segunda-feira, 5 de novembro de 2007

TV, a maior invençao do Direito em Portugal

Primeira vez que aqui escrevo, ao fim de tanto tempo como membro ainda não o tinha feito não por falta de matéria prima (porque neste pais muita coisa me irrita) mas por andar feito calão.

Ora não sei se viram uma certa historia no telejornal mas eu conto-a aqui. Uma senhora que devido a doença degenerativa não pode andar e está totalmente dependente de terceiros mesmo para as coisas mais básicas (isto comprovado por médicos) recebeu uma carta para se apresentar ao serviço de novo tudo porque a junta medica achou que nem isso era suficiente para lhe dar a reforma por ela ser muito nova. Ora eu, tal como a maior parte das pessoas, fiquei indignado de tanta que é a piquinhice neste pais no que toca aos fracos e oprimidos (passo a citação do genérico inicial de “o Justiceiro”). Acontece que estes casos não são tão raros como se gostaria e já não é o primeiro que oiço, depois da professora sem parte da língua que tem de dar aulas continuamos todos a descobrir que existem sempre historias que roçam ainda mais o ridículo, qualquer dia temos tetraplégicos ex-mimos que têm de continuar a trabalhar.

Claro que o caso muda de figura se formos deputados, ou gerirmos a caixa geral de depósitos, ai ao fim de poucos anos temos uma reforma milionária. Ora isto dá que pensar, suponho que assim podemos considerar que os deputados ao fim de uns anitos daquilo ficam mais incapacitados do que estes casos que referi. Até estou a imaginar a junta medica:

-hummm não consegue andar? Mostre la isso.

-ah senhor doutor tenho aqui estes exames

-nah nah ponha-se em pé

Puff mulher no chão

-deixe-se de fazer fita ai ai. Vai mas é trabalhar que eu tenho hemorroidas e tambem aqui ando.

Claro que chega o deputado:

-entao senhor doutor quanto tempo teve no parlamento

-8 anos

-ai coitado, e diz aqui que era do CDS?

Entram logo os enfermeiros e levam o senhor de cadeira de rodas, cretinisse aguda é algo grave.

Mas o mais triste é que o ridículo não acaba aqui. Hoje o ministro das finanças veio a dizer que viu a reportagem (depois de sabermos que via o gato fedorento no youtube é sempre bom saber que ele tmb ve o jornal) e que o processo da doente em causa ia ser reavaliado e a senhora ia ficar em casa. Ora isto é bom, justiça terá sido feita mas agora o problema é o seguinte: vem o ministro das finanças desmanchar o veredicto da junta medica? É preciso uma pessoa colocar o caso na TV e esperar que comova um ministro?

As injustiças continuam sempre ninguém as muda, apenas quando um caso aparece na televisão alguém que manda faz qualquer coisa, quer neste caso quer em muitos outros casos isto é verdade infelizmente.

A minha sugestão é muito simples voltem com o juiz decide e fechem os tribunais, se fosse aquele senhor careca com óculos a tratar destas coisas, o processo da casa pia e o apito dourado já estavam resolvidos, e todos os outros casos como o da senhora que vos falei nem existiam.

*rufar *

10 milhoes de pessoas presas num pais por um crime que não cometeram (terem ca nascido)

Se por acaso for vitima de uma injustiça, mordida por um deputado

Se conseguir encontrar um repórter

Talvez consiga contratar

A SIC NOTICIAS

* entra musica do A-TEAM *

Senão foda-se.

domingo, 4 de novembro de 2007

Pai Herói

Há certas coisas que me tiram do sério mas penso que é única e exclusivamente por ser português. Se fosse espanhol ou sueco, provavelmente não ficaria assim.
Caso: O banco Millenium BCP considera uma dívida de 12 milhões de euros incobrável. Quem é o devedor? Nada mais nada menos que Filipe Jardim Gonçalves, que, como já devem ter percebido, é filho de Jardim Gonçalves, fundador do banco e presidente do Conselho Geral e de Supervisão. João Berardo, homem das polémicas, levantou a questão para a comunicação social na sua qualidade de accionista do banco. Depois da confusão generalizada e de a CMVM (Comissão de Mercado e Valores Mobiliários) e Banco de Portugal assegurarem que iriam unir esforços para investigar o caso, lá o papá pagou a dívida de 12 milhões referentes a dívidas de várias empresas do filho acumuladas desde 2001. Isto depois de ter logo alegado no início que desconhecia qualquer dívida que o filho tivesse. Há aqui duas coisas a assinalar.

1º
Eu não sou a pessoa mais sociável, inclusive com a minha família. Não gosto de partilhar preocupações. É um grave defeito meu, eu sei, mas é algo que faz parte da minha personalidade e por muito que tente, vou sempre guardar muita coisa para mim, principalmente da minha família. Mas eu NUNCA seria capaz de esconder que devo 12 milhões de euros ao banco que o meu pai preside.

2º
Mesmo partindo do improvável cenário que o meu pai não tinha conhecimento dessas divídas através de mim de certeza de que saberia através de outras fontes.

3º
Se eu for roubar um pão porque não tenho dinheiro para o comprar nem nada para comer, sou espancado, preso e provavelmente se tiver bens, eles são-me todos penhorados. Mas se eu dever 12 milhões de euros e não tiver intenções de o pagar, então tenho de ser desculpado porque tenho dificuldades financeiras.

Isto está bom mas é para os filhos de presidentes do maior banco português privado e que devem 12 milhões de euros mas que essas divídas são perdoadas e depois estoura tudo na comunicação social e o pai é obrigado a pagar tudo.