Há muita coisa mal neste mundo, muitas pessoas a fazerem coisas parvas, muitos espertalhões a aproveitarem-se dos mais fracos, dos mais desfavorecidos ou simplesmente dos mais distraídos. Resumindo, muito sumo para centenas de postas neste blog, mas mesmo assim, quando chega a hora de escrever, não surge nada.
Branco.
Vazio.
E não se trata de bloqueio de escritor. Não desta forma. Isto é diferente. É como se tivesse chegado a um ponto em que não houvesse nada cá dentro para deitar cá para fora, nem mesmo sobre as maiores injustiças. Dormência. Confortável dormência. Seria caso para pedir ao mundo para parar de rodar apenas por uns momentos, só até se conseguir recuperar algo que não se sabe bem o quê - seria tão fácil procurar por aquilo que se perdeu se apenas se soubesse o que era.
São estes momentos de procura por algo interior que se volta, por momentos, para o exterior. Olhando um pouco cá para fora e para todas essas pessoas que referi antes, os espertalhões, os idiotas, os cínicos, os falsos, é impossível não questionar se estas mesmas personagens não se sentirão também elas vazias. Por exemplo, a classe política, muitas vezes aqui abordada e em grande parte conivente com o poder económico e esmagada à sua vontade, esmagando todo um povo, obrigando-o procurar pela sobrevivência num outro lado qualquer. Será que estes mesmos seres terão momentos em que se sentem vazios? Será que eles tem estes momentos de vazio? Mas a diferença seria... o vazio que tenho é sobre eles... será que eles sentem vazios sobre eles próprios? Ou será que a importância que os cargos para os quais foram eleitos ou apontados é de alguma forma uma prevenção para este vazio?
Perante o vazio será que dizem "recebo este dinheiro todo ao final do mês, tenho coisas até perder de vista, as pessoas respeitam-me, por isso... este vazio deve ser fome, vou jantar outra vez"? Se sim, talvez seja essa a razão do político/gestor/aldrabão ser um bicho que engorda com o tempo. Sempre a comer a ver se consegue tapar o vazio. Provavelmente comem tanto que têm que vomitar para comer outra vez, porque o raio do vazio não desaparece.
Divago. Os políticos/gestores/ladrões não sentem vazio porque isso seria partir do princípio de que eles olhariam interiormente ou que pelo menos estavam em contacto com aquilo que remotamente se parecesse com uma consciência. Se isso acontecesse, provavelmente suicidavam-se ou mudavam de profissão, já que as duas são inconjugáveis.
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