quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Concorrência

Ele há coisas que me partem a cabeça toda. Não há muito tempo, o governo liberalizou o preço dos combustíveis, ou seja, para não levar com a impopularidade por causa do preço do combustível e dos seus aumentos, passou essa pasta para as próprias petrolíferas. Esta é a visão ingénua da coisa porque na verdade devem ter havido muitas contrapartidas para isso tenha acontecido. Para isso e para que a implantação de sistemas energéticos não poluentes seja tão difícil e dispendiosa por parte do comum mortal porque não interessa que o comum mortal tenha acesso a fontes de energia baratas porque isso, obviamente, não dá dinheiro.

É uma outra história mas é só para mostrar que acaba por ir dar tudo ao mesmo sítio.

Ora, uma das razões dadas na altura era que com a liberalização dos combustíveis, a concorrência iria fazer com que os preços viessem para baixo. O que é que aconteceu realmente? O que seria de esperar... todos aumentaram os preços. Lógico, parece-me a mim.
O Português, como é um gajo pacato e que não se está para se chatear, pelo menos até que alguém com interesses lhe encha os ouvidos, deixou andar. Até que foram precisos alguns anos para que a Autoridade para a Concorrência se desse conta deste facto e decidiu acabar com esta pouca vergonha.

Quer dizer... deu ferramentas para que a concorrência fosse mais perceptível aos olhos do cidadão comum. Então, de uns tempos para cá, foram instalados placards nas auto-estradas com a indicação do preçário dos combustíveis das três próximas estações de serviço. Das viagens recentes que fiz para o norte encontrei duas diferenças de preço! Duas! E as diferenças eram para cima!
Valeu bem a pena colocar aqueles placards para fazer de conta que não há cartel do preço dos combustíveis. Não sei porquê, sempre que os vejo, lembro-me exactamente disso, que deste cartel ninguém se livra.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Os Pequenos e os grandes

Vou-vos colocar uma situação real. Numa estação da CP há três parques de estacionamento. Um de um lado da estação, cujo acesso é mais demorado, já que tem que se passar por uma ponte para se chegar ao outro lado do caminho de ferro. Obviamente esta é a solução menos usada, embora seja, curiosamente, o parque com maior capacidade de carros. Do outro lado, de acesso mais fácil, temos os dois restantes parques, um destinado a autocarros e outro para mais uns carros e para táxis. Pormenores importantes, a estação é nova (cerca de três anos) e apesar de ser numa cidade e de ser uma estação grande, é numa zona quase deserta. No inicío, o estacionamento era feito em ambas as partes, na parte dos autocarros como na outra. Depois de algum tempo de estacionamento selvagem, a GNR local começou com a avisar as pessoas que começavam a apanhar o comboio logo de madrugada que na área dos autocarros não era possível estacionar. Este período de sensibilização durou aproximadamente uma a duas semanas. Começaram então a bloquear os carros que estavam em cima dos passeios, junto às entradas da estação e a todos aqueles que ainda punham do lado destinado aos autocarros. E a partir daí, bloqueiam todos os carros nos passeios e nos lugares dos deficientes (que não sejam deficientes obviamente) tendo o bom senso de não multar os carros que estão estacionados no lugar dos táxis, já que nunca esteve lá um táxi sequer estacionado à espera de clientes.

Esta é a situação.

Não, não vou criticar as forças de autoridade. Vou mais além.

Depois desta situação, há mais um acrescento. Vários meses de carros bloqueados, deparo-me com uma situação no minímo insólita. No parque estacionamento que não dos autocarros está estacionado um... autocarro.

Esta situação é perfeita para mostrar uma metáfora, melhor que qualquer uma que pudesse criar para ilustrar o ponto que quero mostrar.
Portugal funciona desta maneira. Se és grande, tens as forças de tudo o que há a jogar a teu favor. Se és pequeno e estás no sítio errado à hora errada, estás fodido. Porque os bloqueadores de carros da polícia são perfeitos para o teu carrinho.

Mas se tens um autocarro...