domingo, 29 de dezembro de 2013

Vazio

Há muita coisa mal neste mundo, muitas pessoas a fazerem coisas parvas, muitos espertalhões a aproveitarem-se dos mais fracos, dos mais desfavorecidos ou simplesmente dos mais distraídos. Resumindo, muito sumo para centenas de postas neste blog, mas mesmo assim, quando chega a hora de escrever, não surge nada. 

Branco.

Vazio.

E não se trata de bloqueio de escritor. Não desta forma. Isto é diferente. É como se tivesse chegado a um ponto em que não houvesse nada cá dentro para deitar cá para fora, nem mesmo sobre as maiores injustiças. Dormência. Confortável dormência. Seria caso para pedir ao mundo para parar de rodar apenas por uns momentos,  só até se conseguir recuperar algo que não se sabe bem o quê - seria tão fácil procurar por aquilo que se perdeu se apenas se soubesse o que era. 

São estes momentos de procura por algo interior que se volta, por momentos, para o exterior. Olhando um pouco cá para fora e para todas essas pessoas que referi antes, os espertalhões, os idiotas, os cínicos, os falsos, é impossível não questionar se estas mesmas personagens não se sentirão também elas vazias. Por exemplo, a classe política, muitas vezes aqui abordada e em grande parte conivente com o poder económico e esmagada à sua vontade, esmagando todo um povo, obrigando-o procurar pela sobrevivência num outro lado qualquer. Será que estes mesmos seres terão momentos em que se sentem vazios? Será que eles tem estes momentos de vazio? Mas a diferença seria... o vazio que tenho é sobre eles... será que eles sentem vazios sobre eles próprios? Ou será que a importância que os cargos para os quais foram eleitos ou apontados é de alguma forma uma prevenção para este vazio?

Perante o vazio será que dizem "recebo este dinheiro todo ao final do mês, tenho coisas até perder de vista, as pessoas respeitam-me, por isso... este vazio deve ser fome, vou jantar outra vez"? Se sim, talvez seja essa a razão do político/gestor/aldrabão ser um bicho que engorda com o tempo. Sempre a comer a ver se consegue tapar o vazio. Provavelmente comem tanto que têm que vomitar para comer outra vez, porque o raio do vazio não desaparece.

Divago. Os políticos/gestores/ladrões não sentem vazio porque isso seria partir do princípio de que eles olhariam interiormente ou que pelo menos estavam em contacto com aquilo que remotamente se parecesse com uma consciência. Se isso acontecesse, provavelmente suicidavam-se ou mudavam de profissão, já que as duas são inconjugáveis.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Azar

Não pretendo ocupar muito do vosso tempo com isto, até porque o povo português já deve estar cansado de todos os dias ser bombardeados de notícias sobre política, mas em modo expresso pode ser que a cena se torne mais suportável. É simples, uma simples pergunta:

Já olharam para a nossa classe política, para os nossos gestores e não sentiram arrepios de frio por sentir que não passamos de peões cujo maior dom é votar e descontar para impostos?

Com esta saga toda do Paulinho das feiras, é impossível que alguém não tenha sentido isso. A coligação amua, o país cai a pique, todos os sacrifícios feitos postos em causa de um dia para o outro, isto tudo para quê? Para que exista uma nova repartição de poder entre os dois partidos de governo. Não querendo personalizar, apesar da ambição que é reconhecida a Paulo Portas, a verdade é que este é o comportamento típico do político/gestor português, brincar com dinheiro e vida dos outros e nunca ser responsabilizado. Porque não criar um modelo de avaliação para ministros/gestores tal como foi criado para os professores? Porque é que não são punidos como o resto do mundo pela sua fraca prestação.

Eu tenho uma breve ideia, talvez seja um pouco demagoga,  mas mesmo assim, acho que vem de encontro ao factor expresso que mencionei.

Os políticos e gestores deste país não são punidos pelos seus erros de gestão, porque custa a acreditar que pessoas tão bem sucedidas, com carros, casas, apartamentos, filhos em colégios privados, férias no estrangeiro, e mais uma série de coisas que a grande maioria dos portugueses apenas sonha, possam ter responsabilidade no que diz respeito a gestão danosa. Com vidas privadas tão recheadas de sucesso, quem é que pode acreditar que no trabalho eles sejam tão medíocres. Deverá ser azar.

E é azar. Azar do português por ter de suportar com tantos iluminados que o deixam às escuras.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Papa Chico

Já temos um novo Papa. E se aquelas pessoas que estavam preocupadas por não termos Papa, ficaram descansadas, bem, elas que se comecem a preocupar novamente. A primeira coisa que o Papa pediu aos fieis ainda antes de ser entronizado foi para... rezar por ele.

Ora... isto é estranho. Quer dizer, a malta anda aqui neste mundo cheio de fome, miséria, corrupção, políticos, ladrões, gatunos, pedófilos, oportunistas e políticos. Sendo assim,  não é o Chico que precisa que orem por ele, somos nós! Para que é que nos serve um papa se ainda temos que rezar por ele também?  Por amor de Zeus,  não precisamos de mais trabalho! Já temos filhos, irmãos, pais e avós para tomar conta, não precisamos de mais um senhor de 76 anos para ir mudar a fralda e dar-lhe a papa e orarmos por ele. 

Se calhar estou a ser muito exigente mas acho que esta coisa de ser o representante de Deus na terra já teve mais importância do que tem hoje em dia. Quando é o próprio representante de Deus que pede que os fieis intercedam por ele junto do patrão... isto já diz um pouco do representante. Ele deveria estar perto, mais perto que todos os outros. A não ser que... ele tenha pensado algo do género.

"Por favor, digam-lhe algo da minha parte... não sei que se passa, ele já não me ouve mais. Vá lá. Façam-me o jeitinho"

domingo, 10 de março de 2013

Incompetência

É curioso como os mais altos cargos governativos estão isentos de responsabilidades. Quem diz cargos governativos diz tudo o que tenha a ver com gerir o dinheiro dos outros. E não me quero referir a corrupção. Não é que ela não exista, porque esse já é um ponto assente. Aquele em que todos falam, algumas vezes com razão, outras nem por isso. A questão é que a corrupção já se tornou uma desculpa para nos acomodarmos.

"Não vale a pena votar, são todos uns corruptos! Está tudo minado de corrupção!"

Não tenhamos dúvidas, onde existe poder, seja ele qualquer for, há sempre a tentação desse poder se corromper, seja pela pessoa que o tem, seja por pessoas que o querem usar, seja por ambos. Esta é uma questão recorrente, que dificilmente deixará de existir pelo menos na democracia ocidental - uma democracia que o é apenas no papel.

Vamos deixar a corrupção de lado e vamos falar de outra coisa mais sinistra: Incompetência. 

É fácil confundir as duas, porque por vezes é-nos difícil acreditar que alguém seja tão incompetente para prejudicar tanto o país/empresa, que só pode ser corrupto e estar a meter ao bolso. 

Não deveria ser a incompetência um crime? Ou pelo menos pagar multas? De certeza de que ajudaria em muito os cofres do estado em momentos como o actual . Se um ministro das Finanças repetidamente falha as suas previsões em relação aos objectivos atingidos, não será este ministro tão perigoso como aquele que desvia dinheiro ou é corrompido para prestar favores? É que em caso de corrupção ainda há alguém que se beneficiado. Em caso de incompetência, nem o próprio se favorece - embora, tenha que admitir, que há sempre alguém que consegue aproveitar dessas incompetências.

Erros de previsão, despesismo, contratos malucos que não trazem benefício ao país. Será que isto não dá direito a despedimento com justa causa? Incapacidade para ver que eliminar a classe média não vai aumentar as receitas do estado em termos de impostos (antes pelo contrário), incapacidade de cortar a sério onde há despesismo, não serão estas boas razões para que se chegar à conclusão de que este gestor do nosso dinheiro é inadequado?

Vamos imaginar que Portugal é uma família, e que o chefe de família do país é uma fusão de duas pessoas, o primeiro ministro, que não sabe muito bem o que fazer, e o ministro das finanças que vive no seu mundo, afastado da realidade. Ora se numa família chegasse à conclusão que se gasta mais do que o dinheiro que entra, será que não era melhor vender um dos três carros, deixar de dormir um dia por semana num hotel de luxo, cortar TV Cabo, as refeições fora de casa,  apenas para citar alguns exemplos? Isto seria o lógico, mas o que acontece realmente é que em vez de cortar com tudo o que é supérfluo, os gastos mantém-se, apenas se procura outras fontes de rendimento. 

Eu não percebo muito de matemática, mas acho que não é complicado, não é muito dramático. Se fosse um problema da escola e eu não o conseguisse resolver, tinha negativa. Se fosse numa empresa, seria despedido com justa causa. Se fosse na minha situação familiar, os credores viriam ter comigo. Então qual a dificuldade de cortar com a despesa? Será que os nosso governantes não conseguem resolver um problema simples como este, ou será que pediram todos equivalência e por isso, será normal a sua incompetência.

Ora não deveria este pessoal pelo menos pagar parte da dívida do seu bolso? Os actuais e os anteriores. Os prejudicados são sempre os mesmos, quem não pode fugir, quem trabalha, quem cumpre, quem não falha - e quando falha, cai-lhe o mundo em cima. Não deveriam as finanças ir ter com o Sócrates, com o Santana Lopes, com o Paulo Portas, com o Durão Barroso, como o Guterres, com o Cavaco e exigir-lhes algo pelos maus serviços prestados à nação? Exigir algo mais do que serem condecorados? Porquê premiar a incompetência? Será perder as eleições castigo suficiente? E o país que ficou perdido? Fica-se contente por, apesar do país estar destruído, pelo menos mudou-se de Governo por alguém igualmente incompetente?

É esse o problema, já se tornou normal sermos governados por incompetentes, de tal forma que não estranhamos, de tal forma que não nos importamos, de tal forma que nem queremos saber. Aceitamos com um encolher de ombros que diz "o que é que eu posso fazer" mas que nem se dá ao trabalho de ir votar, de ir-se manifestar. Não será também essa uma forma de incompetência? Não seremos também nós incompetentes? Aos olhos do governo, somos todos, sem dúvida, ora porque não apreciamos o esforço que  os nossos governantes estão a fazer, ora porque não temos mais dinheiro que possamos passar para as mãos do estado.

Diz-se que numa democracia, o país é de todos, e até pode ser mas na verdade, na verdade... apesar do país ser nosso, continua a ser gerido por mãos incompetentes, cuja sua única competência é servir-se bem durante quatro ou mais anos. É algo que pode exigir algum talento mas não creio que seja talento para ser recompensado.

sábado, 24 de novembro de 2012

Dentro

É um vício enorme que se tem de falar do exterior de forma crítica. É todo o princípio deste blog, falar de forma irónica e sarcástica de tudo o que se tem à nossa volta. Confesso que é o mais fácil, olhar para fora. Não tem muito que saber. É apenas abrir os olhos. Quer dizer... que disparate.

Como se abrir os olhos fosse algo fácil.

Existe algo ainda mais complicado do que abrir os olhos para ver o que está à nossa volta. Olhar para dentro. O que é que está cá dentro? Não vamos por um lado mais espiritual, de descobrir o verdadeiro Eu, até porque aí pouco há a apontar, porque também não há muito que se conheça. Não sejamos, portanto, ambiciosos e vamos ficar por aquilo que nos é possível atingir.

O Ego. Esse sacana.

O Ego basicamente é aquilo que nos diz para ficarmos zangados com coisas insignificantes e não estou a dizer isto por despeito, é mesmo por conhecimento de causa. Por diversas ocasiões dei por mim zangado com alguém por algo que de repente desaparecia do horizonte e a cada vez que eu, inocente eu, vítima indefesa do Ego, perguntava:

- Mas... mas... porquê?
- Porque sim!
- Mas o que é que esta pessoa me fez?!
- Fez-te, fez-te... coisas! Ninguém te faz coisas e se fica a rir! Têm que sofrer as consequências.

A verdade é que a dor sentida pelo Ego, é ampliada por mil até que chega ao eu. Que se sente ofendido por sentir aquela dor e como resposta, ataca. Só que isso só faz com que sinta mais dor, e vai crescendo, vai crescendo até que se chega a um ponto e o eu pergunta ao Ego:

- Ouve lá, mas porque raio me sinto assim tão mal?
- Porque te fizeram mal!
- Mas eu reagi, eu paguei na mesma moeda. Não devia estar melhor? E outra coisa, que raio me fizeram para eu estar assim tão revoltado?
- Bem... talvez tenha sido...
- Talvez tenha sido? Mas tu não tens a certeza? Estás ofendido com alguém e não sabes porquê?
- Eu... não me lembro...
- TU... NÃO... TE... LEMBRAS?!
- ...pois... desculpa...

Na verdade, muitas vezes magoamos esta ou aquela pessoa por não querermos dar o braço a torcer, ou dar a outra face, porque isso é simplesmente muito cristão, ou porque isso nos faz sentir fracos, mas a verdade é que responder na mesma moeda apenas faz que se sinta o mesmo a dobrar. Admito que o problema possa exclusivo meu, por muito que o meu Ego pense que aquilo que sente é válido para toda a humanidade (por alguma razão é Ego e não ego), admito que as outras pessoas consigam conviver consigo próprios, sentindo ódio ou raiva por outros, que isso não lhes faça diferença, que nem sequer se apercebam do sentimento dentro de si. No entanto... acho que o grande problema de todos (e agora não é o meu Ego a falar) é desconhecermos mesmo o que temos de nós e acharmos que é tudo porque o que está à nossa volta... está à nossa volta.

É o dom fantástico do ser humano, pensar que sabe tudo sobre si, quando na verdade, só depois de admitir que não sabe nada é que pode começar, finalmente, a saber algo.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Cultura

Com que então... a RTP2 vai com a porca. 

Não deixa de ser engraçado, o canal português que mais ênfase dá à cultura, à arte, às modalidades desportivas que não o futebol, à informação/documentários de qualidade, seja o sacrificado.  

Engraçado de uma forma deprimentemente irónica.

Basta tentarmos ver um pouco com mais atenção.

Em Portugal, a música não é cultura, não tendo o mesmo valor de imposto IVA que um livro, por exemplo. É certo que é uma questão de tempo até que seja tudo nivelado pelos 30% de IVA que o governo inevitavelmente vai estabelecer num futuro mais próximo.

Em Portugal, não há problema de um primeiro-ministro ser condecorado pelo seu serviço à pátria mesmo que a sua governação tenha levado a pátria (ou pelo menos ajudado) a um buraco mais fundo.

Em Portugal, não há problema de um primeiro-ministro mentir para todo o mundo, afirmando ter visto as armas de destruição maciça no Iraque quando elas não existiam. Nem há problema de recompensar esse visionário com o cargo de presidente da Comissão da Europeia, se bem que o cargo não foi uma recompensa pela visão que teve e sim a razão.

Em Portugal, em vez de fazer reformas administrativas profundas e de acabar com os tachos das fundações e parcerias público-privadas, é escolhida a difícil tarefa de aumentar impostos e de sufocar a economia. Se o governo fosse um médico, decidiria cortar a perna ao paciente por se encontrar gangrenar, em vez de simplesmente tirar o garrote que está a impedir a circulação de sangue.

Em Portugal, criam-se e aprovam-se leis pelas mesmas pessoas que vão beneficiar das mesmas nos seus trabalhos part-time (porque ser deputado é algo tão reles, que é necessário ser também trabalhar noutro lado qualquer para garantir a sobrevivência).

Em Portugal, tudo o que for limitações à corrupção são rapidamente ultrapassadas por vazios legais, indefinições ou conversa jurídica da tanga que faz com que no final do dia, se tiveres um advogado que fale bem conversa jurídica da tanga, estás safo. Quando não se existirem vazios legais, bem, então a têm que se recorrer aos senhores do part-time para alterar as mesmas.

Em Portugal, desde que o raio do D. Sebastião foi levar porrada dos mouros, que uma corja de interesseiros, lesmas, sanguessugas, chupistas, mentecaptos, energúmenos, chico-espertos e anormais se instalou no poder com interesse de favorecer os seus e os próximos à custa de todo um povo. Por isso não é surpresa nenhuma tudo isto. Não é surpresa a educação estar um pântano desde o 25 de Abril (isto não querendo dizer que antes era melhor, talvez mais rigorosa no seu programa mas que educação pode governo fascista dar ao seu povo?), não é surpresa os roubos flagrantes de dinheiros públicos, não é surpresa nenhuma a justiça ser uma anedota, não é surpresa nenhuma a saúde se aproximar cada vez do modelo americano em que tens que ser rico (ou seja, ter um seguro) para teres acesso a ela. Nada disto é surpresa, porque no fundo, o português médio já está habituado a ser sodomizado desde a Idade Média. É por isso é que o povo é sereno, é por isso é que somos um povo de brandos costumes. Porque o buraco do anûs já está tão lasso que a malta não sente nada.

Segundo a ex-estrela do FMI e actual estrela de culinária do governo de Passos Coelho que está agarrado ao tacho do acompanhamento das privatizações idealizadas pelo estado português, a RTP2 não tem audiência nenhuma e por isso não tem razão de existir. 

E faz todo o sentido.

Proponho queimar as partituras de Mozart, os quadros do Picasso, os livros do Saramago, Proust, Tólstoi, porque isso faz doer a cabeça das pessoas que os tentam ler, acabem com os museus, acabem com os fados, acabem com a música, acabem com a literatura, porra, acabem com tudo o que obriga o português a pensar porque não interessa ter um povo informado, não interessa ter um povo que pense por si próprio porque nesse caso vão começar a questionar aqueles que o governa. Porque não interessa dar serviço público a essas pessoas, informação, cultura, arte, interessa é encher os olhos com o mesmo lixo que passa nos restantes canais para que eles se mantenham entretidos e com os olhos fechados como uma boa ovelha obediente. 

Pegando na mesma imagem do médico... se o nosso governo fosse médico, tratava toxicodependentes com heroína, porque é isso que eles querem. Mas talvez o governo e todos aqueles que detém o poder de uma forma ou outra não sejam médicos. Talvez eles sejam traficantes e nós os clientes.

Até morrermos de overdose de excremento no nosso corpo e sobretudo nas nossas mentes.

terça-feira, 1 de maio de 2012

"Patrão"

O Pingo Doce faz a campanha das campanhas sem publicidade, apenas recorrendo ao estado psicológico de penúria a que chegaram os portugueses, chegando assim a ter o nome da marca nos telejornais de todas as televisões sem gastar um tostão. 

50 % de desconto para compras acima dos 100 euros, uma táctica desesperada? Talvez. 
Eficaz? Definitivamente.

O que é que isto revela? Que apesar da crise, os portugueses continuam vítimas de um consumismo desenfreado que os faz correr a super ou hiper-mercados, dispostos a entrar e provocar confusões, provavelmente para levar coisas que não precisam, apenas porque metade dessas coisas que não precisam é de borla.

Assim a empresa que antes estava na mó de baixo por fazer aquilo que 17 ou 18 empresas do PSI 20 já tinham feito antes, encontra uma forma de se redimir aos olhos do consumidor que são no fundo o patrão. E é engraçada esta questão do patrão ser o cliente, porque se formos a ver, é um "patrão" muito fácil de manipular. É um "patrão" que vai a correr quando o "empregado" quer que ele corra, que compra o que quer que ele compre. O chamado "patrão" submisso. O que é certo é que o "patrão" não sabe que é realmente o "patrão" e é incapaz de ler nas entrelinhas, por não ter capacidade para tal, por não ter tempo, por estar muito ocupado a sobreviver ou simplesmente por não querer saber.

Há tantas opções, tantos ideais.
Comprar produtos portugueses para apoiar os produtores nacionais, comprar produtos que não façam testes em animais, comprar produtos que não tenham fábricas em países de terceiro mundo onde os trabalhadores são explorados, não comprar fruta espanhola porque além de ser pior que a portuguesa, bem... é espanhola.

É normal que quando surjam campanhas como esta, o "patrão" se descontrole e diga, "que se lixe, vou chular este empregado". É normal porque este é o "patrão" que mal dinheiro tem para sobreviver e quando o tem, opta pelo mais barato. É no entanto também o "patrão" que não dispensa as suas cervejas no café, as suas férias no Brasil ou a roupa de marca. É um "patrão" que ainda não se apercebeu que por mais descontos e promoções que surjam, que os "empregados" vão tentar vender-lhe os produtos que eles não querem comprar. E vão conseguir.

Este patrão é uma vítima de si próprio, da campanha de aumentos nos media, onde está tudo tão caro que se aparece qualquer coisa 10 cêntimos mais barato, a 100 quilómetros de distância, a única coisa a fazer é correr até ao local e comprar imediatamente, sem hesitar. A lavagem cerebral é tão grande e tão forte que este "patrão" é apenas um peão na mão dos seus "empregados".

Dá vontade de despedir este "patrão" mas o mais triste e sobretudo irónico é que a maior parte deles... já está desempregada.