Nos dias o que correm, é natural que cada vez mais tenha que me voltar para o jornalismo (principalmente de televisão e rádio) e para as suas tácticas que cada vez me parecem desesperadas. E parece-me logo um contrasenso, a partir do momento que um dos objectivos do jornalismo é, por excelência, informar, imparcialmente. Ora, será que devido à concorrência dos dias de hoje ser feroz e cada vez mais haja a febre do noticiar primeiro que os outros todos (veja-se o caso da TVI que levaram isto a um tal extremo que acabam por serem eles a fazerem as notícias principalmente nos tempos de Moniz [em que ele era entrevistado pelo telejornal da estação de televisão que presidia nos momentos em que havia uma aposta nova da TVI ou então em que a notícia fosse alguma questão em que estivesse envolvida a TVI - caso Marcelo Rebelo de Sousa e outros parecidos], já sem falar da esposa dele) fazendo que se recorra obviamente às notícias bombásticas mas na maioria das vezes falsas? Lá dizia o povo, a pressa é a inimiga da perfeição.
Mas vamos deixar o estado geral do jornalismo e focar-nos numa situação em específico...
Já repararam que em ocasiões que o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro estão presentes de forma oficial, os jornalistas rodeiam-nos e perguntam-lhes tudo desde o último escândalo da justiça, governo e arredores até à colocação dos astros e os resultados do campeonato de futsal da Gronelândia. Na primeira série dos Gato Fedorento, ainda na Sic Radical, foi feito um sketch onde parodiavam exactamente com essa situação. Pois bem, a semana passada, por ocasião de uma visita qualquer do Presidente da República, já não sei a que sítio, o mesmo foi solicitado para falar sobre diversos assuntos, dando origem a, se não estou em erro, quatro reportagens do Jornal da Tarde da RTP1. Ele foi Haiti, ele foi orçamento, ele foi tudo e mais alguma coisa. E era um sentimento de déjà vú, cada vez que anunciavam a peça, nós sabíamos quem iríamos ver, e onde, e até o senhor de barba que se ofereceu para segurar o gravador a algum reporter que não chegava até lá. Tive pena desse senhor... ter de ficar ali a segurar o gravador durante quase meia hora enquanto os jornalistas despejavam perguntas e ele se amaldiçoava a si próprio por ser tão prestável.
No fundo, parece-me que o que vimos aqui foi a transição para a realidade de um filme. Bowfinger com Steve Martin e Eddie Murphy que falava a história de um realizador muito mau que não tinha onde cair morto e que por causa disso resolve perseguir um famoso actor de cinema com uma máquina de filmar e fazer assim um filme com uma estrela, sem ter de lhe pagar cachet. Ora, é exactamente este plano malévolo que as rádios e televisões estão a tentar fazer neste país. Apesar da sua competição feroz, unem-se todas no mesmo objectivo de ter o Presidente da República como comentador político. Uma espécie de Marcelo de Rebelo de Sousa mas mais barato e com direitos a ter um pivot a apresentar o momento em que ele vai aparecer. Então sempre que ele aparece, vai de perguntar tudo sobre a actualidade e se possível sobre o futuro, porque existem certos dias em que o Presidente não está disposto a falar e acaba por responder "não cabe ao Presidente da República comentar esses assuntos". O que obviamente é uma Justiça.
Quanto ao Primeiro Ministro é fácil fazê-lo falar. Basta ir ter com ele e perguntar se ele leu os jornais que é fácil. Ele responde logo que é tudo uma cabala e que foram ultrapassados todos os limites da decência.
Mas vamos deixar o estado geral do jornalismo e focar-nos numa situação em específico...
Já repararam que em ocasiões que o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro estão presentes de forma oficial, os jornalistas rodeiam-nos e perguntam-lhes tudo desde o último escândalo da justiça, governo e arredores até à colocação dos astros e os resultados do campeonato de futsal da Gronelândia. Na primeira série dos Gato Fedorento, ainda na Sic Radical, foi feito um sketch onde parodiavam exactamente com essa situação. Pois bem, a semana passada, por ocasião de uma visita qualquer do Presidente da República, já não sei a que sítio, o mesmo foi solicitado para falar sobre diversos assuntos, dando origem a, se não estou em erro, quatro reportagens do Jornal da Tarde da RTP1. Ele foi Haiti, ele foi orçamento, ele foi tudo e mais alguma coisa. E era um sentimento de déjà vú, cada vez que anunciavam a peça, nós sabíamos quem iríamos ver, e onde, e até o senhor de barba que se ofereceu para segurar o gravador a algum reporter que não chegava até lá. Tive pena desse senhor... ter de ficar ali a segurar o gravador durante quase meia hora enquanto os jornalistas despejavam perguntas e ele se amaldiçoava a si próprio por ser tão prestável.
No fundo, parece-me que o que vimos aqui foi a transição para a realidade de um filme. Bowfinger com Steve Martin e Eddie Murphy que falava a história de um realizador muito mau que não tinha onde cair morto e que por causa disso resolve perseguir um famoso actor de cinema com uma máquina de filmar e fazer assim um filme com uma estrela, sem ter de lhe pagar cachet. Ora, é exactamente este plano malévolo que as rádios e televisões estão a tentar fazer neste país. Apesar da sua competição feroz, unem-se todas no mesmo objectivo de ter o Presidente da República como comentador político. Uma espécie de Marcelo de Rebelo de Sousa mas mais barato e com direitos a ter um pivot a apresentar o momento em que ele vai aparecer. Então sempre que ele aparece, vai de perguntar tudo sobre a actualidade e se possível sobre o futuro, porque existem certos dias em que o Presidente não está disposto a falar e acaba por responder "não cabe ao Presidente da República comentar esses assuntos". O que obviamente é uma Justiça.
Quanto ao Primeiro Ministro é fácil fazê-lo falar. Basta ir ter com ele e perguntar se ele leu os jornais que é fácil. Ele responde logo que é tudo uma cabala e que foram ultrapassados todos os limites da decência.
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