quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mitologia Grega

Cheguei a uma conclusão nos últimos tempos que faz todo sentido para mim, cada vez mais. Vou começar pela base do meu raciocínio. Os deuses gregos eram conhecidos pelas suas características humanas, principalmente ao nível das emoções, levadas ao extremo. Rancor, luxúria, inveja, ciúme, orgulho, etc.. Aliás, pensando ainda mais sobre isso quase que se pode dizer que representavam os 7 pecados mortais, condenados pela Igreja - ou uma maneira muito eficaz de combater o paganismo.

Bem, já me estou a desviar do assunto.

Os deuses gregos, através das suas acções, podem ser caracterizados como crianças com poderes. Agora um outro extremo... as crianças, principalmente as que nasceram a partir da minha geração que resultaram em adultos mais ou menos responsáveis e jovens adultos, etc, etc. As crianças que quando faziam asneira eram castigados, de forma a corrigir o seu comportamento. Castigos, porrada e... porrada. E embora a coisa nem sempre funcionasse, porque existem crianças realmente dificeis de "quebrar", mas havia um processo natural das coisas. Fazes merda, és castigado. É até um pouco castrador posso admitir, mas na minha opinião, e sou até bastante liberal, é algo que é essencial de forma a manter um pouco disciplina.

"Fizeste mal, as consequências são estas, vais sofrer na pele, para que da próxima vez pares para pensar"

Ora, a conclusão de todo este meu raciocínio é que...

O governo está cheio de pessoas que se julgam deuses gregos. Eles fartam-se de fazer merda mas são completamente intocáveis. Sócrates, o deus do Olimpo, permanece altivo a tudo e todos, não admitiu que todas as previsões que deu estavam erradas (de forma a tentar garantir mais uma maioria no parlamento), mesmo quando teve um défice de 8%, quando teve que fazer um orçamento rectificativo, mesmo quando teve que fazer um PEC porque o orçamento rectificativo não chegava, mesmo quando teve que fazer uma rectificação do PEC. Ele tem sempre razão. E quando não tem, o responsável por esse factor não é ele. É o comum mortal porque os deuses não se enganam. Mas entre o grupo dos comuns mortais, existem aqueles que são protegidos, os que fazem o culto à divindade olímpica. Os restantes levam com raios pelo cu acima em forma de relâmpago.

Obviamente que isto é uma metáfora paupérrima, e sem sentido algum, até porque toda a gente sabe que o Sócrates está nas mãos de interesses ocultos, assim como todos aqueles que estão ou estiveram no governo. Na verdade, é um pobre diabo que pensa que é Zeus mas na verdade não passar de uma criança atrás das barras no seu jardim de infância, que brinca com os brinquedos que lhe dizem para brincar.

Agora esta é uma boa metáfora.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Alguma Coisa Está Errada Neste Quadro

Alemanha

Polícia investiga e em duas semanas prende os responsáveis pelas falcatruas dos submarinos.

Portugal

O poder judicial demora quase 6 meses para destruir escutas que já tinha dito que eram ilegais/inválidas, etc.

Alguma coisa está errada...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ver Os Bonecos

Cheguei a uma conclusão recentemente, embora tenha sido o resultado de quase dois meses de experiências. É sabido que a comunicação social existe para manipular as opiniões do público. Dizem-nos o que alguém quer que nos diga. Um dia, servem interesses de um grupo, outro dia, de outro. Notícias bombásticas que surgem com estrondos e depois desaparecem como se fossem uma suave brisa de Primavera. Isto é normal e esperado numa sociedade construída em lobbies e compadrios como a nossa.
Na verdade, apesar de ser um amante da televisão (e embora já tenha sido mais), tenho que admitir que a pequena caixa de maravilhas tornou-se na mais poderosa arma de propaganda ao serviço do grande capital que quer dominar o mundo. A minha conversa pode soar um pouco paranóica mas acho que começa a ser claro, principalmente se analisarmos, todo o histórico dos quatro canais e a sua programação.

Terramoto no Haiti. Os telejornais dos três canais (RTP, SIC e TVI) bombardeia-nos com cerca de trinta minutos por programa sobre o Haiti com imagens a repetirem-se vezes sem conta, até à imagem da exaustão.

José Sócrates bandido. Os telejornais dos três canais (RTP, SIC e TVI) bombardeia-nos com cerca de trinta minutos por programa sobre as conversas do primeiro-ministro, do Armando Vara, do sucateiro, do face-oculta, das escutas, da Portugal Telecom, da censura, etc.

Chuvas torrenciais na madeira. Os telejornais dos três canais (RTP, SIC e TVI) bombardeia-nos com cerca de trinta minutos por programa com as imagens impressionantes (e repetidas elas também até à exaustão) da força da água na Madeira, da destruição, das imagens com música dramática a captarem o drama pungente de pessoas que perderam tudo, tratadas como se fosse um filme para os óscares, e da porra do mealheiro com os 129 euros.

Três situações díspares que podem afirmar que não têm qualquer relação entre si, nem sequer se pode afirmar que nos querem desviar a atenção para os problemas graves de crise económica que o nosso país e o mundo atravessam já que aparentemente foram fruto de situações que o homem controla cada vez menos, se é que alguma vez controlou: a força da Natureza e a miséria da Justiça portuguesa.
Alguém bem atento pode facilmente reparar que isto é um estratagema para que nos lavar a cabeça. Ora nestes tempos todos em que me cansei de ouvir, ciclicamente, sobre um assunto, dei comigo a parar na RTP2 a ver o que estava a dar. E o que é que estava a dar? Bonecos. Vi durante quase dois meses bonecos porque não queria ter o cérebro lavado da comunicação social. Odeio sentir-me encurrulado e eles sabem disso. Esses sacanas das notícias sabem bem que a malta das conspirações, que está a par de tudo, cheira tretas à légua e então dissimulam a RTP2, com os seus bonecos, com o objectivo de... não sei bem! Talvez com o objectivo de nos por todos, a nós que andamos de olhos abertos, a brincar com os bonecos e a esquecer a dominação global que está em curso.

Se pensam que resulta...
...estão certos, porque precisei de três clisters para recuperar o discernimento. Ainda sinto um tremor ligeiro cada vez que vejo o genérico da Ovelha Choné! No entanto, uma verdade seja dita, apesar da programação de animação venenosa, a RTP2 continua a ser o melhor canal da televisão portuguesa. Isso já diz um pouco do resto.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Espremer A Fruta Bem Espremida

Nos dias o que correm, é natural que cada vez mais tenha que me voltar para o jornalismo (principalmente de televisão e rádio) e para as suas tácticas que cada vez me parecem desesperadas. E parece-me logo um contrasenso, a partir do momento que um dos objectivos do jornalismo é, por excelência, informar, imparcialmente. Ora, será que devido à concorrência dos dias de hoje ser feroz e cada vez mais haja a febre do noticiar primeiro que os outros todos (veja-se o caso da TVI que levaram isto a um tal extremo que acabam por serem eles a fazerem as notícias principalmente nos tempos de Moniz [em que ele era entrevistado pelo telejornal da estação de televisão que presidia nos momentos em que havia uma aposta nova da TVI ou então em que a notícia fosse alguma questão em que estivesse envolvida a TVI - caso Marcelo Rebelo de Sousa e outros parecidos], já sem falar da esposa dele) fazendo que se recorra obviamente às notícias bombásticas mas na maioria das vezes falsas? Lá dizia o povo, a pressa é a inimiga da perfeição.
Mas vamos deixar o estado geral do jornalismo e focar-nos numa situação em específico...

Já repararam que em ocasiões que o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro estão presentes de forma oficial, os jornalistas rodeiam-nos e perguntam-lhes tudo desde o último escândalo da justiça, governo e arredores até à colocação dos astros e os resultados do campeonato de futsal da Gronelândia. Na primeira série dos Gato Fedorento, ainda na Sic Radical, foi feito um sketch onde parodiavam exactamente com essa situação. Pois bem, a semana passada, por ocasião de uma visita qualquer do Presidente da República, já não sei a que sítio, o mesmo foi solicitado para falar sobre diversos assuntos, dando origem a, se não estou em erro, quatro reportagens do Jornal da Tarde da RTP1. Ele foi Haiti, ele foi orçamento, ele foi tudo e mais alguma coisa. E era um sentimento de déjà vú, cada vez que anunciavam a peça, nós sabíamos quem iríamos ver, e onde, e até o senhor de barba que se ofereceu para segurar o gravador a algum reporter que não chegava até lá. Tive pena desse senhor... ter de ficar ali a segurar o gravador durante quase meia hora enquanto os jornalistas despejavam perguntas e ele se amaldiçoava a si próprio por ser tão prestável.

No fundo, parece-me que o que vimos aqui foi a transição para a realidade de um filme. Bowfinger com Steve Martin e Eddie Murphy que falava a história de um realizador muito mau que não tinha onde cair morto e que por causa disso resolve perseguir um famoso actor de cinema com uma máquina de filmar e fazer assim um filme com uma estrela, sem ter de lhe pagar cachet. Ora, é exactamente este plano malévolo que as rádios e televisões estão a tentar fazer neste país. Apesar da sua competição feroz, unem-se todas no mesmo objectivo de ter o Presidente da República como comentador político. Uma espécie de Marcelo de Rebelo de Sousa mas mais barato e com direitos a ter um pivot a apresentar o momento em que ele vai aparecer. Então sempre que ele aparece, vai de perguntar tudo sobre a actualidade e se possível sobre o futuro, porque existem certos dias em que o Presidente não está disposto a falar e acaba por responder "não cabe ao Presidente da República comentar esses assuntos". O que obviamente é uma Justiça.

Quanto ao Primeiro Ministro é fácil fazê-lo falar. Basta ir ter com ele e perguntar se ele leu os jornais que é fácil. Ele responde logo que é tudo uma cabala e que foram ultrapassados todos os limites da decência.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

The More Things Change

2010.

O Tempo passa a correr, num ápice. Cada vez mais, muito graças às nossas vidas, cheias de compromissos inadiáveis e projectos e responsabilidades. Longe vão os tempos em que se olhava para o relógio e para o calendário e se ansiava por horas e datas respectivas. Agora concentramos-nos naquilo que temos a fazer e quando damos conta é verão. Passados uns segundos, é Natal outra vez.

Vamos parar o tempo, só por uns breves momentos.

O objectivo deste blog sempre foi e, em princípio, sempre será o de descarregar a bílis, como diria a minha querida companheira de descargas filosóficas. Não pretendemos mudar o mundo, nem tão pouco assumir-nos como salvadores da pátria, portadores da luz e do conhecimento.
Nada disso.
Apenas somos seres humanos, simples, com um feitio tramado. Por outras palavras, temos dificuldades em aturar merdas e o facto de muitas das vezes termos de as aturar, provoca-nos automaticamente a diminuição da tolerância e principalmente paciência. Juntar-se a essa necessidade de descarregar a bílis, vem também a necessidade de ver as coisas de forma irónica. Porque a vida é feita de ironias e quanto mais estivermos embrenhados na sociedade, mais depressa nos apercebemos disso.

O nosso objectivo pode ser facilmente mal-entendido como um simples blog de queixume - e obrigado à Maggie pelo seu precioso comentário e participação - e poderá não estar muito longe dessa realidade porque está na natureza do português se queixar. Queixar de tudo e de todos. Quando não chove, queixar-se da seca e pedir subsídios ao governo. Quando chove, queixar-se das cheias e pedir subsídios ao governo. Quando a vida corre mal, queixar-nos que os governos não nos dão subsídios. Ou que dão poucos. Ou que dão muitos. Nada está bom para nós, portugueses. Se o ser humano é imperfeito por natureza e nunca está satisfeito então eu diria que nós somos mais humanos que todos os outros. E preguiçosos.
E aqui assumo-me como português no seu pior. Gosto de me queixar mas sou preguiçoso na maior parte das vezes para me mexer. Activismo não é mesmo o meu forte, até porque eu gosto de observar à distância, muito à distância e tenho a tendência para guardar as minhas opiniões para mim próprio, mas tenho vindo a descobrir aos poucos o prazer destas descargas de material tóxico e descarregar através do uso da ironia e sarcasmo.

Mas mesmo assim, mesmo estando perto do queixume, não é esse o objectivo deste canto, nem sequer o da investigação altruísta, de mostrar as injustiças deste mundo. Mas simplesmente colocar (ou tentar) a nu o ridículo de situações que estão ao alcance de todos mas que nem todos reparam perante a massificação de telenovelas, futebol e programas de cantorias e dança. Ou porque não se querem preocupar. Recuperar a velha tradição portuguesa da má língua, da sátira ancestral que serviu para criticar o incriticável.

E neste ano que agora começa, continuamos com muito material para dissecar. Desde a promiscuidade do poder político com o poder económico, dos seus interesses pela estagnação do movimento ambiental, da hipocrisia, do cinismo. O ano mudou, mas continuamos todos humanos e continua tudo na mesma. Da nossa parte, hà sempre a esperança que não tenhamos assunto, ingénua é certo, mas sempre sincera porque por muito mau feitio que tenhamos continuamos a querer o que todas as misses dizem querer, paz no mundo e o fim da fome e da guerra.

Até esse futuro mais ou menos próximo, mais ou menos distante... Até lá... estaremos por aqui a dar vazão a todo ao nosso ácido gástrico, com a seriedade e leviandade popria de quem não está para aturar merdas mas que acaba sempre por as aturar.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Concorrência

Ele há coisas que me partem a cabeça toda. Não há muito tempo, o governo liberalizou o preço dos combustíveis, ou seja, para não levar com a impopularidade por causa do preço do combustível e dos seus aumentos, passou essa pasta para as próprias petrolíferas. Esta é a visão ingénua da coisa porque na verdade devem ter havido muitas contrapartidas para isso tenha acontecido. Para isso e para que a implantação de sistemas energéticos não poluentes seja tão difícil e dispendiosa por parte do comum mortal porque não interessa que o comum mortal tenha acesso a fontes de energia baratas porque isso, obviamente, não dá dinheiro.

É uma outra história mas é só para mostrar que acaba por ir dar tudo ao mesmo sítio.

Ora, uma das razões dadas na altura era que com a liberalização dos combustíveis, a concorrência iria fazer com que os preços viessem para baixo. O que é que aconteceu realmente? O que seria de esperar... todos aumentaram os preços. Lógico, parece-me a mim.
O Português, como é um gajo pacato e que não se está para se chatear, pelo menos até que alguém com interesses lhe encha os ouvidos, deixou andar. Até que foram precisos alguns anos para que a Autoridade para a Concorrência se desse conta deste facto e decidiu acabar com esta pouca vergonha.

Quer dizer... deu ferramentas para que a concorrência fosse mais perceptível aos olhos do cidadão comum. Então, de uns tempos para cá, foram instalados placards nas auto-estradas com a indicação do preçário dos combustíveis das três próximas estações de serviço. Das viagens recentes que fiz para o norte encontrei duas diferenças de preço! Duas! E as diferenças eram para cima!
Valeu bem a pena colocar aqueles placards para fazer de conta que não há cartel do preço dos combustíveis. Não sei porquê, sempre que os vejo, lembro-me exactamente disso, que deste cartel ninguém se livra.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Os Pequenos e os grandes

Vou-vos colocar uma situação real. Numa estação da CP há três parques de estacionamento. Um de um lado da estação, cujo acesso é mais demorado, já que tem que se passar por uma ponte para se chegar ao outro lado do caminho de ferro. Obviamente esta é a solução menos usada, embora seja, curiosamente, o parque com maior capacidade de carros. Do outro lado, de acesso mais fácil, temos os dois restantes parques, um destinado a autocarros e outro para mais uns carros e para táxis. Pormenores importantes, a estação é nova (cerca de três anos) e apesar de ser numa cidade e de ser uma estação grande, é numa zona quase deserta. No inicío, o estacionamento era feito em ambas as partes, na parte dos autocarros como na outra. Depois de algum tempo de estacionamento selvagem, a GNR local começou com a avisar as pessoas que começavam a apanhar o comboio logo de madrugada que na área dos autocarros não era possível estacionar. Este período de sensibilização durou aproximadamente uma a duas semanas. Começaram então a bloquear os carros que estavam em cima dos passeios, junto às entradas da estação e a todos aqueles que ainda punham do lado destinado aos autocarros. E a partir daí, bloqueiam todos os carros nos passeios e nos lugares dos deficientes (que não sejam deficientes obviamente) tendo o bom senso de não multar os carros que estão estacionados no lugar dos táxis, já que nunca esteve lá um táxi sequer estacionado à espera de clientes.

Esta é a situação.

Não, não vou criticar as forças de autoridade. Vou mais além.

Depois desta situação, há mais um acrescento. Vários meses de carros bloqueados, deparo-me com uma situação no minímo insólita. No parque estacionamento que não dos autocarros está estacionado um... autocarro.

Esta situação é perfeita para mostrar uma metáfora, melhor que qualquer uma que pudesse criar para ilustrar o ponto que quero mostrar.
Portugal funciona desta maneira. Se és grande, tens as forças de tudo o que há a jogar a teu favor. Se és pequeno e estás no sítio errado à hora errada, estás fodido. Porque os bloqueadores de carros da polícia são perfeitos para o teu carrinho.

Mas se tens um autocarro...