É curioso como os mais altos cargos governativos estão isentos de responsabilidades. Quem diz cargos governativos diz tudo o que tenha a ver com gerir o dinheiro dos outros. E não me quero referir a corrupção. Não é que ela não exista, porque esse já é um ponto assente. Aquele em que todos falam, algumas vezes com razão, outras nem por isso. A questão é que a corrupção já se tornou uma desculpa para nos acomodarmos.
"Não vale a pena votar, são todos uns corruptos! Está tudo minado de corrupção!"
Não tenhamos dúvidas, onde existe poder, seja ele qualquer for, há sempre a tentação desse poder se corromper, seja pela pessoa que o tem, seja por pessoas que o querem usar, seja por ambos. Esta é uma questão recorrente, que dificilmente deixará de existir pelo menos na democracia ocidental - uma democracia que o é apenas no papel.
Vamos deixar a corrupção de lado e vamos falar de outra coisa mais sinistra: Incompetência.
É fácil confundir as duas, porque por vezes é-nos difícil acreditar que alguém seja tão incompetente para prejudicar tanto o país/empresa, que só pode ser corrupto e estar a meter ao bolso.
Não deveria ser a incompetência um crime? Ou pelo menos pagar multas? De certeza de que ajudaria em muito os cofres do estado em momentos como o actual . Se um ministro das Finanças repetidamente falha as suas previsões em relação aos objectivos atingidos, não será este ministro tão perigoso como aquele que desvia dinheiro ou é corrompido para prestar favores? É que em caso de corrupção ainda há alguém que se beneficiado. Em caso de incompetência, nem o próprio se favorece - embora, tenha que admitir, que há sempre alguém que consegue aproveitar dessas incompetências.
Erros de previsão, despesismo, contratos malucos que não trazem benefício ao país. Será que isto não dá direito a despedimento com justa causa? Incapacidade para ver que eliminar a classe média não vai aumentar as receitas do estado em termos de impostos (antes pelo contrário), incapacidade de cortar a sério onde há despesismo, não serão estas boas razões para que se chegar à conclusão de que este gestor do nosso dinheiro é inadequado?
Vamos imaginar que Portugal é uma família, e que o chefe de família do país é uma fusão de duas pessoas, o primeiro ministro, que não sabe muito bem o que fazer, e o ministro das finanças que vive no seu mundo, afastado da realidade. Ora se numa família chegasse à conclusão que se gasta mais do que o dinheiro que entra, será que não era melhor vender um dos três carros, deixar de dormir um dia por semana num hotel de luxo, cortar TV Cabo, as refeições fora de casa, apenas para citar alguns exemplos? Isto seria o lógico, mas o que acontece realmente é que em vez de cortar com tudo o que é supérfluo, os gastos mantém-se, apenas se procura outras fontes de rendimento.
Eu não percebo muito de matemática, mas acho que não é complicado, não é muito dramático. Se fosse um problema da escola e eu não o conseguisse resolver, tinha negativa. Se fosse numa empresa, seria despedido com justa causa. Se fosse na minha situação familiar, os credores viriam ter comigo. Então qual a dificuldade de cortar com a despesa? Será que os nosso governantes não conseguem resolver um problema simples como este, ou será que pediram todos equivalência e por isso, será normal a sua incompetência.
Ora não deveria este pessoal pelo menos pagar parte da dívida do seu bolso? Os actuais e os anteriores. Os prejudicados são sempre os mesmos, quem não pode fugir, quem trabalha, quem cumpre, quem não falha - e quando falha, cai-lhe o mundo em cima. Não deveriam as finanças ir ter com o Sócrates, com o Santana Lopes, com o Paulo Portas, com o Durão Barroso, como o Guterres, com o Cavaco e exigir-lhes algo pelos maus serviços prestados à nação? Exigir algo mais do que serem condecorados? Porquê premiar a incompetência? Será perder as eleições castigo suficiente? E o país que ficou perdido? Fica-se contente por, apesar do país estar destruído, pelo menos mudou-se de Governo por alguém igualmente incompetente?
É esse o problema, já se tornou normal sermos governados por incompetentes, de tal forma que não estranhamos, de tal forma que não nos importamos, de tal forma que nem queremos saber. Aceitamos com um encolher de ombros que diz "o que é que eu posso fazer" mas que nem se dá ao trabalho de ir votar, de ir-se manifestar. Não será também essa uma forma de incompetência? Não seremos também nós incompetentes? Aos olhos do governo, somos todos, sem dúvida, ora porque não apreciamos o esforço que os nossos governantes estão a fazer, ora porque não temos mais dinheiro que possamos passar para as mãos do estado.
Diz-se que numa democracia, o país é de todos, e até pode ser mas na verdade, na verdade... apesar do país ser nosso, continua a ser gerido por mãos incompetentes, cuja sua única competência é servir-se bem durante quatro ou mais anos. É algo que pode exigir algum talento mas não creio que seja talento para ser recompensado.
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