Quantas vezes não se é vítima do consumismo exacerbado, da massificação do incentivo ao consumo? Até o iluminado do nosso primeiro-ministro se queixou no inicio do seu segundo ano de governo que o défice do orçamento de estado se devia aos portugueses não terem consumido tanto - isto depois de os acusar de viverem acima das suas posses.
O dinheiro desaparece sem deixar rasto, contas, comida, bebida, coisas para nos fazer sentir melhor, coisas supérfluas, coisas para comprar amor, carinho, coisas, coisas. São apenas coisas, não interessam, são apenas coisas, apenas para ter um fim em vista. O objectivo de preencher o vazio com alguma coisa, com alguma pessoa. Troca por trocar. Apenas é preciso dinheiro. É engraçado, o dinheiro é aquilo que compra tudo, menos aquilo que precisamos. A saúde que advém de uma paz de espírito, o amor verdadeiro, aquele que é tanto sentido, seja qual for a posição social ou o tamanho da conta bancária. Sem preço.
Mesmo assim, estamos numa sociedade que insiste em meter preço em tudo e que acaba por depender daqueles que se afundam nela para construir os seus alicerces. Aqueles que crédito após crédito, na tentativa de tapar um buraco abrem um outro maior, acabam por cair num círculo vicioso. Vampirizados, são vítimas da sua própria inconsciência ou ingenuidade. Querer e não ter, todas as coisas, coisas e apenas coisas, acabam por perder aquilo que tinham e ficar sem aquilo que queriam ter. Acabam por perder aquilo que não se consegue comprar em troca de coisas que não conseguiram pagar.
Vale mesmo a pena?
Talvez o princípio da sociedade moderna seja de escravizar sem correntes. A parte irónica é que são os escravos que se oferecem a essa condição.
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