sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Cultura

Com que então... a RTP2 vai com a porca. 

Não deixa de ser engraçado, o canal português que mais ênfase dá à cultura, à arte, às modalidades desportivas que não o futebol, à informação/documentários de qualidade, seja o sacrificado.  

Engraçado de uma forma deprimentemente irónica.

Basta tentarmos ver um pouco com mais atenção.

Em Portugal, a música não é cultura, não tendo o mesmo valor de imposto IVA que um livro, por exemplo. É certo que é uma questão de tempo até que seja tudo nivelado pelos 30% de IVA que o governo inevitavelmente vai estabelecer num futuro mais próximo.

Em Portugal, não há problema de um primeiro-ministro ser condecorado pelo seu serviço à pátria mesmo que a sua governação tenha levado a pátria (ou pelo menos ajudado) a um buraco mais fundo.

Em Portugal, não há problema de um primeiro-ministro mentir para todo o mundo, afirmando ter visto as armas de destruição maciça no Iraque quando elas não existiam. Nem há problema de recompensar esse visionário com o cargo de presidente da Comissão da Europeia, se bem que o cargo não foi uma recompensa pela visão que teve e sim a razão.

Em Portugal, em vez de fazer reformas administrativas profundas e de acabar com os tachos das fundações e parcerias público-privadas, é escolhida a difícil tarefa de aumentar impostos e de sufocar a economia. Se o governo fosse um médico, decidiria cortar a perna ao paciente por se encontrar gangrenar, em vez de simplesmente tirar o garrote que está a impedir a circulação de sangue.

Em Portugal, criam-se e aprovam-se leis pelas mesmas pessoas que vão beneficiar das mesmas nos seus trabalhos part-time (porque ser deputado é algo tão reles, que é necessário ser também trabalhar noutro lado qualquer para garantir a sobrevivência).

Em Portugal, tudo o que for limitações à corrupção são rapidamente ultrapassadas por vazios legais, indefinições ou conversa jurídica da tanga que faz com que no final do dia, se tiveres um advogado que fale bem conversa jurídica da tanga, estás safo. Quando não se existirem vazios legais, bem, então a têm que se recorrer aos senhores do part-time para alterar as mesmas.

Em Portugal, desde que o raio do D. Sebastião foi levar porrada dos mouros, que uma corja de interesseiros, lesmas, sanguessugas, chupistas, mentecaptos, energúmenos, chico-espertos e anormais se instalou no poder com interesse de favorecer os seus e os próximos à custa de todo um povo. Por isso não é surpresa nenhuma tudo isto. Não é surpresa a educação estar um pântano desde o 25 de Abril (isto não querendo dizer que antes era melhor, talvez mais rigorosa no seu programa mas que educação pode governo fascista dar ao seu povo?), não é surpresa os roubos flagrantes de dinheiros públicos, não é surpresa nenhuma a justiça ser uma anedota, não é surpresa nenhuma a saúde se aproximar cada vez do modelo americano em que tens que ser rico (ou seja, ter um seguro) para teres acesso a ela. Nada disto é surpresa, porque no fundo, o português médio já está habituado a ser sodomizado desde a Idade Média. É por isso é que o povo é sereno, é por isso é que somos um povo de brandos costumes. Porque o buraco do anûs já está tão lasso que a malta não sente nada.

Segundo a ex-estrela do FMI e actual estrela de culinária do governo de Passos Coelho que está agarrado ao tacho do acompanhamento das privatizações idealizadas pelo estado português, a RTP2 não tem audiência nenhuma e por isso não tem razão de existir. 

E faz todo o sentido.

Proponho queimar as partituras de Mozart, os quadros do Picasso, os livros do Saramago, Proust, Tólstoi, porque isso faz doer a cabeça das pessoas que os tentam ler, acabem com os museus, acabem com os fados, acabem com a música, acabem com a literatura, porra, acabem com tudo o que obriga o português a pensar porque não interessa ter um povo informado, não interessa ter um povo que pense por si próprio porque nesse caso vão começar a questionar aqueles que o governa. Porque não interessa dar serviço público a essas pessoas, informação, cultura, arte, interessa é encher os olhos com o mesmo lixo que passa nos restantes canais para que eles se mantenham entretidos e com os olhos fechados como uma boa ovelha obediente. 

Pegando na mesma imagem do médico... se o nosso governo fosse médico, tratava toxicodependentes com heroína, porque é isso que eles querem. Mas talvez o governo e todos aqueles que detém o poder de uma forma ou outra não sejam médicos. Talvez eles sejam traficantes e nós os clientes.

Até morrermos de overdose de excremento no nosso corpo e sobretudo nas nossas mentes.

terça-feira, 1 de maio de 2012

"Patrão"

O Pingo Doce faz a campanha das campanhas sem publicidade, apenas recorrendo ao estado psicológico de penúria a que chegaram os portugueses, chegando assim a ter o nome da marca nos telejornais de todas as televisões sem gastar um tostão. 

50 % de desconto para compras acima dos 100 euros, uma táctica desesperada? Talvez. 
Eficaz? Definitivamente.

O que é que isto revela? Que apesar da crise, os portugueses continuam vítimas de um consumismo desenfreado que os faz correr a super ou hiper-mercados, dispostos a entrar e provocar confusões, provavelmente para levar coisas que não precisam, apenas porque metade dessas coisas que não precisam é de borla.

Assim a empresa que antes estava na mó de baixo por fazer aquilo que 17 ou 18 empresas do PSI 20 já tinham feito antes, encontra uma forma de se redimir aos olhos do consumidor que são no fundo o patrão. E é engraçada esta questão do patrão ser o cliente, porque se formos a ver, é um "patrão" muito fácil de manipular. É um "patrão" que vai a correr quando o "empregado" quer que ele corra, que compra o que quer que ele compre. O chamado "patrão" submisso. O que é certo é que o "patrão" não sabe que é realmente o "patrão" e é incapaz de ler nas entrelinhas, por não ter capacidade para tal, por não ter tempo, por estar muito ocupado a sobreviver ou simplesmente por não querer saber.

Há tantas opções, tantos ideais.
Comprar produtos portugueses para apoiar os produtores nacionais, comprar produtos que não façam testes em animais, comprar produtos que não tenham fábricas em países de terceiro mundo onde os trabalhadores são explorados, não comprar fruta espanhola porque além de ser pior que a portuguesa, bem... é espanhola.

É normal que quando surjam campanhas como esta, o "patrão" se descontrole e diga, "que se lixe, vou chular este empregado". É normal porque este é o "patrão" que mal dinheiro tem para sobreviver e quando o tem, opta pelo mais barato. É no entanto também o "patrão" que não dispensa as suas cervejas no café, as suas férias no Brasil ou a roupa de marca. É um "patrão" que ainda não se apercebeu que por mais descontos e promoções que surjam, que os "empregados" vão tentar vender-lhe os produtos que eles não querem comprar. E vão conseguir.

Este patrão é uma vítima de si próprio, da campanha de aumentos nos media, onde está tudo tão caro que se aparece qualquer coisa 10 cêntimos mais barato, a 100 quilómetros de distância, a única coisa a fazer é correr até ao local e comprar imediatamente, sem hesitar. A lavagem cerebral é tão grande e tão forte que este "patrão" é apenas um peão na mão dos seus "empregados".

Dá vontade de despedir este "patrão" mas o mais triste e sobretudo irónico é que a maior parte deles... já está desempregada.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Reflexão Mais ou Menos Profunda Sobre O Dia de S. Valentim

Este dia pode ser comparado à época natalícia. Com forte teor de consumismo capitalista, este dia serve para nos lembrar daquilo que deveria existir durante todo o ano. Se em relação ao Natal se trata de amar o próximo e de termos um pouco de compaixão pelas pessoas em geral. Há o efeito perverso que este tipo de dias tem, mas é engraçada a forma como funciona ao contrário do Natal. Durante o ano, quase todas as pessoas desfavorecidas anseiam pelo Natal porque será provavelmente a única altura do ano em que podem comer algo quente. Na questão do dia dos namorados, todos aquele que não têm par desejavam que não houvesse um dia que os lembrasse de que não têm como escoar todo o seu amor – se bem que em muitos casos é mesmo o problema de escoar outra coisa.

Eu confesso, e vou ser brutalmente honesto quanto a este assunto, que também eu caí na tentação de tentar arranjar namorada apenas para poder exibir com um ar triunfante um sorriso sincero enquanto digo coisas como:

“Hoje fui jantar mais a minha namorada.”
“Ontem saí mais cedo para comprar uma prenda para a minha namorada”

Que diabos, eu nem me importava de dizer coisas como:

“Porra! Esqueci-me de comprar uma prenda para a minha namorada.”

E sempre foi um pouco neste sentimento que vivi o dia dos namorados. E por incrível, ainda não consegui passar esta data com uma namorada. Isto é, estar mesmo com ela. O que ainda faz com que se pareça com uma anedota cósmica. Mesmo quando podia estar com o meu par, o universo diz-me, não, não será desta. Vê se aprecias a ironia da situação. E realmente comecei a apreciar bem a ironia da situação, de tal forma que também pondero arranjar uma namorada só para acabar com ela no dia seguinte ao dia dos namorados. Deitar a língua de fora ao destino só para que ele saiba com quem se está a meter.

…

Ok, isso seria idiota, mas também como é que se espera que um gajo (ou gaja) se sinta depois de andar um ano inteiro a tentar encontrar uma namorada apenas por causa de um dia. Um dia em que não se sinta socialmente diminuído perante os seus pares (ou impares) e que diga:

“SIM, EU TENHO NAMORADA E NÃO LHE VOU OFERECER NADA PORQUE NÃO CEDO ÀS VOSSAS TÁCTICAS IMPERIALISTAS E CAPITALISTAS!”

Porque uma coisa é certa… quer se tenha namorada ou não, a pergunta que qualquer pessoa ouve no dia dos namorados é:
“Então o que vais oferecer à/ao tua/teu namorada/namorado?”
O que dá vontade de responder…
“Uma botija de oxigénio porque a enterrei viva. Mas não lhe digas nada, não quero estragar a surpresa.”

Mas não, isto é apenas um desabafo. Um faz-de-conta daquilo que gostaria que acontecesse. Porque o que acontece realmente é…
“Então o que é que vais oferecer à tua namorada?”
“Nada.”
“Oh, coitada. Não lhe dás nada…”
E nesta altura penso para mim mesmo na resposta que quero dar. Que não lhe dou nada porque não tenho namorada, porque no fundo, apesar da pessoa espectacular que sou e apesar do meu interior belo e apaixonante, que o mesmo está reservado e que é difícil chegarem a ele. Que provavelmente não é culpa do universo, do destino, ou até mesmo da minha pessoa ou de todas as outras pessoas, da sociedade em que me insiro. Que provavelmente não tenho porque simplesmente não tenho. Sem nenhum sentido nisso, apenas porque não aconteceu e que por isso, mais vale nem sequer pensar nisso e tentar ignorar este dia e fingir todas as coisas fofinhas à volta dele. E que nem vale a pena perguntar ou fazer comentários porque isso só me faz lembrar de algo que passo o resto do ano a ouvir.
O que eu acabo por dizer mesmo é…
“Pois é.”

Se eu acho que a hipocrisia do Natal é difícil de aguentar, a estupidez do dia dos namorados é quase impossível porque não interessa se tu és feliz, não interessa se fazes alguém feliz. Interessa apenas que tenhas alguém. Que compres uma casa, um carro, e 1,4 filhos. Que possas mostrar a todos que és alguém digno/a de encaixar na sociedade. E o principal passa ao lado.

Estares com alguém que te ama. Estares com alguém que amas.

Não é isso o mais importante?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Trabalho de Amigo

No passado sábado fui a um lançamento de um livro por parte de uma editora, sem saber que, simultaneamente, era também a comemoração do primeiro aniversário da editora. A sala estava composta e até tiveram que se ir buscar mais cadeiras para que todos pudessem estar presentes sentados no auditório, acabando por ficar algumas pessoas em pé na entrada. A coisa prometia. Na verdade, não prometia grande coisa porque também não haviam grandes expectativas. Estava presente apenas para dar apoio a uma querida amiga, que também participou no livro – que é uma compilação de textos de pessoas sobre um tema especifico, divididos entre três vertentes, prosa, poesia e a participações de crianças. Até aqui tudo bem. 

Quando é que as coisas começam a ficar estranhas? 

Quando eu reparo que a minha amiga tem que comprar uma cópia do livro, apesar de ter participado nele. Ok, é um bocado estranho, mas dada a conjectura actual, minimamente compreensível. 
10 euros? Um pouco puxado mas... pode ser que... livro com cerca de 80 páginas? Capa manhosamente amadora? Ok, mais uma vez. Crise. Poupar no papel, poupar no profissionalismo da apresentação gráfica do livro. Pelos vistos, a crise é tão bera que até chegou à qualidade de alguns dos textos. A sério. Faz parecer aquilo que escrevo tratados filosóficos. E eu escrevo muita merda marada. Mesmo... marada!

Bem, continuando. O que já não foi tão compreensível foi o que se seguiu, uma apresentação de cerca de quinze minutos com fotos de todos os lançamentos, com a música a ouvir-se ao fundo, lá muito ao fundo. Uma apresentação em Powerpoint. A uma certa altura, as fotos aceleram de tal forma que parece que se está andar num carrossel duma feira qualquer e a tentar tirar fotografias para o exterior – ok, é um exagero, mas é apenas para se ter ideia do que estou a falar. Provavelmente o autor da apresentação, viu que ainda faltavam muitas fotos e que era material para durar horas, senão dias, então teve que condensar tudo em pouco mais de quinze minutos. Gostei da mensagem final em que dizia algo parecido com “muitas mais fotos ficaram por mostrar” – O mal das máquinas digitais é que não limites de fotos por causa dos rolos.
Bem, pouco refeitos deste choque, chega o interlúdio (o primeiro), que ia separar o assinalar do primeiro aniversário, com o lançamento do livro propriamente dito. Vemos uma pequena rapariga com um microfone na mão, sendo anunciada como… eu nem sei como é que ela foi anunciada, tal não foi o choque! Lembro-me vagamente de pensar que ela ia recitar qualquer coisa do livro. Quando começa a rodar a pista instrumental “Trocas e Baldrocas” e a rapariga começa a cantar, eu só me recordo de pensar… “Ok, é oficial, estou noutra dimensão!”
Confesso que nesta altura só pedia para sair daquele momento, mas depois também um medo me invadiu:

"E... se eu não conseguir voltar? E se eu não conseguir encontrar o caminho de volta para a minha dimensão?
AAAaaaaaaaaaaah!"

Depois dessa primeira música... houve... uma segunda música! E quase não sobrevivi! Atenção, não ponho em causa a prestação da criança. Ela esteve lindamente, tal como esteve qualquer criança de 8 a 10 anos. Aliás, melhor, porque se eu tivesse a idade dela, nem morto me apanhavam frente a uma plateia cheia a cantar um embaraçoso Karaoke.

Finalmente, depois da cantoria, passámos então à segunda parte propriamente dita, onde foi feita a apresentação/lançamento do livro, com direito à história de como surgiu, e à leitura de alguns dos textos, com especial ênfase ao das crianças que... não quero lançar polémicas, mas... penso que eram todos filhos dos responsáveis pela editora e/ou colaboradores da mesma. E conforme eles foram lendo os textos... eu fui sabendo os nomes e apelidos, reconhecendo-os algures, algo começou a cheirar muito mal no reino da Dinamarca. E o pessoal está bem longe de lá! Ao que parece, ainda ia haver uma pausa para buffet para depois voltarem para mais, só que temendo o que podia aparecer por lá, tive mesmo que tentar sair sem olhar para trás. Tentei, mas não consegui. O meu organismo é muito suscéptivel a pequenas alterações. Deitar-me mais tarde, enervar-me, estar entusiasmo ou passar para outra dimensão, são coisas que normalmente o alteram. Como tal, a fome era tão negra que eu só parei depois de ter roubado uma chamuça a uma criança (não, não era a criança que teve a cantar) e de ter olhado para mim mesmo no reflexo de um espelho por perto, e ter gritado com revolta:

"No que é que tu te tornaste?! Num MONSTRO!!"

E corri a chorar e nunca mais ninguém me viu. Nem me viram, nem me pararam. Isto aconteceu no Sábado e eu só parei de correr hoje ao almoço. Estou a enviar esta posta de Badajoz. Julguei que aqui estava seguro.

Nota explicativa:
Não quero com isto desprestigiar o trabalho de uma editora e de todos os seus profissionais. Um ano, talvez um sonho realizado, mesmo nesta altura difícil. Ou sobretudo, nesta altura. É difícil cumprir sonhos e quando eles se realizam... É como o trabalho de um amigo nosso, que nos dá. Aquele feito/pago com o seu sangue, suor e lágrimas e do qual guardamos com grande carinho. Aquele que não interessa a quem não nos conhece.
Supostamente, a editora deveria ser mais orientada para o público e menos para os amigos. Mas, também há espaço para eles, neste mundo cão que é o mundo editorial. E não, a minha opinião não melhorou em relação a este mundo com esta experiência.

domingo, 6 de novembro de 2011

Pensamento Positivo

É difícil pensar positivo. Ligamos a televisão e lá vem mais um ministro a anunciar cortes em benefícios sociais e aumento de impostos. Especialistas a dizer que 2012 será bem pior. Que a recuperação não será possível tão cedo. Crimes violentos por ninharias, assaltos, tiroteios, assassinatos. 

Eu tento pensar positivo, a sério que tento, mas a cada vez que ligo o rádio, não basta a música de merda que passa ciclicamente durante todo o dia, também as notícias passam ciclicamente. Como um mantra. Um mantra que nos mantem adormecidos com o pensamento sintonizado no negativismo.

Eu diria que é impossível pensar positivo. Hoje em dia, nos tempos em que vivemos. Fomos criados em abundância, foi-nos prometido o mundo, mas o mundo não era deles para prometer e nós comprámos com as nossas vidas essa ilusória promessa. A crise é uma oportunidade para nos encontrarmos, para deixarmos de fora aquilo que não precisamos, os valores que não precisamos. Mas é difícil pensar assim, isso é demsasiado positivo e a nossa mente continua sintonizada no negativo. Aliás, eu diria que eles nos fizeram esquecer o que é o positivo ou negativo. 

É negativo não podermos continuar a comprar coisas que não precisamos? 
É negativo ver que não interessa em quem se vote, não interessa em quem se ganhe, que as coisas seguem o rumo que alguém determinou que deveriam seguir? 
É negativo ter a noção que o ser humano comum, além de ser insignificante perante a grandeza imensurável do cosmos, é também ele insignificante perante os olhos dos que detém o poder económico e que manipulam todos os aspectos que têm influência na sua vida?

Se calhar não é fácil conviver com o negativo. Se calhar é preferível a ilusão da positividade inexistente do que a realidade negativa. Eles contam com isso. Contam com os limites que todos nós, os seres humanos comuns, temos. Passar a vida a trabalhar, sermos escravos de um trabalho que não nos diz nada e nos intervalos fazermos aquilo que gostamos, sendo que temos que roubar tempo às horas de sono para o fazermos.

É difícil pensar positivo. Porra, é difícil ter apenas um pensamento positivo que seja, porque já não sabemos o que é positivo ou negativo. Hoje em dia, o positivo entra em confronto directo com a liberdade dos outros. Queremos ser felizes a todo o custo, queremos comodidade. Melhor, maior, agora. Não interessa a pessoa a nosso lado, não falamos com ela de qualquer forma. Não interessa o mundo que destruímos, também iremos morrer cedo de qualquer forma.

A necessidade é a mãe da invenção, diz a sabedoria popular. Nós necessitamos de nos libertarmos das amarras que foram colocadas nas nossas camas quando nos puseram para dormir, precisamos de acordar do sono em que nos colocaram. Precisamos de questionar o porquê de as notícias nos controlarem, das rádios, da televisão. De tudo aquilo que nos dizem que precisamos e que no fundo só nos aprisiona e prende ainda mais. Necessitamos de nos reinventar, de ver o que somos, de nos aproximarmos das pessoas, de nos aproximarmos de todos aqueles que nos rodeiam e não estou a falar de familía apenas, mas de todos. Precisamos de nos unir, de nos encontrar a nós próprios. Pensar positivo não é fechar os olhos e fazer de conta que vai ficar tudo bem, que o governo, o FMI, a União Europeia, o Durão Barroso, o Obama, vão resolver todos os problemas que temos. Pensar positivo é ver quem nos manipula, quem nos tenta limitar através do poder económico, quem tenta possuir a nossa alma. Nós continuamos a ter valor, continuamos a ser mais que um mero número estatístico, apenas precisamos de desligar a televisão, desligar o rádio, desligar tudo aquilo que nos controla e viver.

Apenas viver. Da melhor forma que conseguirmos. E se não for com todo o conforto que achamos que merecemos, será com um pouco menos. Se não for com tantas pessoas que desejaríamos, será connosco próprios. De olhos abertos, sem amarras. E agir, viver, trabalhar. Não para os outros, mas para nós próprios, para o nosso futuro. Porque ninguém o constroi por nós. Isso é o que nos querem fazer crer. Que não somos capaz de o fazer sozinhos, que precisamos de um carro, casa, telemóvel, computador, televisão, rádio para estarmos integrados na sociedade. Que precisamos de outros que nos digam o que ouvir, o que ver, o que gostar, o que comer, o que pensar.

O pensamento positivo não está naquilo que vemos, está dentro de nós. E é difícil pensar positivo porque não fomos programados para isso pelos poderes vigentes. Porque não é suposto. Apenas temos que tomar controlo nas nossas mãos e fazê-lo. Por nós.


domingo, 24 de julho de 2011

O Mundo Em Que Vivemos

Já repararam?

Crise económica, convulsões sociais, revoltas. É inegável que o mundo em que vivemos está em profunda transformação. Não só a sociedade mas como também o mundo físico. Tempestades, cheias no Verão, seca no Inverno. É o tempo propício para as profecias, para o 2012, para as novas eras, para a crença generalizada que isto tudo vai-se danar e voltamo-nos para o Apocalipse, as Revelações, para os Maias, para os Evangélicos, para a Segunda Vinda, para Nostrodamus, ou os muitos nossos Bandarra e Agostinho da Silva, para todos aqueles que milhares, centenas ou dezenas de anos atrás previram que a evolução do ser humano iriam descambar, inevitavelmente, na sua destruição. Apesar de todos os avisos, de todas as descrições horrendas do fim dos dias, caminhamos orgulhosamente para esse fim. Não estou a dizer que deveríamos atirar-nos para o chão e arrepender-nos dos nossos pecados até porque se o todos o fizessemos, mais de metade o iria fazer apenas para tentar salvar a pele. Colhemos o que semeamos. Como pessoas, como raça humana. E agora é tarde demais para voltar atrás, já não há como. Apenas temos espaço para prosseguir um caminho em frente, diferente, daquele que os nossos governantes nos indicam, o caminho do sacrifício por uma economia de recursos falida, com a ilusao que daqui a uns anos estará tudo bem, quando os recursos na qual se baseiam estão no limite da extinção.

Esta conversa toda para quê?

A mudança virá, sem dúvida, talvez ela fosse inevitável pela nossa própria forma de agir/ser, ou talvez fosse apenas um ciclo que as nossas acções fizeram com que fosse antecipado. Uma coisa é certa, este modelo social/económico não resulta e está a dar as últimas porque este quadro já não tem mais espaço para ser escrito e provavelmente ou inevitavelmente, vai ter de ser apagado para se começar a escrever algo novo, com a esperança de não cometer os mesmos erros do passado. O problema é que o mundo em que vivemos não tem a memória curta, agora a espécie dominante que habita nele...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ahhh Sócrates. Votar em ti, ou não votar em ti...eis a questão.

Acabaram de me convidar no Facebook para um grupo chamado “POR FAVOR NÃO VOTEM NO SÓCRATES”.

Bem a minha relação com o senhor primeiro ministro não é seguramente muito amistosa. O governo PS foi mau, ele foi mau em muita coisa, foi arrogante, mentiroso, e existe possibilidade de estar envolvido em actos criminosos.
Apesar disso recusei imediatamente entrar no grupo. Porque? Numa palavra acho uma ideia imbecil.

Sócrates tem TUDO para ter toda a gente contra ele. Mesmo tudo, tem tudo para que eu o odeie. Mas não sou capaz, porquê?

A oposição, em particular o PSD é de uma cretinice, as ideias são idiotas, os protagonistas não lhes ficam atrás.

Contratos verbais, aumento do IVA, que depois já não é aumento é passar produtos de um escalão para o outro, é perder na reforma quando se faz a malandragem de estar desempregado.

O senhor Miguel Relvas que diz que votar noutros partidos é “desperdiçar o voto”, parece um caniche a vir rosnar sempre que o Primeiro Ministro fala, e parece que fica excitado cada vez que diz que o primeiro ministro fala com luvas de boxe calçadas. Agora usam outra “terrorismo político”.

Podia falar aqui de tanta coisa imbecil que estes senhores fizeram, mas o mais ridículo de tudo é que por muito mau que o Sócrates seja, estes tipos são tão piores que de repente até o Sócrates não parece assim tão mau.

É como ter uma grande dor de barriga, é mau e uma pessoa só quer aliviar os intestinos. No entanto quando comparado uma tortura oriental a coisa nem parece tão chata.

Isto já para não falar que desde que me lembro como gente sempre se falou em problemas com divida, défice etc. etc. …e eu não tenho 6 anos. Têm a lata de dizer que a culpa é só dele?

Eu provavelmente não vou votar no Sócrates, mas o que me tira do sério em relação a grupos como este é que provavelmente muita daquela gente está com uma ânsia tão grande de se livrar dele que muito certamente se vão meter numa situação pior.
Isso e a vontade de ser do contra talvez, ou então o facto de não apreciar que me digam em quem devo ou não votar.