O processo Casa Pia era a prova definitiva do estado da nossa justiça, o derradeiro teste e temo dizer que a nota foi negativa. Confesso que tenho uma certa simpatia pelo Carlos Cruz, como figura pública e por ter feito ou por fazer parte da minha memória e do meu desenvolvimento como pessoa. Tenho discernimento suficiente para saber que o que vêmos na televisão das figuras públicas não é representativo do que eles são realmente na sua vida íntima. Nem as pessoas com quem lidamos no quotidiano quanto mais as figuras públicas. No entanto isso não quer dizer que ele ou todos os outros restantes tenham de ser obrigatoriamente culpados. É o que parece, é a sensação que fica, estas pessoas tinham de ser obrigatoriamente culpadas.
Não quero simplificar todo este processo, nem quero passar a ideia que tenho a arrogância de saber o que devia ou não devia ter sido feito, com a excepção de uma coisa que assumo a arrogância de dizer que deveria ter sido, obrigatoriamente, feito:
Todas as dúvidas deveriam ter ficado desfeitas e a questão é que elas não ficaram. Depois de uma eternidade, a montanha pariu um rato e pariu-o mal e durante mais duma semana. Resultado prático, o que deveria servir como exemplo da justiça (ou seja as condenações) acabou por descredibilizar o pouco que havia.
Vamos a enumerar :
1-Oito anos para sair a sentença, quiliões de páginas do processo (deve ter queimado mais árvores que os incêndios do verão de 2005), provas, CDs e DVDs, número record de testemunhas, quase mil. Oito anos... não é demasiado tempo? As penas de prisão são menores que o tempo que o processo demora a chegar ao fim. Em vez de condenar os criminosos a penas de prisão, não será melhor condená-los a penas de tribunal? Parecem ser mais severas...
2-Ziliões de crimes aos arguidos, fora aqueles que estavam no processo e não chegaram a ser arguidos. As únicas provas são as testemunhas. Será que as testemunhas que eram a prova dos que não chegaram a ser arguidos tiveram incentivos para deixarem de serem prova. O que coloca outra questão... será que as testemunhas que são prova de que os que são arguidos são realmente arguidos,receberam algum incentivo para dizerem que os que são arguidos são realmente arguidos?
3-O acordão da sentença tem mais de 2000 (!!!) páginas o que faz com a mesma não seja lida por completo. Não era suposto a sentença ser algo rápido, do género "és um cabrão, estás fodido e vais para a prisão apodrecer até ao final da tua vida mas como já gozaste 15 anos de prisão preventiva, ainda chegas a passar o natal na casa com a tua família"?
4 -Esse mesmo acordão demora uma semana a chegar às mãos dos arguidos, depois de um dos advogados duvidar que ele sequer existia por completo. Supostamente foram problemas informáticos. Deve ser complicado gravar um cd dum ficheiro word, principalmente quando ele não existe (oops).
5-Os arguidos foram condenados por uma décima dos crimes que foram condenados e as únicas provas são os testemunhos, principalmente na casa de Elvas. O curioso é que a dona da casa, onde se passaram todas as orgias pedófilas, não foi acusada. Ou seja... as testemunhas colocam os arguidos na casa de Elvas, mas não devem ter visto a dona. O que é estranho porque se eles são condenados por assalto sexual ou que raio foi o termo jurídico-legal, também deveriam ser condenados por invasão de propriedade privada já que estavam na casa de uma pessoa que não conheciam, sem esta saber. Aparentemente.
Estas são apenas algumas das questões que me suscitaram dúvidas e não estudei nem acompanhei muito o processo, nem de perto nem de longe. No entanto fiquei com estas dúvidas. Muita gente ficou com dúvidas, porque esta merda deste processo cheira mal como a... bem, como a merda.
Um dos advogados das vítimas da Casa Pia disse que este processo teve excessos simplesmente porque a lei permite. Pensando assim não é de estranhar que tenham sido ouvidas tantas testemunhas... até nos permite ficar com a ideia que quantas mais fossem, melhor porque a ideia mesmo era enrolar, atar e atolar a justiça até que ela não possa fazer mais nada. E é assim que se subjuga um povo, com uma justiça com leis ambiguas o suficiente para que não funcione quando interessa que ela não funcione.
E este é o primeiro passo para te adormecerem, carneiro. Dão-te ferramentas que dizem que funcionam mas que têm as portas de saída escolhidas a dedo para que eles nunca fiquem entalados.
Não quero simplificar todo este processo, nem quero passar a ideia que tenho a arrogância de saber o que devia ou não devia ter sido feito, com a excepção de uma coisa que assumo a arrogância de dizer que deveria ter sido, obrigatoriamente, feito:
Todas as dúvidas deveriam ter ficado desfeitas e a questão é que elas não ficaram. Depois de uma eternidade, a montanha pariu um rato e pariu-o mal e durante mais duma semana. Resultado prático, o que deveria servir como exemplo da justiça (ou seja as condenações) acabou por descredibilizar o pouco que havia.
Vamos a enumerar :
1-Oito anos para sair a sentença, quiliões de páginas do processo (deve ter queimado mais árvores que os incêndios do verão de 2005), provas, CDs e DVDs, número record de testemunhas, quase mil. Oito anos... não é demasiado tempo? As penas de prisão são menores que o tempo que o processo demora a chegar ao fim. Em vez de condenar os criminosos a penas de prisão, não será melhor condená-los a penas de tribunal? Parecem ser mais severas...
2-Ziliões de crimes aos arguidos, fora aqueles que estavam no processo e não chegaram a ser arguidos. As únicas provas são as testemunhas. Será que as testemunhas que eram a prova dos que não chegaram a ser arguidos tiveram incentivos para deixarem de serem prova. O que coloca outra questão... será que as testemunhas que são prova de que os que são arguidos são realmente arguidos,receberam algum incentivo para dizerem que os que são arguidos são realmente arguidos?
3-O acordão da sentença tem mais de 2000 (!!!) páginas o que faz com a mesma não seja lida por completo. Não era suposto a sentença ser algo rápido, do género "és um cabrão, estás fodido e vais para a prisão apodrecer até ao final da tua vida mas como já gozaste 15 anos de prisão preventiva, ainda chegas a passar o natal na casa com a tua família"?
4 -Esse mesmo acordão demora uma semana a chegar às mãos dos arguidos, depois de um dos advogados duvidar que ele sequer existia por completo. Supostamente foram problemas informáticos. Deve ser complicado gravar um cd dum ficheiro word, principalmente quando ele não existe (oops).
5-Os arguidos foram condenados por uma décima dos crimes que foram condenados e as únicas provas são os testemunhos, principalmente na casa de Elvas. O curioso é que a dona da casa, onde se passaram todas as orgias pedófilas, não foi acusada. Ou seja... as testemunhas colocam os arguidos na casa de Elvas, mas não devem ter visto a dona. O que é estranho porque se eles são condenados por assalto sexual ou que raio foi o termo jurídico-legal, também deveriam ser condenados por invasão de propriedade privada já que estavam na casa de uma pessoa que não conheciam, sem esta saber. Aparentemente.
Estas são apenas algumas das questões que me suscitaram dúvidas e não estudei nem acompanhei muito o processo, nem de perto nem de longe. No entanto fiquei com estas dúvidas. Muita gente ficou com dúvidas, porque esta merda deste processo cheira mal como a... bem, como a merda.
Um dos advogados das vítimas da Casa Pia disse que este processo teve excessos simplesmente porque a lei permite. Pensando assim não é de estranhar que tenham sido ouvidas tantas testemunhas... até nos permite ficar com a ideia que quantas mais fossem, melhor porque a ideia mesmo era enrolar, atar e atolar a justiça até que ela não possa fazer mais nada. E é assim que se subjuga um povo, com uma justiça com leis ambiguas o suficiente para que não funcione quando interessa que ela não funcione.
E este é o primeiro passo para te adormecerem, carneiro. Dão-te ferramentas que dizem que funcionam mas que têm as portas de saída escolhidas a dedo para que eles nunca fiquem entalados.
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