sábado, 23 de agosto de 2014

Estupidez Natural

Haverá algo mais parvo do que colocar taxa em aparelhos que tenham memória para combater a pirataria? É certo que ainda não tivemos um governo que se aproveitasse desde que há democracia e de que cada vez que vão à casa de banho saem-se com coisas brilhantes em prol dos cidadãos como liberalizar o preço dos combustíveis – que ia fazer com que os preços baixassem, mas que os iluminados não previram que ia fazer com que subissem TODOS (ainda bem que temos os cartazes informativos na auto-estrada para nos mostrar que do Algarve a Guimarães tem tudo o mesmo preço, era uma informação que precisamos mesmo de ter). Também é certo que este governo atinge novos máximos de estupidez humana, mas esta nova taxa promete bater recordes.

Este imposto vai ter consequências ironicamente engraçadas:

1º - Vai subir a importação de tablets, telemóveis e discos e afins em catadupa – É bem mais barato mandar vir de Espanha do que comprar cá dentro. E depois o governo queixa-se das divisas a saírem do país e da fuga aos impostos – já agora fuga do país.
2ª – Penaliza quem compra os ditos artigos e não faz uso da pirataria, assim como penaliza duplamente quem realmente faz um esforço para comprar os seus álbuns, vai aos seus concertos, vai ao seu teatro e cinema porque é assim que se apoiam os artistas certo? Ao contrário desta taxa cujo destino não será certamente o artista lesado.
3ª – Mas o melhor mesmo é que legitima o download ilegal. Meus amigos, quem estiver com problemas morais por andar no sacanço, há fácil solução, basta ir comprar uma pen e depois fica com legitimidade para sacar o quer que seja, afinal já pagou a taxa.

No entanto, todos sabemos como funciona o português e o governo, apesar da sua estupidez natural, sabe que o português. Pode estrebuchar muito mas depois acaba por amochar e calar. A taxa vai-se tornar tão normal que ninguém se vai queixar e vai ser mais uma carga, estúpida, em cima do contribuinte.

Tenho uma ideia… porque não fazer uma taxa para cobrar a estupidez? Começávamos na assembleia da república e acabávamos em São Bento. Antes de chegarmos a meio, tínhamos o problema do défice resolvido.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Neura

Existem dias complicados. Dias em que tudo nos faz confusão, tudo nos mete raiva, tudo é uma razão para acender o nosso rastilho curto, bem curto. São aquelas coisas que o povo sabiamente soube de chamar de neura.

“Isso passa. É neura”.

Ou

“Estou com a neura, não falem comigo hoje”

Apesar destes pedidos, quanto mais se pede para que exista paciência, distância, cuidado, mais parece que aparecem coisas que testam os limites e se calhar não é difícil perceber porquê. Na vertente da lei da atracção, quanto mais se pede por algo, quanta mais concentração se focar em algo, mais ela vem até nós. Neste caso, estamos a concentrar-nos numa sensação de falta de paz, num sentimento de querer algo que não se tem, nas reacções violentas que nos apetece ter por falta de paciência. É exactamente o que vem até nós. O que leva a um exercício engraçado e irónico. Lutar para arranjar paciência quando não se tem e ainda assim, colocar à nossa volta todos os elementos necessários para a acabar com a mesma em três tempos. Também é o teste derradeiro.

É fácil sermos moralistas, apregoar aos quatro ventos a paz e o amor e a boa vontade entre homens, mulheres, animais e plantas quando a vida nos corre de feição. Até é fácil perdoar pequenas faltas que tenham contra nós ou contra os nossos princípios morais. Manter o mesmo entusiasmo em dia que nos falte a paciência… isso sim, isso é serviço. Também é parte da aprendizagem de humildade, conhecer os nossos limites e reconhecer quando podemos ser injustos ou incorrectos com aqueles que não merecem que descarreguemos neles.

A neura é apenas uma forma de distinguir quem é capaz de ser justo e injusto, independentemente das condições. Dito desta forma, até parece uma coisa essencial ao desenvolvimento social de cada humano. Se calhar até é.


segunda-feira, 31 de março de 2014

Querer E Não Ter

Quantas vezes não se é vítima do consumismo exacerbado, da massificação do incentivo ao consumo? Até o iluminado do nosso primeiro-ministro se queixou no inicio do seu segundo ano de governo que o défice do orçamento de estado se devia aos portugueses não terem consumido tanto - isto depois de os acusar de viverem acima das suas posses.

O dinheiro desaparece sem deixar rasto, contas, comida, bebida, coisas para nos fazer sentir melhor, coisas supérfluas, coisas para comprar amor, carinho, coisas, coisas. São apenas coisas, não interessam, são apenas coisas, apenas para ter um fim em vista. O objectivo de preencher o vazio com alguma coisa, com alguma pessoa. Troca por trocar. Apenas é preciso dinheiro. É engraçado, o dinheiro é aquilo que compra tudo, menos aquilo que precisamos. A saúde que advém de uma paz de espírito, o amor verdadeiro, aquele que é tanto sentido, seja qual for a posição social ou o tamanho da conta bancária. Sem preço.

Mesmo assim, estamos numa sociedade que insiste em meter preço em tudo e que acaba por depender daqueles que se afundam nela para construir os seus alicerces. Aqueles que crédito após crédito, na tentativa de tapar um buraco abrem um outro maior, acabam por cair num círculo vicioso. Vampirizados, são vítimas da sua própria inconsciência ou ingenuidade. Querer e não ter, todas as coisas, coisas e apenas coisas, acabam por perder aquilo que tinham e ficar sem aquilo que queriam ter. Acabam por perder aquilo que não se consegue comprar em troca de coisas que não conseguiram pagar.

Vale mesmo a pena?

Talvez o princípio da sociedade moderna seja de escravizar sem correntes. A parte irónica é que são os escravos que se oferecem a essa condição.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Vazio

Há muita coisa mal neste mundo, muitas pessoas a fazerem coisas parvas, muitos espertalhões a aproveitarem-se dos mais fracos, dos mais desfavorecidos ou simplesmente dos mais distraídos. Resumindo, muito sumo para centenas de postas neste blog, mas mesmo assim, quando chega a hora de escrever, não surge nada. 

Branco.

Vazio.

E não se trata de bloqueio de escritor. Não desta forma. Isto é diferente. É como se tivesse chegado a um ponto em que não houvesse nada cá dentro para deitar cá para fora, nem mesmo sobre as maiores injustiças. Dormência. Confortável dormência. Seria caso para pedir ao mundo para parar de rodar apenas por uns momentos,  só até se conseguir recuperar algo que não se sabe bem o quê - seria tão fácil procurar por aquilo que se perdeu se apenas se soubesse o que era. 

São estes momentos de procura por algo interior que se volta, por momentos, para o exterior. Olhando um pouco cá para fora e para todas essas pessoas que referi antes, os espertalhões, os idiotas, os cínicos, os falsos, é impossível não questionar se estas mesmas personagens não se sentirão também elas vazias. Por exemplo, a classe política, muitas vezes aqui abordada e em grande parte conivente com o poder económico e esmagada à sua vontade, esmagando todo um povo, obrigando-o procurar pela sobrevivência num outro lado qualquer. Será que estes mesmos seres terão momentos em que se sentem vazios? Será que eles tem estes momentos de vazio? Mas a diferença seria... o vazio que tenho é sobre eles... será que eles sentem vazios sobre eles próprios? Ou será que a importância que os cargos para os quais foram eleitos ou apontados é de alguma forma uma prevenção para este vazio?

Perante o vazio será que dizem "recebo este dinheiro todo ao final do mês, tenho coisas até perder de vista, as pessoas respeitam-me, por isso... este vazio deve ser fome, vou jantar outra vez"? Se sim, talvez seja essa a razão do político/gestor/aldrabão ser um bicho que engorda com o tempo. Sempre a comer a ver se consegue tapar o vazio. Provavelmente comem tanto que têm que vomitar para comer outra vez, porque o raio do vazio não desaparece.

Divago. Os políticos/gestores/ladrões não sentem vazio porque isso seria partir do princípio de que eles olhariam interiormente ou que pelo menos estavam em contacto com aquilo que remotamente se parecesse com uma consciência. Se isso acontecesse, provavelmente suicidavam-se ou mudavam de profissão, já que as duas são inconjugáveis.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Azar

Não pretendo ocupar muito do vosso tempo com isto, até porque o povo português já deve estar cansado de todos os dias ser bombardeados de notícias sobre política, mas em modo expresso pode ser que a cena se torne mais suportável. É simples, uma simples pergunta:

Já olharam para a nossa classe política, para os nossos gestores e não sentiram arrepios de frio por sentir que não passamos de peões cujo maior dom é votar e descontar para impostos?

Com esta saga toda do Paulinho das feiras, é impossível que alguém não tenha sentido isso. A coligação amua, o país cai a pique, todos os sacrifícios feitos postos em causa de um dia para o outro, isto tudo para quê? Para que exista uma nova repartição de poder entre os dois partidos de governo. Não querendo personalizar, apesar da ambição que é reconhecida a Paulo Portas, a verdade é que este é o comportamento típico do político/gestor português, brincar com dinheiro e vida dos outros e nunca ser responsabilizado. Porque não criar um modelo de avaliação para ministros/gestores tal como foi criado para os professores? Porque é que não são punidos como o resto do mundo pela sua fraca prestação.

Eu tenho uma breve ideia, talvez seja um pouco demagoga,  mas mesmo assim, acho que vem de encontro ao factor expresso que mencionei.

Os políticos e gestores deste país não são punidos pelos seus erros de gestão, porque custa a acreditar que pessoas tão bem sucedidas, com carros, casas, apartamentos, filhos em colégios privados, férias no estrangeiro, e mais uma série de coisas que a grande maioria dos portugueses apenas sonha, possam ter responsabilidade no que diz respeito a gestão danosa. Com vidas privadas tão recheadas de sucesso, quem é que pode acreditar que no trabalho eles sejam tão medíocres. Deverá ser azar.

E é azar. Azar do português por ter de suportar com tantos iluminados que o deixam às escuras.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Papa Chico

Já temos um novo Papa. E se aquelas pessoas que estavam preocupadas por não termos Papa, ficaram descansadas, bem, elas que se comecem a preocupar novamente. A primeira coisa que o Papa pediu aos fieis ainda antes de ser entronizado foi para... rezar por ele.

Ora... isto é estranho. Quer dizer, a malta anda aqui neste mundo cheio de fome, miséria, corrupção, políticos, ladrões, gatunos, pedófilos, oportunistas e políticos. Sendo assim,  não é o Chico que precisa que orem por ele, somos nós! Para que é que nos serve um papa se ainda temos que rezar por ele também?  Por amor de Zeus,  não precisamos de mais trabalho! Já temos filhos, irmãos, pais e avós para tomar conta, não precisamos de mais um senhor de 76 anos para ir mudar a fralda e dar-lhe a papa e orarmos por ele. 

Se calhar estou a ser muito exigente mas acho que esta coisa de ser o representante de Deus na terra já teve mais importância do que tem hoje em dia. Quando é o próprio representante de Deus que pede que os fieis intercedam por ele junto do patrão... isto já diz um pouco do representante. Ele deveria estar perto, mais perto que todos os outros. A não ser que... ele tenha pensado algo do género.

"Por favor, digam-lhe algo da minha parte... não sei que se passa, ele já não me ouve mais. Vá lá. Façam-me o jeitinho"

domingo, 10 de março de 2013

Incompetência

É curioso como os mais altos cargos governativos estão isentos de responsabilidades. Quem diz cargos governativos diz tudo o que tenha a ver com gerir o dinheiro dos outros. E não me quero referir a corrupção. Não é que ela não exista, porque esse já é um ponto assente. Aquele em que todos falam, algumas vezes com razão, outras nem por isso. A questão é que a corrupção já se tornou uma desculpa para nos acomodarmos.

"Não vale a pena votar, são todos uns corruptos! Está tudo minado de corrupção!"

Não tenhamos dúvidas, onde existe poder, seja ele qualquer for, há sempre a tentação desse poder se corromper, seja pela pessoa que o tem, seja por pessoas que o querem usar, seja por ambos. Esta é uma questão recorrente, que dificilmente deixará de existir pelo menos na democracia ocidental - uma democracia que o é apenas no papel.

Vamos deixar a corrupção de lado e vamos falar de outra coisa mais sinistra: Incompetência. 

É fácil confundir as duas, porque por vezes é-nos difícil acreditar que alguém seja tão incompetente para prejudicar tanto o país/empresa, que só pode ser corrupto e estar a meter ao bolso. 

Não deveria ser a incompetência um crime? Ou pelo menos pagar multas? De certeza de que ajudaria em muito os cofres do estado em momentos como o actual . Se um ministro das Finanças repetidamente falha as suas previsões em relação aos objectivos atingidos, não será este ministro tão perigoso como aquele que desvia dinheiro ou é corrompido para prestar favores? É que em caso de corrupção ainda há alguém que se beneficiado. Em caso de incompetência, nem o próprio se favorece - embora, tenha que admitir, que há sempre alguém que consegue aproveitar dessas incompetências.

Erros de previsão, despesismo, contratos malucos que não trazem benefício ao país. Será que isto não dá direito a despedimento com justa causa? Incapacidade para ver que eliminar a classe média não vai aumentar as receitas do estado em termos de impostos (antes pelo contrário), incapacidade de cortar a sério onde há despesismo, não serão estas boas razões para que se chegar à conclusão de que este gestor do nosso dinheiro é inadequado?

Vamos imaginar que Portugal é uma família, e que o chefe de família do país é uma fusão de duas pessoas, o primeiro ministro, que não sabe muito bem o que fazer, e o ministro das finanças que vive no seu mundo, afastado da realidade. Ora se numa família chegasse à conclusão que se gasta mais do que o dinheiro que entra, será que não era melhor vender um dos três carros, deixar de dormir um dia por semana num hotel de luxo, cortar TV Cabo, as refeições fora de casa,  apenas para citar alguns exemplos? Isto seria o lógico, mas o que acontece realmente é que em vez de cortar com tudo o que é supérfluo, os gastos mantém-se, apenas se procura outras fontes de rendimento. 

Eu não percebo muito de matemática, mas acho que não é complicado, não é muito dramático. Se fosse um problema da escola e eu não o conseguisse resolver, tinha negativa. Se fosse numa empresa, seria despedido com justa causa. Se fosse na minha situação familiar, os credores viriam ter comigo. Então qual a dificuldade de cortar com a despesa? Será que os nosso governantes não conseguem resolver um problema simples como este, ou será que pediram todos equivalência e por isso, será normal a sua incompetência.

Ora não deveria este pessoal pelo menos pagar parte da dívida do seu bolso? Os actuais e os anteriores. Os prejudicados são sempre os mesmos, quem não pode fugir, quem trabalha, quem cumpre, quem não falha - e quando falha, cai-lhe o mundo em cima. Não deveriam as finanças ir ter com o Sócrates, com o Santana Lopes, com o Paulo Portas, com o Durão Barroso, como o Guterres, com o Cavaco e exigir-lhes algo pelos maus serviços prestados à nação? Exigir algo mais do que serem condecorados? Porquê premiar a incompetência? Será perder as eleições castigo suficiente? E o país que ficou perdido? Fica-se contente por, apesar do país estar destruído, pelo menos mudou-se de Governo por alguém igualmente incompetente?

É esse o problema, já se tornou normal sermos governados por incompetentes, de tal forma que não estranhamos, de tal forma que não nos importamos, de tal forma que nem queremos saber. Aceitamos com um encolher de ombros que diz "o que é que eu posso fazer" mas que nem se dá ao trabalho de ir votar, de ir-se manifestar. Não será também essa uma forma de incompetência? Não seremos também nós incompetentes? Aos olhos do governo, somos todos, sem dúvida, ora porque não apreciamos o esforço que  os nossos governantes estão a fazer, ora porque não temos mais dinheiro que possamos passar para as mãos do estado.

Diz-se que numa democracia, o país é de todos, e até pode ser mas na verdade, na verdade... apesar do país ser nosso, continua a ser gerido por mãos incompetentes, cuja sua única competência é servir-se bem durante quatro ou mais anos. É algo que pode exigir algum talento mas não creio que seja talento para ser recompensado.