quinta-feira, 21 de outubro de 2010

As Diversas Faces da Mesma Crise

Eu tentei passar ao lado da tentação de falar da actual situação económica e dos responsáveis por essa mesma situação. Eu juro que tentei... com força e afinco... mas não dá. Os telejornais dedicam-lhe meia hora do seu espaço. De manhã, á hora do almoço e à noite, como o substituto eleito do 11 de setembro, furacão Katrina, terramoto no Haiti, enchurradas na Madeira, o Freeport. Se fosse suficientemente paranóico poderia dizer que estão a tentar-nos manipular com distrações. A mão do ilusionista faz movimentos estranhos, captando a atenção da plateia, enquanto a outra, faz o truque que a vai surpreender, mesmo estando ali à vista de todos. Será sempre assim, mas não é dessa condição que quero falar. Quero fazer a vontade àqueles que querem que se ouça, fale e pense na crise. 

Por todo o lado, governos tomam medidas de austeridade, cortes aqui, cortes ali. Com algumas ténues diferenças, todos os países apoiam-se sempre no mesmo, o contribuinte para suportar o peso excessivo que o estado representa no défice do país. É sabido que quando há grandes crises ou até mesmo depressões económicas, há também - sempre - quem lucre milhões. Mas por muito que possa parecer estranho, não são esses que me revoltam. Que nas sombras, têm as suas influências, como teias (ou mesmo tentáculos) têm um grande alcance para fazer mover as peças/pessoas necessárias para cumprir os seus objectivos. É preciso alguma inteligência, mesmo que seja usado para o... mal, chamemos-lhe assim. No entanto, aqueles que me irritam são os chico-espertos. Acho que não seja um exclusivo da nossa nação, mas por vezes tenho a impressão de que sim. 
Um governo que aumenta impostos alegando ser a única forma de combater o défice, não cortando na despesa e mantendo gastos farónicos com tachos para os boys acho que é uma boa súmula daquilo que quero dizer. Embora pudessem ter braços compridos para fazer as suas coisas das sombras, este tipo de indivualidade prefere fazer as coisas às claras apenas porque é preguiçoso.

- 3000€ de ordenado para gestor público, isso não vai dar bandeira?
- Não, pá. Eles já estão tão habituados que não dizem nada. E se disserem, sai uma notícia mas depois fica tudo na mesma.
- Se for assim... então está bem.
- Porreiro, pá.

Há tanta coisa feita às claras, no que diz respeito a vencimentos chorudos, a festas, a contratos publicitários, tanta obscenidade, tanto insulto aqueles que trabalharam toda uma vida e que têm uma reforma de 300€, que se eu fosse a enumerar, não saíria daqui antes do Natal.

Só me consigo rir, pensando na ironia de uma frase feita de certos políticos uns tempos atrás. Políticos que estavam no poder e agora também, que diziam que era difícil encontrar bons ministros que se sujeitassem às pressões que são inerentes ao cargo que ocupam por  um vencimento baixo, comparando com o sector privado. Então... temos ministros incompententes porque aqueles que são mesmo bons não se estão para sujeitar à má vida. No entanto, os ministros incompententes que se sujeitaram  a tal, depois de saírem do governo têm dois destinos:

- Ou vão para empresas privadas às quais as suas decisões afectaram positivamente (atirando dois nomes ao acaso, Lusoponte, Galp e Mota-Engil, perfeitamente aleatórios);
- Ou vão para gestores públicos, receber mais dinheiro do que aquele que estavam a receber como ministro, não tendo aumentado a sua competência para esse .

Se eu fosse fanático de futebol diria que, a situação do estado Português é como a da Sporting. A academia deles é muito apetecida porque de lá sairam grandes jogadores, como Figo, Ronaldo, Quaresma, Nani, etc. Jogadores que depois de lá jogar, deram o salto para os milhões. Se Portugal fosse o Sporting, eu diria que  o objectivo dos jogadores não é ajudar o Sporting a ser campeão, mas apenas usá-lo como trampolim para os milhões. O Sporting não ganha, os chulos orientam-se bem orientados, e o adepto sonha em mudar de clube, porque já sabe que mesmo mudando de treinador, de jogadores, de presidente... o que vem a seguir, é sempre pior.

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