Pessoas, animais e políticos. Vamos a levar o país para a frente, deixem-se de merdas e esqueçam as calças à boca de sino no fundo do armário. Se elas foram deixadas de ser usadas, por alguma razão foi.
Vá, toca a trabalhar, sim?
Um sitio coberto de sarcasmo, arrogância e ironia, mas tudo em doses pequenas.
Eu não podia acreditar no que estava a ouvir. O país está na merda, não, o mundo está na merda porque cabrões gananciosos fartaram-se de por ao bolso com desfalques milionários e quando são despedidos por incompetência ainda levam indeminizações milionárias. Políticos são meros funcionários dos lobbies, escravos do petróleo, da corrupção e dos interesses de quem está nas sombras a puxar os cordelinhos e ainda há alguém com coragem para defender que talvez fosse melhor não obrigar os deputados a votações em vésperas de fins de semana, na Assembleia da República, como se de um emprego se tratasse e que além disso deveria haver ainda um aumento de salário para os deputados para melhorar a imagem dos mesmos e credibilizar a classe política portuguesa. Coragem, não. Descaramento.
Eu sei que eu sou insignificante. Se me pusessem num debate com o excelentíssimo senhor doutor Almeida Santos, sei que não teria bagagem cultural para o confrontar e que se ele me perguntasse quem era eu para questionar o quer que seja, eu teria que me remeter à minha insignificância e dizer que realmente sou ninguém. Que era o facto de ser ninguém que me permitia o sustentar a ele e à corja dele. Que era ninguém por ter de trabalhar todas as sextas-feiras e de de não ter o mais alto provilégio de votar em leis, moções do suposto interesse do país. Que se faltar ao trabalho para ir de fim de semana prolongado para qualquer alojamento de luxo, o dinheiro que não me é pago no final do mês pode significar ter de escolher entre deixar de comer ou deixar de pagar alguma das prestações que me sufocam o pescoço todos os meses. Não sou alguém porque não tenho que estar apenas oito anos / dois mandatos para ter direito à a uma reforma mais elevada que todos os outros restantes otários que descontam mais de cinquenta anos para a segurança social e trabalham até à cova para receberem uma merda de quinhentos euros. Realmente sou um merdas. Não, sou mesmo. Se estiver doente e precisar de ir ao hospital, tenho de pagar e corro o risco de se for algo de grave, morrer antes da ambulância chegar. Se for dono de uma pequena empresa e tiver sorte de ser credor do estado, estou fodido porque tenho que pagar o IVA do lucro que ainda não tive e suster a respiração durante três anos, até quando o Estado se resolver a pagar.
Agora que penso nisso... Eu sou tão desgraçado, tão desgraçado que se calhar... sou deputado!
A falta de tempo é tramada. Numa era e mundo em que temos que andar a correr para não sermos atropelados, torna-se complicado fazer aquilo que se gosta e nos propomos a fazer. Foi o que aconteceu comigo em relação a muitos dos meus projectos e em relação a este blog especificamente. Alguma coisa teve que ser deixada para trás e no misto de preguiça, cansaço e prioridades, despejar aqui a minha raiva acabou por ficar sempre para o dia seguinte. E por muito estranho que pareça, no dia seguinte, a raiva invariavelmente desaparece.
Já estão a perceber que não vai sair daqui nenhuma crítica furiosa a deitar abaixo uma minoria ou maioria, um governo ou até mesmo a minha própria pessoa. Esta vai ser uma posta mais pacata. Apenas para ficarem a perceber mais um pouco o porquê de escrevermos aqui o que escrevemos.
Antes de mais, não somos más pessoas. Eu acredito que não. Apenas não temos pachorra para certas merdas com que cruzamos no dia-a-dia. Coisas que nos provocam um certo mal-estar no mínimo ou que nos deixam com vontade de acabar com a raça humana no máximo. No dia seguinte, tudo passa. Claro que se formos dar de caras com essas mesmas merdas, toda a fúria divina se despoleta sobre o sistema solar.
O que se tem passado é não ter a oportunidade para atempadamente soltar essa fúria. Infelizmente não é falta de assunto. Basta olharmos para a nossa economia, para a nossa educação, para a nossa saúde, para o nosso governo, para a nossa classe política, para a nossa justiça. Acreditem, assunto não falta. E com isso voltamos ao objectivo deste blog. Não é deitar abaixo por deitar abaixo. É deitar abaixo antes que nos deite abaixo a nós próprios. Deitar cá para fora este pus peçonhento que se forma e acumula interiormente. E fazê-lo da forma mais sincera possível. Não adianta deitar abaixo algo que não está bem, mesmo sabendo que não esteja bem, se não nos ultraja, se não nos ofende de tal maneira que por breves minutos vejamos tudo de vermelho… então é porque ainda não está no ponto.
Por isso preparem-se, que com tanto tempo sem deitar nada cá para fora, a próxima será radioactiva e devastadora.