domingo, 24 de julho de 2011

O Mundo Em Que Vivemos

Já repararam?

Crise económica, convulsões sociais, revoltas. É inegável que o mundo em que vivemos está em profunda transformação. Não só a sociedade mas como também o mundo físico. Tempestades, cheias no Verão, seca no Inverno. É o tempo propício para as profecias, para o 2012, para as novas eras, para a crença generalizada que isto tudo vai-se danar e voltamo-nos para o Apocalipse, as Revelações, para os Maias, para os Evangélicos, para a Segunda Vinda, para Nostrodamus, ou os muitos nossos Bandarra e Agostinho da Silva, para todos aqueles que milhares, centenas ou dezenas de anos atrás previram que a evolução do ser humano iriam descambar, inevitavelmente, na sua destruição. Apesar de todos os avisos, de todas as descrições horrendas do fim dos dias, caminhamos orgulhosamente para esse fim. Não estou a dizer que deveríamos atirar-nos para o chão e arrepender-nos dos nossos pecados até porque se o todos o fizessemos, mais de metade o iria fazer apenas para tentar salvar a pele. Colhemos o que semeamos. Como pessoas, como raça humana. E agora é tarde demais para voltar atrás, já não há como. Apenas temos espaço para prosseguir um caminho em frente, diferente, daquele que os nossos governantes nos indicam, o caminho do sacrifício por uma economia de recursos falida, com a ilusao que daqui a uns anos estará tudo bem, quando os recursos na qual se baseiam estão no limite da extinção.

Esta conversa toda para quê?

A mudança virá, sem dúvida, talvez ela fosse inevitável pela nossa própria forma de agir/ser, ou talvez fosse apenas um ciclo que as nossas acções fizeram com que fosse antecipado. Uma coisa é certa, este modelo social/económico não resulta e está a dar as últimas porque este quadro já não tem mais espaço para ser escrito e provavelmente ou inevitavelmente, vai ter de ser apagado para se começar a escrever algo novo, com a esperança de não cometer os mesmos erros do passado. O problema é que o mundo em que vivemos não tem a memória curta, agora a espécie dominante que habita nele...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ahhh Sócrates. Votar em ti, ou não votar em ti...eis a questão.

Acabaram de me convidar no Facebook para um grupo chamado “POR FAVOR NÃO VOTEM NO SÓCRATES”.

Bem a minha relação com o senhor primeiro ministro não é seguramente muito amistosa. O governo PS foi mau, ele foi mau em muita coisa, foi arrogante, mentiroso, e existe possibilidade de estar envolvido em actos criminosos.
Apesar disso recusei imediatamente entrar no grupo. Porque? Numa palavra acho uma ideia imbecil.

Sócrates tem TUDO para ter toda a gente contra ele. Mesmo tudo, tem tudo para que eu o odeie. Mas não sou capaz, porquê?

A oposição, em particular o PSD é de uma cretinice, as ideias são idiotas, os protagonistas não lhes ficam atrás.

Contratos verbais, aumento do IVA, que depois já não é aumento é passar produtos de um escalão para o outro, é perder na reforma quando se faz a malandragem de estar desempregado.

O senhor Miguel Relvas que diz que votar noutros partidos é “desperdiçar o voto”, parece um caniche a vir rosnar sempre que o Primeiro Ministro fala, e parece que fica excitado cada vez que diz que o primeiro ministro fala com luvas de boxe calçadas. Agora usam outra “terrorismo político”.

Podia falar aqui de tanta coisa imbecil que estes senhores fizeram, mas o mais ridículo de tudo é que por muito mau que o Sócrates seja, estes tipos são tão piores que de repente até o Sócrates não parece assim tão mau.

É como ter uma grande dor de barriga, é mau e uma pessoa só quer aliviar os intestinos. No entanto quando comparado uma tortura oriental a coisa nem parece tão chata.

Isto já para não falar que desde que me lembro como gente sempre se falou em problemas com divida, défice etc. etc. …e eu não tenho 6 anos. Têm a lata de dizer que a culpa é só dele?

Eu provavelmente não vou votar no Sócrates, mas o que me tira do sério em relação a grupos como este é que provavelmente muita daquela gente está com uma ânsia tão grande de se livrar dele que muito certamente se vão meter numa situação pior.
Isso e a vontade de ser do contra talvez, ou então o facto de não apreciar que me digam em quem devo ou não votar.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Concurso

Não sei porquê mas estas presidenciais parece-me que é disputada por crianças do sexo masculino não muito seguras da sua masculinidade e que têm que fazer concursos para ver de todos quem tem a pila maior. A sério. Não há a porra de uma ideia transmitida que não seja acusar de falta de integridade de um candidato, sugestão de corrupção de outro, dizer que A é mais patriótico que B porque foi espancado pela PIDE, dizer que B é fascista porque teve uma nota de bom comportamento por parte da PIDE. E depois quando se fala de outra coisa além de atacar os outros candidatos, vem a demagogia toda.

"Eu vou fazer os possíveis e os impossíveis para lutar contra a pobreza."

"Eu vou estar do lado dos mais fracos."

Eu pensava que isto era umas eleições presidenciais mas afinal são eleições messiânicas. Querem eleger o próximo Cristo pela calada. As frases acima querem dizer nas entrelinhas que afinal:

"Eu vou amar-vos e ensinar-vos as virtudes da pobreza."

"A compaixão é a mais poderosa arma."

Eu sugeria em vez de votos, que eles fossem eleitos por provas. Do género... quem conseguisse curar uma colónia de leprosos, seria eleito Cristo da República Portuguesa. E se ficasse com lepra... era só esperar pelos próximos candidatos. 
Hum... se calhar ia haver um boom de leprosos em Portugal. Se calharm, o melhor é fazer mesmo um concurso para ver quem tem a pila maior. Se eles se calassem por um bocado, até acho que valia a pena. Faziam uma tour por todas as juntas de freguesia para que os presidentes de mesas de voto pudessem comprovar quem tinha a pila maior, sem qualquer estímulo, atenção. Depois de se dar a média final, estava assim decidido. Acho que era mais justo, já que também ninguém deve de ir votar de qualquer forma.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Porque Não Para Todos?

Acabou de chegar à minha secretária um comunicado de última hora do qual ainda se desconhece a veracidade. Ao mais alto rigor jornalístico, o documento contém o orçamento da assembleia da república de 2010 e incita ao linchamento público de todos os políticos, a começar nos que estão no governo. Apesar de gostar de linchar políticos, também tenho uma curiosidade que me obriga a investigar um pouco a razão desse linchamento. Ok... não preciso de razões para linchar políticos, eu sou é mesmo curioso, admito.
A minha curiosidade levou-me a procurar o orçamento da Assembleia da República para 2011, já a prever as medidas de austeridade. Como tal e para não ir no barco errado, fui mesmo à fonte, ou seja, o diário da república. Para já, esta coisa de democracia transparente tem muito que se lhe diga. Assim que se diz aos políticos que eles têm que ser transparentes, vai de colocar a coisa por artigos e alíneas e usar termos jurídicos para que a maior parte dos labregos ignorantes como eu não percebam lhufas do que estão a (tentar) ler. Sabem que mais cedo ou mais tarde as pessoas desistem, seja porque vem o fisco ou o tribunal levar-lhe o computador ou porque a luz é inevitavelmente cortada por falta de pagamento, e que essas mesmas pessoas vão acabar por preferir ocupar esse tempo precioso para ver os jornais desportivos ou as últimas movimentações nesse fascinante mundo da actividade social que é o jet set.
A primeira coisa que posso dizer é que... apesar da crise, continuam a ser muitos milhões juntos. Como já disse diversas vezes a diversas pessoas, quando a quantia passa os 1275 euros, eu não faço a miníma ideia do valor real da quantia. Aliás, nem dos próprios 1275 euros eu faço a miníma ideia da equivalência real em termos de valor (ou seja, em escudos). De qualquer forma, vou tentar salientar alguns dos pontos que acho mais flagrantes :

- Subsídio de Refeição - 619.720.00€
- Combustíveis e lubrificantes - 112.750.00€
- Vestuário e artigos pessoais - 83.750.00€
- Material de escritório - 358.070.00€
- Prémios, condecorações e ofertas - 155.740.00€
- Comunicações (englobando Internet, fax e voz) - 1.132.220.00€
- Transportes - 4.344.770.00€ (dividido em dois: Transportes Deputados - 3.963.650.00€; Transporte outras situações - 381.120.00€)
- Deslocações e Estadas - 1.537.216.00€ (dividido em dois: Deslocações Viagens - 902.229.00€; Deslocações Estadas - 634.987.00€)
- Outros trabalhos especializados - 3.434.655.45€ (dividido em três: Outros trabalhos especializados Diários da Assembleia da República - 71.470.00€; Serviços de restaurante, refeitório e cafetaria - 952.654,00€; Outros trabalhos especializados - 2.410.531,45€)

Tem mais uma série de coisas que não percebo, mas se fosse a enumerar essas, o blogspot não tinha espaço suficiente, por isso vamos nos manter por esta pequena amostra. Aproveito também para fazer a passagem com a actualidade política, as notícias dos mais variados quadrantes onde a ordem do dia (sim porque eles fazem e anunciam estas coisas à luz do dia, nem tentam esconder) é tentar safar-se às medidas de austeridade, sendo que os últimos desenvolvimentos foram por parte da região autónoma dos Açores, que através do seu presidente, fez saber que os cortes anunciados na função pública iriam ser compensados (sabe-se lá como) através de um fundo qualquer, evitando assim perdas nos salários dos funcionários. Depois de algum silêncio, o Governo afirma categoricamente que não haverá excepções de qualquer tipo embora admita que não tem poder para mexer com as decisões tomadas pelo executivo dos Açores. Vou fazer um esforço consciente para não comentar e não me dispersar mais sobre o assunto. 

E qual é o assunto? O assunto é austeridade. Peguem nos números e vejam se vêem alguma austeridade. É certo que não temos os do ano passado, e ainda bem, porque ainda podíamos culpar a Assembleia da República pela crise que estamos a viver. 
Sempre fui ensinado que se dizemos alguma coisa, temos que dar o exemplo. É certo que as pessoas que me ensinaram isso, muito frequentemente não o cumpriram. Ora, a malta do governo e a restante classe política deveria dar o exemplo, mesmo que saibamos que eles enchem a barriga à grande às escondidas, mas deveriam pelo menos ganhar mais alguma vergonha, se usassem a palavra austeridade e participassem em gastos monumentais como o pequeno exemplo indicado acima. Eu quero que a classe política mergulhe a fundo na austeridade. 

Eu quero que eles acordem com ela, que a comam durante o dia e que se deitem com ela. 

Não quero que tenham subsídio de alimentação, quero que levem sandes de casa, de manteiga durante três dias, fiambre num e queijo noutro - atenção, nada de sandes de queijo e fiambre, austeridade é austeridade! E não é necessário cantinas nem refeitórios. Máximo dos máximos, montem uma roulote no corredor principal, para as necessidades.

Não  quero cá subsídios para vestuário e artigos pessoais, não há artigos pessoais pagos pelo Estado porque assim deixam de ser pessoais e passam a ser públicos e aquela cambada de sacristas não vai devolver nada!

Não quero cá dinheiro gasto em material de escritório. Quero que roubem material de escritório. Quero que se faça uma corrente com os deputados europeus para que se envie material de escritório de Bruxelas para cá. Quero que o nosso país seja temido lá fora, de tal maneira que todos esvaziem as secretários assim que um português esteja nas imediações. Quero que seja de tal maneira que as medidas de segurança sejam tão fortes que os deputados portugueses tenham que usar a sua imaginação para lhes furtar clips e canetas e resmas de papel e impressoras e portáteis. Nós conseguimos. Se é para roubar e enganar o próximo, nós conseguimos sempre dar a volta por cima.

Não é preciso dinheiro em comunicações, internet, fax e telefone. Basta ligar a televisão para ver que por 19.90, temos tv por cabo, internet e telefone. Não há fax, mas há e-mails. É só fazer mais um esforço e pedir a algum eurodeputado para desviar algum scanner a um euro-colega e temos uma solução mais económica. E com a tv por cabo, se calhar, evita-se ausências em dias de jogos de Portugal. Assim até viam os jogos todos juntos, discutiam quando era falta ou não e levantavam-se todos juntos a gritar golo. Iria apelar à união entre os portugueses.

Eu não quero cá deslocações e estadas.O máximo que aceito é um passe social. Não é preciso motoristas, não é preciso dinheiro para combustíveis. Eu quero que eles andem todos de metro para serem todos assaltados e violados e espancados (não necessariamente por esta ordem), tal como qualquer outro português. Eu quero que eles fiquem sufucados no meio do sovaco alheio quando o metro está cheio. Quero que sejam molhados por um fogareiro, quando esperam pelos autocarros. Eu quero que eles andem a pé, que corram para fazer exercício e para melhor fugir às quadrilhas que andam por aí à solta. E essa história de estadas... isso tem que acabar. Deputados não se desloca. As coisas é que se deslocam até ele. Se tem família, a família que vá até ele; se tem amante, a amante que pague o hotel; se tem gato, o gato que pague o gatil.

Eu quero que o nosso país seja novamente respeitado no exterior. Quando houver cá mais alguma cimeira, eu quero que os presidentes e primeiros-ministros dos países participantes saiam de cuecas do edifício. Quero que paguem portagens para sair do edifício, quero que paguem portagens para entrar no aeroporto. Quero os aviões desmontados por completo quando tiverem para se ir embora. 

Quero que façam todos os possíveis e impossíveis para não gastarem o que não têm, que cortem nas despesas desnecessárias. Quero que deixem de comer para dar de comer aos seus filhos. Quero que a luz, água seja cortada. Quero que sejam despejados das suas vivendas e apartamentos. Quero que o carro seja recolhido pela o stand de automóveis. Quero que se deitem a pensar como hão-de sair do buraco em que estão metidos, quero que passem a noite em branco a pensar em como hão-de sair do buraco em que estão metidos e quero que encontrem essa mesma saída quando for hora de se levantarem, mesmo sabendo que a solução não está ao alcance.

Quero que eles passem pelo mesmo que muitos portugueses passam há muito tempo e por aquilo que muitos mais vão passar no futuro. Não são portugueses também? A austeridade é para alguns... porque não para todos?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

As Diversas Faces da Mesma Crise

Eu tentei passar ao lado da tentação de falar da actual situação económica e dos responsáveis por essa mesma situação. Eu juro que tentei... com força e afinco... mas não dá. Os telejornais dedicam-lhe meia hora do seu espaço. De manhã, á hora do almoço e à noite, como o substituto eleito do 11 de setembro, furacão Katrina, terramoto no Haiti, enchurradas na Madeira, o Freeport. Se fosse suficientemente paranóico poderia dizer que estão a tentar-nos manipular com distrações. A mão do ilusionista faz movimentos estranhos, captando a atenção da plateia, enquanto a outra, faz o truque que a vai surpreender, mesmo estando ali à vista de todos. Será sempre assim, mas não é dessa condição que quero falar. Quero fazer a vontade àqueles que querem que se ouça, fale e pense na crise. 

Por todo o lado, governos tomam medidas de austeridade, cortes aqui, cortes ali. Com algumas ténues diferenças, todos os países apoiam-se sempre no mesmo, o contribuinte para suportar o peso excessivo que o estado representa no défice do país. É sabido que quando há grandes crises ou até mesmo depressões económicas, há também - sempre - quem lucre milhões. Mas por muito que possa parecer estranho, não são esses que me revoltam. Que nas sombras, têm as suas influências, como teias (ou mesmo tentáculos) têm um grande alcance para fazer mover as peças/pessoas necessárias para cumprir os seus objectivos. É preciso alguma inteligência, mesmo que seja usado para o... mal, chamemos-lhe assim. No entanto, aqueles que me irritam são os chico-espertos. Acho que não seja um exclusivo da nossa nação, mas por vezes tenho a impressão de que sim. 
Um governo que aumenta impostos alegando ser a única forma de combater o défice, não cortando na despesa e mantendo gastos farónicos com tachos para os boys acho que é uma boa súmula daquilo que quero dizer. Embora pudessem ter braços compridos para fazer as suas coisas das sombras, este tipo de indivualidade prefere fazer as coisas às claras apenas porque é preguiçoso.

- 3000€ de ordenado para gestor público, isso não vai dar bandeira?
- Não, pá. Eles já estão tão habituados que não dizem nada. E se disserem, sai uma notícia mas depois fica tudo na mesma.
- Se for assim... então está bem.
- Porreiro, pá.

Há tanta coisa feita às claras, no que diz respeito a vencimentos chorudos, a festas, a contratos publicitários, tanta obscenidade, tanto insulto aqueles que trabalharam toda uma vida e que têm uma reforma de 300€, que se eu fosse a enumerar, não saíria daqui antes do Natal.

Só me consigo rir, pensando na ironia de uma frase feita de certos políticos uns tempos atrás. Políticos que estavam no poder e agora também, que diziam que era difícil encontrar bons ministros que se sujeitassem às pressões que são inerentes ao cargo que ocupam por  um vencimento baixo, comparando com o sector privado. Então... temos ministros incompententes porque aqueles que são mesmo bons não se estão para sujeitar à má vida. No entanto, os ministros incompententes que se sujeitaram  a tal, depois de saírem do governo têm dois destinos:

- Ou vão para empresas privadas às quais as suas decisões afectaram positivamente (atirando dois nomes ao acaso, Lusoponte, Galp e Mota-Engil, perfeitamente aleatórios);
- Ou vão para gestores públicos, receber mais dinheiro do que aquele que estavam a receber como ministro, não tendo aumentado a sua competência para esse .

Se eu fosse fanático de futebol diria que, a situação do estado Português é como a da Sporting. A academia deles é muito apetecida porque de lá sairam grandes jogadores, como Figo, Ronaldo, Quaresma, Nani, etc. Jogadores que depois de lá jogar, deram o salto para os milhões. Se Portugal fosse o Sporting, eu diria que  o objectivo dos jogadores não é ajudar o Sporting a ser campeão, mas apenas usá-lo como trampolim para os milhões. O Sporting não ganha, os chulos orientam-se bem orientados, e o adepto sonha em mudar de clube, porque já sabe que mesmo mudando de treinador, de jogadores, de presidente... o que vem a seguir, é sempre pior.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

...And Justice For All - Parte 1

O processo Casa Pia era a prova definitiva do estado da nossa justiça, o derradeiro teste e temo dizer que a nota foi negativa. Confesso que tenho uma certa simpatia pelo Carlos Cruz, como figura pública e por ter feito ou por fazer parte da minha memória e do meu desenvolvimento como pessoa. Tenho discernimento suficiente para saber que o que vêmos na televisão das figuras públicas não é representativo do que eles são realmente na sua vida íntima. Nem as pessoas com quem lidamos no quotidiano quanto mais as figuras públicas. No entanto isso não quer dizer que ele ou todos os outros restantes tenham de ser obrigatoriamente culpados. É o que parece, é a sensação que fica, estas pessoas tinham de ser obrigatoriamente culpadas.

Não quero simplificar todo este processo, nem quero passar a ideia que tenho a arrogância de saber o que devia ou não devia ter sido feito, com a excepção de uma coisa que assumo a arrogância de dizer que deveria ter sido, obrigatoriamente, feito:
Todas as dúvidas deveriam ter ficado desfeitas e a questão é que elas não ficaram. Depois de uma eternidade, a montanha pariu um rato e pariu-o mal e durante mais duma semana. Resultado prático, o que deveria servir como exemplo da justiça (ou seja as condenações) acabou por descredibilizar o pouco que havia.
Vamos a enumerar :

1-Oito anos para sair a sentença, quiliões de páginas do processo (deve ter queimado mais árvores que os incêndios do verão de 2005), provas, CDs e DVDs, número record de testemunhas, quase mil. Oito anos... não é demasiado tempo? As penas de prisão são menores que o tempo que o processo demora a chegar ao fim. Em vez de condenar os criminosos a penas de prisão, não será melhor condená-los a penas de tribunal? Parecem ser mais severas...

2-Ziliões de crimes aos arguidos, fora aqueles que estavam no processo e não chegaram a ser arguidos. As únicas provas são as testemunhas. Será que as testemunhas que eram a prova dos que não chegaram a ser arguidos tiveram incentivos para deixarem de serem prova. O que coloca outra questão... será que as testemunhas que são prova de que os que são arguidos são realmente arguidos,receberam algum incentivo para dizerem que os que são arguidos são realmente arguidos?

3-O acordão da sentença tem mais de 2000 (!!!) páginas o que faz com a mesma não seja lida por completo. Não era suposto a sentença ser algo rápido, do género "és um cabrão, estás fodido e vais para a prisão apodrecer até ao final da tua vida mas como já gozaste 15 anos de prisão preventiva, ainda chegas a passar o natal na casa com a tua família"?

4 -Esse mesmo acordão demora uma semana a chegar às mãos dos arguidos, depois de um dos advogados duvidar que ele sequer existia por completo. Supostamente foram problemas informáticos. Deve ser complicado gravar um cd dum ficheiro word, principalmente quando ele não existe (oops).

5-Os arguidos foram condenados por uma décima dos crimes que foram condenados e as únicas provas são os testemunhos, principalmente na casa de Elvas. O curioso é que a dona da casa, onde se passaram todas as orgias pedófilas, não foi acusada. Ou seja... as testemunhas colocam os arguidos na casa de Elvas, mas não devem ter visto a dona. O que é estranho porque se eles são condenados por assalto sexual ou que raio foi o termo jurídico-legal, também deveriam ser condenados por invasão de propriedade privada já que estavam na casa de uma pessoa que não conheciam, sem esta saber. Aparentemente.

Estas são apenas algumas das questões que me suscitaram dúvidas e não estudei nem acompanhei muito o processo, nem de perto nem de longe. No entanto fiquei com estas dúvidas. Muita gente ficou com dúvidas, porque esta merda deste processo cheira mal como a... bem, como a merda.

Um dos advogados das vítimas da Casa Pia disse que este processo teve excessos simplesmente porque a lei permite. Pensando assim não é de estranhar que tenham sido ouvidas tantas testemunhas... até nos permite ficar com a ideia que quantas mais fossem, melhor porque a ideia mesmo era enrolar, atar e atolar a justiça até que ela não possa fazer mais nada. E é assim que se subjuga um povo, com uma justiça com leis ambiguas o suficiente para que não funcione quando interessa que ela não funcione.

E este é o primeiro passo para te adormecerem, carneiro. Dão-te ferramentas que dizem que funcionam mas que têm as portas de saída escolhidas a dedo para que eles nunca fiquem entalados.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Cansaço

A desvantagem de se estar cansado é que se fica mais sensível. Pode-se até pensar que, para quem tem um blog deste género, as coisas podem ficar facilitadas, afinal com tanta sensibilidade, é só escolher.
Acontece que eu estou tão cansado, tão cansado, que não consigo focar-me em nada específico.

-Poderia começar nas modas da protecção dos animais (nada de errado com isso), passar pela a dos vampiros e lobisomens a comerem humanas (há algo de muito errado com isso!) e as modas no geral, qualquer uma delas. Acabem com elas todas.

-Poderia falar de futebol mas aí era capaz de chorar por alguns dias e então acabaria por encharcar o blog todo e este revestimento não é impermeável. Há coisas que nunca vou perceber e constante procura por fruta sul-americana e espanhola é uma delas. Deve ser por não perceber nada de agricultura.

-Poderia falar de política ou justiça (ou falta dela) ou economia... mas cada um destes assuntos é tão vasto que não saberia por onde começar. E não sei. Embora tenha soluções, para não virem com bocas foleiras que só meu queixo e não apresento alternativas.
Simples:

Marcelo Rebelo de Sousa para presidente da républica, primeiro-ministro e para chefe da oposição
Marinho Pinto para Juíz e advogado de todos os casos em Portugal. Sem engonhar, em 24 horas, ele punha tudo em dia.
Para a economia... se calhar não se punha ninguém, isto vai tudo para o buraco também, por isso...

- Poderia falar de televisão, mas depois começo a pensar na informação na TVI, Sic e RTP e começa a dar-me vómitos. Estou cansado demais até para vomitar. Acho que até para uma flatulência. E este assunto tem flatulência suficiente para dar ar quente ao balão do Willie Fog na volta ao mundo.

- Poderia falar dos fogos e da anedota da legislação e da organização dos vários mecanismos que em vez de impedirem que hajam fogos, asseguram que todos os anos o filme seja o mesmo. Tenho pena que não queimem São Bento, só para ver se afirmam que foi uma beata que começou tudo.

- Poderia falar da Igreja Católica, porque, além de também meter beatas, a pedofilia é um assunto sempre actual.

- Poderia falar do meu ódio de estimação à humanidade em geral e com os nazis e todos os idiotas, amebas extremistas em particular que por viverem em democracia, escondem-se atrás dela para espezinhar os mais fracos e indefesos.

Poderia ficar aqui dia e noite a enumerar material a explorar, mas não adianta, o meu cansaço continua crescente assim como a minha indiferença.