! E quase não sobrevivi! Atenção, não ponho em causa a prestação da criança. Ela esteve lindamente, tal como esteve qualquer criança de 8 a 10 anos. Aliás, melhor, porque se eu tivesse a idade dela, nem morto me apanhavam frente a uma plateia cheia a cantar um embaraçoso Karaoke.
Finalmente, depois da cantoria, passámos então à segunda parte propriamente dita, onde foi feita a apresentação/lançamento do livro, com direito à história de como surgiu, e à leitura de alguns dos textos, com especial ênfase ao das crianças que... não quero lançar polémicas, mas... penso que eram todos filhos dos responsáveis pela editora e/ou colaboradores da mesma. E conforme eles foram lendo os textos... eu fui sabendo os nomes e apelidos, reconhecendo-os algures, algo começou a cheirar muito mal no reino da Dinamarca. E o pessoal está bem longe de lá! Ao que parece, ainda ia haver uma pausa para buffet para depois voltarem para mais, só que temendo o que podia aparecer por lá, tive mesmo que tentar sair sem olhar para trás. Tentei, mas não consegui. O meu organismo é muito suscéptivel a pequenas alterações. Deitar-me mais tarde, enervar-me, estar entusiasmo ou passar para outra dimensão, são coisas que normalmente o alteram. Como tal, a fome era tão negra que eu só parei depois de ter roubado uma chamuça a uma criança (não, não era a criança que teve a cantar) e de ter olhado para mim mesmo no reflexo de um espelho por perto, e ter gritado com revolta:
"No que é que tu te tornaste?! Num MONSTRO!!"
E corri a chorar e nunca mais ninguém me viu. Nem me viram, nem me pararam. Isto aconteceu no Sábado e eu só parei de correr hoje ao almoço. Estou a enviar esta posta de Badajoz. Julguei que aqui estava seguro.
Nota explicativa:
Não quero com isto desprestigiar o trabalho de uma editora e de todos os seus profissionais. Um ano, talvez um sonho realizado, mesmo nesta altura difícil. Ou sobretudo, nesta altura. É difícil cumprir sonhos e quando eles se realizam... É como o trabalho de um amigo nosso, que nos dá. Aquele feito/pago com o seu sangue, suor e lágrimas e do qual guardamos com grande carinho. Aquele que não interessa a quem não nos conhece.
Supostamente, a editora deveria ser mais orientada para o público e menos para os amigos. Mas, também há espaço para eles, neste mundo cão que é o mundo editorial. E não, a minha opinião não melhorou em relação a este mundo com esta experiência.
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