quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Viver Ou Sobreviver

O que raio estamos aqui a fazer?

Sim, o que raio estamos aqui a fazer?! Estamos aqui para  pagar impostos e sermos escravizados a fazer aquilo que não queremos até ao final das nossas vidas? Apenas para isso? Os nossos políticos querem nos fazer crer que precisamos de ser cidadãos responsáveis para que alimentarmos o sistema que os alimenta a eles e a toda a corja de sanguessugas que nos levam o dinheiro e contribuem para a nossa contínua prisão. Mas a culpa é nossa, não é deles. Apesar daquilo que eles nos querem fazer acreditar, temos sempre escolha. A escolha é nossa, por muito que pareça condicionada ou que estejamos demasiado programados, demasiado cegos para ver a verdade. A escolha começa sempre por responder à pergunta simples e brutalmente honesta que é...

O que raio estamos aqui a fazer?

Estamos a trazer algo de mais positivo para o mundo? Para a sociedade? Para a nossa vizinhança? Porra, para a nossa a vida? Ou apenas fazemos o que fazemos e estamos onde estamos por medo? Por comodidade? Por andarmos a dormir? Quais as razões da nossa vida ser como é? E não vale a pena dizer que é por causa deste, por causa do outro, por causa da crise, por causa do Passos Coelho, por causa do raio que vos parta. A escolha é nossa, é sempre nossa, mesmo que julguemos que não temos escolha para porra nenhuma. Temos, temos e temos.

Se estamos a morrer aos poucos, temos escolha de nos afastar das coisas que nos matam lentamente, se não estamos bem, temos a escolha de procurar melhor. Mais que a escolha, temos a obrigação moral perante nós próprios de procurarmos. Devemos procurar a felicidade, seja por onde for, onde quer que seja que nos leve, temos a obrigação de seguir o nosso coração, sem que o medo tenha influência na equação. Pelo menos uma influência constante. O medo de não conseguir voar é aquilo que impede os pássaros de voar. Fomos feitos para voar e não para estar em gaiolas, escondidos e agarrados às falácias das responsabilidades. Se sermos felizes implica sermos irresponsáveis então que sejamos irresponsáveis, de uma vez por todas que sejamos irresponsáveis. Que sejamos egoístas! Porque estarmos presos a receios e a situações que não nos servem também não trazem bem a ninguém, muito menos ao mundo. Lembram-se da pergunta inicial? 

O que raio estamos aqui a fazer? Qual a diferença que trazemos para o mundo? Ninguém está a falar de mudar o mundo, isso é idiota e é um discurso para ser usado unicamente se quisermos enganar idiotas suficientes para que nos elejam para qualquer coisa. Ninguém muda o mundo sozinho, o único mundo que podemos e devemos mudar é o nosso próprio. E quando mudamos o nosso mundo estamos a trazer algo de positivo a nós próprios e quando trazemos algo de positivo a nós próprios, trazemos algo de positivo aqueles à nossa volta e é assim que se muda o mundo. Quebrar com as nossas prisões e cumprirmos o nosso propósito, seja ele qual for.

Sabem o que é que estamos aqui a fazer? Estamos aqui para viver e não para apenas sobreviver. Estamos aqui para voar. Não temos culpa de estarmos rodeados de por águias que pensam que são galinhas. Lá por os outros serem assim não quer dizer que também temos que o ser. Somos indivíduos, diferentes dos outros, por muito que vivamos numa sociedade que nos quer tornar todos iguais, com o mesmo penteado, com um código de barras no pulso para melhor sermos identificados. Somos mais que isso, muito mais. Só há um problema...

Nem sempre acreditamos nisso. 

Como disse antes... a escolha é nossa.

domingo, 11 de outubro de 2015

Radiografia

Passou uma semana desde as eleições e depois de todas as considerações feitas por todos os que votaram, os que não votaram, os que ganharam e os que perderam com que ficámos? Não especificamente o facto de não haver governo eleito pela maior margem de abstenção de sempre. A questão principal, qual é a questão principal que ficou à superfície? Esta: Queixamos-nos, gritamos e revoltamos-nos mas no final, na hora de mudar qualquer coisa, fica tudo na mesma. Por uma questão de apatia, por uma questão de crescente ignorância causada por anos intensos de destruição do sistema de ensino e de programas da TVI. Seja porque for, não interessa, mas esse foi o resultado, a questão maior que surgiu. O que do ponto de vista dos políticos é uma vitória. Afinal esta coisa da democracia tem uma falha grave. Isto de dar a escolha ao povo que se luta para se manter na ignorância é algo bastante perigoso, pelo que é necessário dar a ilusão de escolha entre duas faces da mesma moeda e que a única coisa que muda entre os dois são os interesses que servem. O povo, cansado de ver as coisas sempre na mesma e de sentir que não há alternativa, têm duas alternativas: lutar ou conformar-se. 

E nós conformamos-nos. Está no nosso ADN. Não vale a pena fazer nada, nunca vale a pena fazer nada porque não há nada que possamos que fazer. É um sistema à prova de bala. Temos um sistema viciado que depende da participação de alguém que convém desanimar de forma a que não participando, legitimando, pela ausência e dormência, tudo aquilo que não se conseguiria fazer caso estivessem presentes e acordados. 

Cada vez mais estas eleições servem como radiografia da doença terminal da qual o povo sofre, uma doença provocada não por acaso, mas por interesse. Uma interessa chamada dormência apática.

domingo, 17 de maio de 2015

Açorda Ortográfica

É oficial. O acordo ortográfico é obrigatório. Tal já era previsto. Seria impensável o governo voltar atrás na decisão. Desde o início que acordo sempre se tornou polémico por ser simplesmente incompreensível. De um ponto de vista lógico é válido: a língua portuguesa é a quinta mais falada no mundo, e como há porrada de brasileiros por aí - principalmente no distrito de Lisboa - é a filosofia do "junta-te ao clube dos mais fortes". A questão foi que desde o início, que os teóricos acharam o acordo uma inutilidade, e que de todos os PALOPs, apenas Portugal levava a sério a sua aplicação. Não se trata no entanto SÓ de baixar as calças e de renegar a identidade nacional sem qualquer justificação, querer aplicar soluções ortográficas que pertencem a outras culturas que não a nossa. É também um grande negócio. Em tempos de crise, quanto é que não valeu fazer novas edições de todos os grandes clássicos da literatura? E obrigar a novos livros, a novos programas escolares, a novas formações? É o pão para a boca de muita gente,

Obviamente que isto não interessa falar, afinal, o que é tirar uns c's aqui e ali ou uns p's? O futuro estratégico da nação fala mais alto. É pena é que a estratégia da nação de uns séculos para cá seja apoiada em falta de tomates para manter um rumo, mesmo que isso custe caro a alguns interesses privados ou nações supostamente amigas - amigas enquanto fizermos aquilo que nos dizem para fazer e fomos meninos bem comportados.

Não é de agora, mas para os que tinham esperanças de as coisas se endireitassem... a esses tenho a triste notícia que a partir do momento em o Egipto passa a Egito, é um passinho para que os egípcios sejam egícios. Ou os portugueses apenas parvos.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Semáforos

Qual é a cena com os semáforos a piscar? 

Provavelmente é uma questão técnica que eu não tenho conhecimento ou sequer capacidade intelectual para atingir mas mesmo assim como comum cidadão tenho curiosidade em saber porque é que se gasta dinheiro com semáforos com a luz amarela a piscar, fazendo com que seja instaurada a lei da selva e do salve-se quem puder em locais onde o trânsito é algo complicado. Provavelmente esta é uma coisa local - nem sei de quem será a responsabilidade, das autarquias ou de algum organismo do estado - e não se verifica no resto do país, mas aqui onde estou a viver presentemente, no concelho de Vila Franca, esta questão é uma constante. Seja depois da meia-noite, não sabendo também se os semáforos a piscar faz parte de um ritual de hibernação que acontece durante todas as noites; seja durante dias inteiros seguidos - também podem ir de férias.

Mas o que me intriga e irrita é... será que não era possível desligá-los? Sabemos que o Natal é quando o homem quer, mas os semáforos são uma iluminaçãod e Natal muito desengonçada e desproporcional. Apenas desliguem-lhes o botão, poupa uns cêntimos de luz eléctrica a todos nós - porque tudo neste mundo é pago pelo desgraçado que trabalha e paga os seus impostos. Deixo então aqui a consideração... vamos acabar com os semáforos a piscar e já agora, usar esta desculpa para acabar/desligar tudo o que não tem realmente utilidade neste mundo. Vá, neste país, comecemos pelo nosso país. Coisas como Assembleia da Républica e eleições e tribunais e hospitais e coisas assim. Vamos acabar com todas estas coisas que deveriam funcionar de forma correcta mas que só estão a piscar na luz amarela há muito, muito, demasiado, tempo.

domingo, 9 de novembro de 2014

Mediocridade

A capacidade que o ser humano tem para se submeter à mediocridade é impressionante. Acomoda-se com sítios que não gosta, trabalhos que o desgastam, pessoas que não suporta, tudo porque é suposto adaptar-se. Adaptar-se para sobreviver. Dito desta forma parece algo épico. A luta pela sobrevivência, numa sociedade e mundo frios e implacáveis. Na verdade é bem menos que isso. Esta adaptar para sobreviver muitas vezes implica fechar os olhos e ficar quieto no canto. Temos um mundo inteiro à nossa volta a dizer que as coisas estão difíceis, que não temos valor, que não há nada a fazer contra aquilo que está instituído. Então concordamos e acomodamo-nos.

"Há quem esteja pior do que eu"

"Tenho sorte em ter aquilo que tenho"

"Tenho que estar grato"

"Quem sou eu para querer mais?"

Grande parte destas coisas são verdade. Há sempre quem esteja pior que nós e até podemos ter sorte em ter aquilo que temos e sem dúvida que temos que estar gratos. Mas será que o estar grato impede que sejamos más pessoas por querer mais? Por ambicionar mais? Não estamos a falar de ambição egoísta desmedida para acumular bens materiais, afinal, isso é o que nos passam desde o berço. Dizem-nos que devemos ser médicos, engenheiros, advogados, coisas que nos colocam numa boa posição financeira e na própria sociedade, implicando, directa ou indirectamente, de que tudo o resto é inferior. Não nos promete um futuro seguro. E em busca de segurança vamos nós, renegando aquilo que realmente queremos. Na verdade, na maior parte das vezes, desconhecendo aquilo que realmente queremos. E sonhamos por lotarias, prémios e heranças como a solução para o vazio que temos dentro de nós, sem saber de que não precisamos de mais coisas para nos libertarmos. 

Precisamos de menos. Menos possessões, menos ideias pré-concebidas, menos medos, menos ego, menos ignorância.

E continuamos adormecidos na mediocridade que abraçámos. E não é difícil acordar desta mediocridade porque ela é a única realidadeque conhecemos. No entanto, quando isso acontece, normalmente por influência do exterior, acontecem duas coisas: Negação para que se volte a dormir bem acomodado com tudo aquilo que não nos serve ou pânico e a vontade de querer fugir o quanto antes. Querer ser o que se é realmente, viver isso, na maior parte das vezes sem saber o que isso realmente é, apenas saber que não é o estado actual. E mais uma vez olha-se para lotarias, prémios e heranças como a única coisa capaz de nos resgatar desta prisão onde crescemos. E de engano em engano, acaba-se por se desistir e voltar a ficar na mediocridade em que nos dizem pertencermos, pensando que é tarde demais para mudar o quer que seja. Que somos apenas um para mudar o quer que seja.

Não é tarde demais, nunca, e não somos apenas um.

O irónico é que para escapar à mediocridade não temos que ser super-humanos, não temos que ser sortudos, não temos que ser abençoados ou ajudados. Apenas temos que ser nós próprios.

sábado, 23 de agosto de 2014

Estupidez Natural

Haverá algo mais parvo do que colocar taxa em aparelhos que tenham memória para combater a pirataria? É certo que ainda não tivemos um governo que se aproveitasse desde que há democracia e de que cada vez que vão à casa de banho saem-se com coisas brilhantes em prol dos cidadãos como liberalizar o preço dos combustíveis – que ia fazer com que os preços baixassem, mas que os iluminados não previram que ia fazer com que subissem TODOS (ainda bem que temos os cartazes informativos na auto-estrada para nos mostrar que do Algarve a Guimarães tem tudo o mesmo preço, era uma informação que precisamos mesmo de ter). Também é certo que este governo atinge novos máximos de estupidez humana, mas esta nova taxa promete bater recordes.

Este imposto vai ter consequências ironicamente engraçadas:

1º - Vai subir a importação de tablets, telemóveis e discos e afins em catadupa – É bem mais barato mandar vir de Espanha do que comprar cá dentro. E depois o governo queixa-se das divisas a saírem do país e da fuga aos impostos – já agora fuga do país.
2ª – Penaliza quem compra os ditos artigos e não faz uso da pirataria, assim como penaliza duplamente quem realmente faz um esforço para comprar os seus álbuns, vai aos seus concertos, vai ao seu teatro e cinema porque é assim que se apoiam os artistas certo? Ao contrário desta taxa cujo destino não será certamente o artista lesado.
3ª – Mas o melhor mesmo é que legitima o download ilegal. Meus amigos, quem estiver com problemas morais por andar no sacanço, há fácil solução, basta ir comprar uma pen e depois fica com legitimidade para sacar o quer que seja, afinal já pagou a taxa.

No entanto, todos sabemos como funciona o português e o governo, apesar da sua estupidez natural, sabe que o português. Pode estrebuchar muito mas depois acaba por amochar e calar. A taxa vai-se tornar tão normal que ninguém se vai queixar e vai ser mais uma carga, estúpida, em cima do contribuinte.

Tenho uma ideia… porque não fazer uma taxa para cobrar a estupidez? Começávamos na assembleia da república e acabávamos em São Bento. Antes de chegarmos a meio, tínhamos o problema do défice resolvido.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Neura

Existem dias complicados. Dias em que tudo nos faz confusão, tudo nos mete raiva, tudo é uma razão para acender o nosso rastilho curto, bem curto. São aquelas coisas que o povo sabiamente soube de chamar de neura.

“Isso passa. É neura”.

Ou

“Estou com a neura, não falem comigo hoje”

Apesar destes pedidos, quanto mais se pede para que exista paciência, distância, cuidado, mais parece que aparecem coisas que testam os limites e se calhar não é difícil perceber porquê. Na vertente da lei da atracção, quanto mais se pede por algo, quanta mais concentração se focar em algo, mais ela vem até nós. Neste caso, estamos a concentrar-nos numa sensação de falta de paz, num sentimento de querer algo que não se tem, nas reacções violentas que nos apetece ter por falta de paciência. É exactamente o que vem até nós. O que leva a um exercício engraçado e irónico. Lutar para arranjar paciência quando não se tem e ainda assim, colocar à nossa volta todos os elementos necessários para a acabar com a mesma em três tempos. Também é o teste derradeiro.

É fácil sermos moralistas, apregoar aos quatro ventos a paz e o amor e a boa vontade entre homens, mulheres, animais e plantas quando a vida nos corre de feição. Até é fácil perdoar pequenas faltas que tenham contra nós ou contra os nossos princípios morais. Manter o mesmo entusiasmo em dia que nos falte a paciência… isso sim, isso é serviço. Também é parte da aprendizagem de humildade, conhecer os nossos limites e reconhecer quando podemos ser injustos ou incorrectos com aqueles que não merecem que descarreguemos neles.

A neura é apenas uma forma de distinguir quem é capaz de ser justo e injusto, independentemente das condições. Dito desta forma, até parece uma coisa essencial ao desenvolvimento social de cada humano. Se calhar até é.