domingo, 6 de novembro de 2011

Pensamento Positivo

É difícil pensar positivo. Ligamos a televisão e lá vem mais um ministro a anunciar cortes em benefícios sociais e aumento de impostos. Especialistas a dizer que 2012 será bem pior. Que a recuperação não será possível tão cedo. Crimes violentos por ninharias, assaltos, tiroteios, assassinatos. 

Eu tento pensar positivo, a sério que tento, mas a cada vez que ligo o rádio, não basta a música de merda que passa ciclicamente durante todo o dia, também as notícias passam ciclicamente. Como um mantra. Um mantra que nos mantem adormecidos com o pensamento sintonizado no negativismo.

Eu diria que é impossível pensar positivo. Hoje em dia, nos tempos em que vivemos. Fomos criados em abundância, foi-nos prometido o mundo, mas o mundo não era deles para prometer e nós comprámos com as nossas vidas essa ilusória promessa. A crise é uma oportunidade para nos encontrarmos, para deixarmos de fora aquilo que não precisamos, os valores que não precisamos. Mas é difícil pensar assim, isso é demsasiado positivo e a nossa mente continua sintonizada no negativo. Aliás, eu diria que eles nos fizeram esquecer o que é o positivo ou negativo. 

É negativo não podermos continuar a comprar coisas que não precisamos? 
É negativo ver que não interessa em quem se vote, não interessa em quem se ganhe, que as coisas seguem o rumo que alguém determinou que deveriam seguir? 
É negativo ter a noção que o ser humano comum, além de ser insignificante perante a grandeza imensurável do cosmos, é também ele insignificante perante os olhos dos que detém o poder económico e que manipulam todos os aspectos que têm influência na sua vida?

Se calhar não é fácil conviver com o negativo. Se calhar é preferível a ilusão da positividade inexistente do que a realidade negativa. Eles contam com isso. Contam com os limites que todos nós, os seres humanos comuns, temos. Passar a vida a trabalhar, sermos escravos de um trabalho que não nos diz nada e nos intervalos fazermos aquilo que gostamos, sendo que temos que roubar tempo às horas de sono para o fazermos.

É difícil pensar positivo. Porra, é difícil ter apenas um pensamento positivo que seja, porque já não sabemos o que é positivo ou negativo. Hoje em dia, o positivo entra em confronto directo com a liberdade dos outros. Queremos ser felizes a todo o custo, queremos comodidade. Melhor, maior, agora. Não interessa a pessoa a nosso lado, não falamos com ela de qualquer forma. Não interessa o mundo que destruímos, também iremos morrer cedo de qualquer forma.

A necessidade é a mãe da invenção, diz a sabedoria popular. Nós necessitamos de nos libertarmos das amarras que foram colocadas nas nossas camas quando nos puseram para dormir, precisamos de acordar do sono em que nos colocaram. Precisamos de questionar o porquê de as notícias nos controlarem, das rádios, da televisão. De tudo aquilo que nos dizem que precisamos e que no fundo só nos aprisiona e prende ainda mais. Necessitamos de nos reinventar, de ver o que somos, de nos aproximarmos das pessoas, de nos aproximarmos de todos aqueles que nos rodeiam e não estou a falar de familía apenas, mas de todos. Precisamos de nos unir, de nos encontrar a nós próprios. Pensar positivo não é fechar os olhos e fazer de conta que vai ficar tudo bem, que o governo, o FMI, a União Europeia, o Durão Barroso, o Obama, vão resolver todos os problemas que temos. Pensar positivo é ver quem nos manipula, quem nos tenta limitar através do poder económico, quem tenta possuir a nossa alma. Nós continuamos a ter valor, continuamos a ser mais que um mero número estatístico, apenas precisamos de desligar a televisão, desligar o rádio, desligar tudo aquilo que nos controla e viver.

Apenas viver. Da melhor forma que conseguirmos. E se não for com todo o conforto que achamos que merecemos, será com um pouco menos. Se não for com tantas pessoas que desejaríamos, será connosco próprios. De olhos abertos, sem amarras. E agir, viver, trabalhar. Não para os outros, mas para nós próprios, para o nosso futuro. Porque ninguém o constroi por nós. Isso é o que nos querem fazer crer. Que não somos capaz de o fazer sozinhos, que precisamos de um carro, casa, telemóvel, computador, televisão, rádio para estarmos integrados na sociedade. Que precisamos de outros que nos digam o que ouvir, o que ver, o que gostar, o que comer, o que pensar.

O pensamento positivo não está naquilo que vemos, está dentro de nós. E é difícil pensar positivo porque não fomos programados para isso pelos poderes vigentes. Porque não é suposto. Apenas temos que tomar controlo nas nossas mãos e fazê-lo. Por nós.


domingo, 24 de julho de 2011

O Mundo Em Que Vivemos

Já repararam?

Crise económica, convulsões sociais, revoltas. É inegável que o mundo em que vivemos está em profunda transformação. Não só a sociedade mas como também o mundo físico. Tempestades, cheias no Verão, seca no Inverno. É o tempo propício para as profecias, para o 2012, para as novas eras, para a crença generalizada que isto tudo vai-se danar e voltamo-nos para o Apocalipse, as Revelações, para os Maias, para os Evangélicos, para a Segunda Vinda, para Nostrodamus, ou os muitos nossos Bandarra e Agostinho da Silva, para todos aqueles que milhares, centenas ou dezenas de anos atrás previram que a evolução do ser humano iriam descambar, inevitavelmente, na sua destruição. Apesar de todos os avisos, de todas as descrições horrendas do fim dos dias, caminhamos orgulhosamente para esse fim. Não estou a dizer que deveríamos atirar-nos para o chão e arrepender-nos dos nossos pecados até porque se o todos o fizessemos, mais de metade o iria fazer apenas para tentar salvar a pele. Colhemos o que semeamos. Como pessoas, como raça humana. E agora é tarde demais para voltar atrás, já não há como. Apenas temos espaço para prosseguir um caminho em frente, diferente, daquele que os nossos governantes nos indicam, o caminho do sacrifício por uma economia de recursos falida, com a ilusao que daqui a uns anos estará tudo bem, quando os recursos na qual se baseiam estão no limite da extinção.

Esta conversa toda para quê?

A mudança virá, sem dúvida, talvez ela fosse inevitável pela nossa própria forma de agir/ser, ou talvez fosse apenas um ciclo que as nossas acções fizeram com que fosse antecipado. Uma coisa é certa, este modelo social/económico não resulta e está a dar as últimas porque este quadro já não tem mais espaço para ser escrito e provavelmente ou inevitavelmente, vai ter de ser apagado para se começar a escrever algo novo, com a esperança de não cometer os mesmos erros do passado. O problema é que o mundo em que vivemos não tem a memória curta, agora a espécie dominante que habita nele...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ahhh Sócrates. Votar em ti, ou não votar em ti...eis a questão.

Acabaram de me convidar no Facebook para um grupo chamado “POR FAVOR NÃO VOTEM NO SÓCRATES”.

Bem a minha relação com o senhor primeiro ministro não é seguramente muito amistosa. O governo PS foi mau, ele foi mau em muita coisa, foi arrogante, mentiroso, e existe possibilidade de estar envolvido em actos criminosos.
Apesar disso recusei imediatamente entrar no grupo. Porque? Numa palavra acho uma ideia imbecil.

Sócrates tem TUDO para ter toda a gente contra ele. Mesmo tudo, tem tudo para que eu o odeie. Mas não sou capaz, porquê?

A oposição, em particular o PSD é de uma cretinice, as ideias são idiotas, os protagonistas não lhes ficam atrás.

Contratos verbais, aumento do IVA, que depois já não é aumento é passar produtos de um escalão para o outro, é perder na reforma quando se faz a malandragem de estar desempregado.

O senhor Miguel Relvas que diz que votar noutros partidos é “desperdiçar o voto”, parece um caniche a vir rosnar sempre que o Primeiro Ministro fala, e parece que fica excitado cada vez que diz que o primeiro ministro fala com luvas de boxe calçadas. Agora usam outra “terrorismo político”.

Podia falar aqui de tanta coisa imbecil que estes senhores fizeram, mas o mais ridículo de tudo é que por muito mau que o Sócrates seja, estes tipos são tão piores que de repente até o Sócrates não parece assim tão mau.

É como ter uma grande dor de barriga, é mau e uma pessoa só quer aliviar os intestinos. No entanto quando comparado uma tortura oriental a coisa nem parece tão chata.

Isto já para não falar que desde que me lembro como gente sempre se falou em problemas com divida, défice etc. etc. …e eu não tenho 6 anos. Têm a lata de dizer que a culpa é só dele?

Eu provavelmente não vou votar no Sócrates, mas o que me tira do sério em relação a grupos como este é que provavelmente muita daquela gente está com uma ânsia tão grande de se livrar dele que muito certamente se vão meter numa situação pior.
Isso e a vontade de ser do contra talvez, ou então o facto de não apreciar que me digam em quem devo ou não votar.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Concurso

Não sei porquê mas estas presidenciais parece-me que é disputada por crianças do sexo masculino não muito seguras da sua masculinidade e que têm que fazer concursos para ver de todos quem tem a pila maior. A sério. Não há a porra de uma ideia transmitida que não seja acusar de falta de integridade de um candidato, sugestão de corrupção de outro, dizer que A é mais patriótico que B porque foi espancado pela PIDE, dizer que B é fascista porque teve uma nota de bom comportamento por parte da PIDE. E depois quando se fala de outra coisa além de atacar os outros candidatos, vem a demagogia toda.

"Eu vou fazer os possíveis e os impossíveis para lutar contra a pobreza."

"Eu vou estar do lado dos mais fracos."

Eu pensava que isto era umas eleições presidenciais mas afinal são eleições messiânicas. Querem eleger o próximo Cristo pela calada. As frases acima querem dizer nas entrelinhas que afinal:

"Eu vou amar-vos e ensinar-vos as virtudes da pobreza."

"A compaixão é a mais poderosa arma."

Eu sugeria em vez de votos, que eles fossem eleitos por provas. Do género... quem conseguisse curar uma colónia de leprosos, seria eleito Cristo da República Portuguesa. E se ficasse com lepra... era só esperar pelos próximos candidatos. 
Hum... se calhar ia haver um boom de leprosos em Portugal. Se calharm, o melhor é fazer mesmo um concurso para ver quem tem a pila maior. Se eles se calassem por um bocado, até acho que valia a pena. Faziam uma tour por todas as juntas de freguesia para que os presidentes de mesas de voto pudessem comprovar quem tinha a pila maior, sem qualquer estímulo, atenção. Depois de se dar a média final, estava assim decidido. Acho que era mais justo, já que também ninguém deve de ir votar de qualquer forma.