domingo, 14 de dezembro de 2008

Filhos dePutados

Hoje ouvi algo que não queria acreditar que estava a ouvir. O mundo está em crise, a economia está de rastos, o planeta a caminhar para o colapso, contestações sociais, confrontos com a autoridade, guerras, terrorismo.

Está tudo na merda.

Mas nós conseguimos sobreviver a tudo isso, apesar da depressão da selecção não poder-se qualificar para o mundial ou do Benfica provavelmente ser eliminado da taça Uefa, quando a desgraça aperta, o telejornal acaba ou simplesmente mudamos de canal para uma novela qualquer. Apesar do controlo que há nos media, cada vez me interesso mais pelas notícias, dá para aprender muito daquele que nos controla.
No telejornal da tarde de hoje vi uma breve entrevista (editada) a Almeida Santos, alguém de quem tinha um profundo respeito, acerca da mais recente polémica: aquando da votação de plenário a semana passada, uma série de deputados do PSD resolveu ir de fim de semana mais cedo.
Contrário ao que poderia esperar, o histórico do PS saiu em defesa dos deputados do PSD. Disse e passo a citar: "No meu tempo não havia votações à sexta-feira, porque já sei que é a véspera do fim-se-semana. Os deputados são humanos, não são máquinas. (...) Os deputados têm a sua vida profissional, não se paga aos deputados o suficiente para eles serem todos apenas deputados, sobretudo quando são profissionais do Direito ou fora do Direito. Um advogado que tem um julgamento, não pode não pode estar na Assembleia e no julgamento ao mesmo tempo. Há justificações para as faltas. (...) Talvez esteja errado é que as votações sejam à sexta-feira, é preciso arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que, normalmente, é mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República."

Eu não podia acreditar no que estava a ouvir. O país está na merda, não, o mundo está na merda porque cabrões gananciosos fartaram-se de por ao bolso com desfalques milionários e quando são despedidos por incompetência ainda levam indeminizações milionárias. Políticos são meros funcionários dos lobbies, escravos do petróleo, da corrupção e dos interesses de quem está nas sombras a puxar os cordelinhos e ainda há alguém com coragem para defender que talvez fosse melhor não obrigar os deputados a votações em vésperas de fins de semana, na Assembleia da República, como se de um emprego se tratasse e que além disso deveria haver ainda um aumento de salário para os deputados para melhorar a imagem dos mesmos e credibilizar a classe política portuguesa. Coragem, não. Descaramento.

Eu sei que eu sou insignificante. Se me pusessem num debate com o excelentíssimo senhor doutor Almeida Santos, sei que não teria bagagem cultural para o confrontar e que se ele me perguntasse quem era eu para questionar o quer que seja, eu teria que me remeter à minha insignificância e dizer que realmente sou ninguém. Que era o facto de ser ninguém que me permitia o sustentar a ele e à corja dele. Que era ninguém por ter de trabalhar todas as sextas-feiras e de de não ter o mais alto provilégio de votar em leis, moções do suposto interesse do país. Que se faltar ao trabalho para ir de fim de semana prolongado para qualquer alojamento de luxo, o dinheiro que não me é pago no final do mês pode significar ter de escolher entre deixar de comer ou deixar de pagar alguma das prestações que me sufocam o pescoço todos os meses. Não sou alguém porque não tenho que estar apenas oito anos / dois mandatos para ter direito à a uma reforma mais elevada que todos os outros restantes otários que descontam mais de cinquenta anos para a segurança social e trabalham até à cova para receberem uma merda de quinhentos euros. Realmente sou um merdas. Não, sou mesmo. Se estiver doente e precisar de ir ao hospital, tenho de pagar e corro o risco de se for algo de grave, morrer antes da ambulância chegar. Se for dono de uma pequena empresa e tiver sorte de ser credor do estado, estou fodido porque tenho que pagar o IVA do lucro que ainda não tive e suster a respiração durante três anos, até quando o Estado se resolver a pagar.

Agora que penso nisso... Eu sou tão desgraçado, tão desgraçado que se calhar... sou deputado!

Ah... espera... eu tenho de trabalhar todos os dias, não tenho tachos nem uma reforma garantida por andar oito anos a fingir que tenho interesse no que os portugueses querem ou no bem maior da Nação. Não sou desgraçado o suficiente.

Deixem-se de merdas e trabalhem mas é!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A Raiva

A falta de tempo é tramada. Numa era e mundo em que temos que andar a correr para não sermos atropelados, torna-se complicado fazer aquilo que se gosta e nos propomos a fazer. Foi o que aconteceu comigo em relação a muitos dos meus projectos e em relação a este blog especificamente. Alguma coisa teve que ser deixada para trás e no misto de preguiça, cansaço e prioridades, despejar aqui a minha raiva acabou por ficar sempre para o dia seguinte. E por muito estranho que pareça, no dia seguinte, a raiva invariavelmente desaparece.

Já estão a perceber que não vai sair daqui nenhuma crítica furiosa a deitar abaixo uma minoria ou maioria, um governo ou até mesmo a minha própria pessoa. Esta vai ser uma posta mais pacata. Apenas para ficarem a perceber mais um pouco o porquê de escrevermos aqui o que escrevemos.

Antes de mais, não somos más pessoas. Eu acredito que não. Apenas não temos pachorra para certas merdas com que cruzamos no dia-a-dia. Coisas que nos provocam um certo mal-estar no mínimo ou que nos deixam com vontade de acabar com a raça humana no máximo. No dia seguinte, tudo passa. Claro que se formos dar de caras com essas mesmas merdas, toda a fúria divina se despoleta sobre o sistema solar.

O que se tem passado é não ter a oportunidade para atempadamente soltar essa fúria. Infelizmente não é falta de assunto. Basta olharmos para a nossa economia, para a nossa educação, para a nossa saúde, para o nosso governo, para a nossa classe política, para a nossa justiça. Acreditem, assunto não falta. E com isso voltamos ao objectivo deste blog. Não é deitar abaixo por deitar abaixo. É deitar abaixo antes que nos deite abaixo a nós próprios. Deitar cá para fora este pus peçonhento que se forma e acumula interiormente. E fazê-lo da forma mais sincera possível. Não adianta deitar abaixo algo que não está bem, mesmo sabendo que não esteja bem, se não nos ultraja, se não nos ofende de tal maneira que por breves minutos vejamos tudo de vermelho… então é porque ainda não está no ponto.

Por isso preparem-se, que com tanto tempo sem deitar nada cá para fora, a próxima será radioactiva e devastadora.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Wasting My Hate

Hoje vou despejar o meu ódio em mim.

Uma maneira de dizer as coisas. Não que tenha ódio dentro de mim, ou pelo menos muito ódio dentro de mim.
A vantagem de estarmos bastante tempo fechados sobre nós próprios é que isso nos permite ver coisas que antes não tínhamos tempo para ver. E é nesta altura em que me sento numa cadeira oposta a mim mesmo, me olho a mim mesmo nos olhos e digo:

És um sacana insensível

E é verdade. Nestes tempos eu não consigo reagir à verdade, nem como nos velhos tempos, fingir que é mentira. Se as pessoas soubessem disto passavam-me a vida a fazer perguntas incómodas que eu não quero responder. Provavelmente atrofiaria tanto que eles não iriam entender as minhas respostas, mas isso já não é culpa dele. Ou minha.
A minha misantropia natural foi-se refinando de maneira incontrolável. E acreditam que há uns tempos atrás eu realmente acreditava de que estava curado dela?

Ela não desapareceu, apenas sofreu uma mutação a uma espécie talvez não desconhecida, talvez não rara mas apenas... inesperada.

Eu não tenho paciência para as pessoas. Aliás, eu não tenho paciência para nada daquilo que é suposto ter de fazer. Ou seja, conforme envelheço, em vez de abraçar responsibilidades, deveres, livro-me deles. Tudo o que tenha a ver com pessoas. E estou viciado em estar sozinho. Um vicio perigoso do qual não quero abrir mão. Pelo menos sem ter uma boa razão para isso antes. E não há boas razões para isso. Não há boas razões para nada. Ultimamente o meu objectivo tem sido por estudar, dissecar e transmitir informações e conhecimentos. Para ninguém em especial, apenas despejar cá para fora. E isto tem sido a minha vida nos últimos tempos, ou no último ano. Basicamente. Daí ter chegado a esta conclusão porque sei que estou ao alcance de todos os que quiserem estar ou precisam de mim por alguma razão, sei que os afasto. Porque no fundo, eu não quero pessoas à minha volta. Nasci e renasci através do amor, vi a luz, experimentei a iluminação através da percepção universal de paz e bem estar mas... continuo sem paciência para pessoas. Agora menos que antes. Porque antes lutava contra isso. Antes era capaz de dizer coisas como disse há pouco de ser um sacana insensível ou outras coisas depreciativas da minha pessoa para que pudesse aparecer alguém para dizer o contrário e eu sentir-me bem com isso. É uma táctica mais velha que o cagar e nem sempre resulta mas foi isso que fiz durante bastante tempo. No fundo eu queria atrair as pessoas para que de alguma forma fosse aceite e conforme isso resultava ou não resultava, vi que tudo continuava basicamente na mesma. Se tinha pessoas à minha volta sentia-me uma merda, se não as tivesse, sentia-me uma merda à mesma. E foi aí que tive um rasgo de génio.

Se calhar, o problema sou eu

E estava certo. E depois da iluminação, depois do amor e dessas merdas todas, eu tomei consciência com as coisas que fiz e disse. E como algumas não coincidiam umas com as outras. E soube quem era finalmente. Dizer que sou um sacana insensível não é algo que uso para que ganhema simpatia ou compaixão de pessoas que nunca vi a cara ou se vi nunca as conheci realmente. Ou nem quero conhecer. É para ter consciência de que o sou. E aceitar e conformar-me. Ou não. Esta conquista pessoal em vez de me levar para próximo das pessoas e melhor interagir com elas, levou-me no caminho oposto. Eu não preciso das pessoas que me digam que sou bom ou mau, não preciso que me digam se sou bonito ou feio. Eu sei o que sou. Não preciso de pessoas para isso.
Hey, hey, calma. Eu não estou tão misantrópico assim. Eu preciso de pessoas, tal como toda a gente. Continuo a gostar de pessoas e a fascinar-me por elas. Bem, por um grupo restrito delas. Apenas não tenho pachorra para as restantes. E por isso sou um sacana insensível. Porque não tenho paciência para conversas vazias, por visitas de circunstância. Tenho tanta coisa para fazer, tantos livros para ler e tantos filmes para ver, porquê desperdiçar tempo com pessoas que a única coisa que têm para dizer é que o Cristiano Ronaldo anda a papar outra modelo ou que não temos dinheiro para nada. Eu sou solteiro, por isso não há perigo do Ronaldo me papar a mulher e eu sei que não há dinheiro para nada. Eu trabalho há 10 anos e não tenho dinheiro para nada. Eu adoro quando as pessoas me surpreendem mas não tenho paciência para as restantes. E agradeço quando elas me põem de parte, poupa-me o trabalho de me excluir. Pela primeira vez na minha vida, eu estou feliz por ser como sou e por ser o oposto da grande maioria. O universo está em harmonia por finalmente eu e os outros termos aceite as nossas posições antagónicas.

Portanto...

Quando eu me sento à minha frente, me olho nos olhos e digo que sou um sacana insensível, a reacção é invariavelmente...

-Tens razão. (longo silêncio) Queres ir tomar um copo?
-Eu não bebo.
-Não faz mal, eu também não.
- Ok, vamos lá.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Justiça

A senhora Maria de Graça, de 45 anos decide, depois de ter sido aconselhada a tal pelo seu médico, secar as varizes nas pernas numa clínica, na Póvoa de Varzim. A coisa não correu bem e a pobre senhora acabou por ter de recorrer ao Hospital de São João no Porto devido a queimaduras de 3º grau.
A senhora decide apresentar duas queixas - uma na Ordem dos Enfermeiros e outra na Entidade Reguladora de Saúde - e fazer uma reclamação por escrito à clínica onde fez o "tratamento". Um ano depois do tratamento apenas recebeu resposta da clínica, onde negava toda e qualquer responsabilidade (claro). Entretanto, a senhora já gastou mais de dois mil euros (e porque tem acesso a ADSE) só em tratamentos para cicatrizar o lindo serviço feito pelos talhantes, que afirmaram que pagavam os tratamentos se ela assinasse uma declaração onde ilibava a clínica de toda a responsabilidade. Que obviamente não assinou.
Um ano sem qualquer tipo de resposta, sem contar com a da clínica. Ou seja... um gajo depois de ser assaltado, escreve três cartas, uma à polícia Judiciária, outra à GNR e uma terceira ao ladrão, como descargo de consciência, a condenar veemente o que fez. No final, apenas o ladrão responde.

Lindo.

Principalmente, por NÃO ser ficção.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Pelo cano a baixo

A crise que se vive em Portugal é notória. Não interessa se a Selecção foi roubada e perdemos a oportunidade de vencer (ou não) os nosso companheiros de peninsula, se a Mariza foi convidada para fazer a nova edicção do Metro, ou os nossos alunos são passados como gado por entre portas graças às maravilhosas boas politicas de passar-tudo-o-que-mexe para não dar prezuijo ao estado.

Nós estamos sem emprego.
Sem trabalho.
Sem coisa nenhuma.

Todas as noticias que se vêem por ai a fora, todas e sem excepção falam dos endividamentos familiares, das contas que aumentam em sentido negativo, dos postos de trabalho que fecham. Mas continuamos a formar licenciados, como eu, que ouvem nas faculdades "Vão para fora, aqui não há nada para vocês, só o desemprego".

No outro dia precisei de fazer um trabalho de campo e fui a uma conceituada empresa da minha area de estudo. A primeira coisa que me souberam dizer foi "Isto está muito dificil". Dificil?! Dificil é viver com a constante ameaça que todos nós vamos trabalhar em call centers quando andamos a queimar pestanas e a torrar dinheiro para conseguirmos o nosso curso, para depois andar a servir às mesas ou a lavar chão.

Não me interpretem mal. Não tenho nada contra os varredores de ruas, as senhoras da limpeza ou os empregados de balcão (que cada vez mais falam brasileiro e são mal educados em vez de usarem o nosso português). São todos trabalhos honestos. Mas eu não fiz os sacrificios que fiz para me virem dizer que tenho de fazer mais um e ir para fora de vez, porque cá em Portugal "não há".

O assustador não é na minha area não haver, se bem que a minha não é muito má, experimentem tirar um curso de professor. O mais assustador é que não HÁ para ninguém. Os anuncios para cursos profissionais aumentam a olhos vistos. Vamos todos tornar-nos formadores? Então e para onde se empregam os formandos? As posições para call center estão sempre a renovar pessoal (realmente há quem goste daquilo... não é o meu caso), até para call centers de vendas!

Meus senhores, não há dinheiro! Não há dinheiro porque NÃO HÁ TRABALHO! E o que faz o governo? Nada. Mas os culpados também somos nós, que os metemos lá em cima repetidas vezes, sempre com a mania que realmente podemos ter poder sobre as coisas.

Estamos na cauda da Europa. Que se lixe a Europa, e a União Europeia! Eu quero é saber porquê que eu só oiço falar em fechos, despedimentos, endividamentos e não oiço falar em fabricas que abrem, postos de trabalho que se criam, investimentos que se fazem. Por falar em investimentos, será que o Bill Gates tem noção donde está a pôr a empresa dele agora com a nova abertura do polo em Braga da Microsoft? Ou ele realmente gosta de paises de terceiro mundo armados em primeiro...

Sim, porque para sermos de terceiro mundo só nos falta mesmo as doenças epidémicas. A miséria, essa, já a temos.

Deixem-nos trabalhar. Não foi o que o nosso excelentissimo Presidente disse um dia?

Então trabalhe e faça alguma coisa por este país e está a ir suavemente pelo cano a baixo, mas com estilo!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Farol

Ao ouvir o comentário do professor Marcelo sobre o mais recente embaraço do nosso primeiro-ministro, o caso do fumador ignorante, fez-me lembrar como a sociedade portuguesa, e porque não, ocidental, continua a dar mais valor à imagem do que ao conteúdo. Esta posta também pode ser considerada um prolongamento da posta "Empurrão", já que vem na linha da mesma, o problema é o mesmo: idiotas desprovidos de cérebro. Também faz referência a outras temáticas já por aqui debatidas. Tenho a impressão que não será a última vez que estas temáticas irão ser referidas.

O primeiro ministro fumou num avião fretado aquando da sua recente visita à Venezuela. A coisa escapou cá para fora e acabou por chegar, inevitavelmente, aos ouvidos da sempre presente e não menos poderosa, comunicação social. De logo surgiram os mais variados protestos e graçolas devido a uma realidade que não é de todo fantasia do país que temos. O país dos filhos de Deus e o país dos filhos da Puta (puta com maiúscula porque não deixa de ser uma senhora). No fundo são dois países no mesmo. Uns podem fazer tudo, os outros comem merda. Não é novidade nenhuma, já era assim no Estado Novo. A elite era a elite e os restantes comiam merda. Como vivemos num estado de direito, democrático, livre e essas tretas todas, agora o povão pode escolher entre comer merda ou não comer merda - isto a propósito da solução apontada pelo ministro das Finanças contra o problema do aumento dos combustíveis (um assunto que também deve vir aqui parar mais tarde ou mais cedo) solução que consistia em os portugueses mudarem os seus hábitos energéticos, ou seja... ou comes merda/pagas ou não comes merda/andas a pé. No entanto o 25 de Abril apenas fez substituir uma elite por uma outra. Outra coisa não seria de esperar, afinal em todo o lado que se vá, até mesmo no reino animal, a divisão é sempre feita entre os mais fortes e os mais fracos. O ser humano, como animal pensante, tentou implementar sistemas que trabalhassem e caminhassem para uma maior igualdade. Claro que há as bestas que fazem com que o sistema trabalhe para eles.
Quando confrontado com esta polémica toda, o primeiro ministro pede desculpa pelo seu profundo desconhecimento pelas leis que a sua maioria parlamentar aprova e falta de respeito pelo povo português e pelo triste exemplo que deu. Quer dizer, não exactamente. Ele apenas pediu desculpa. E aproveitando para fazer um brilharete à Sócrates, tenta sair na mó de cima e anunciar que a partir daquele momento já não vai fumar mais. Não sei qual foi exactamente o objectivo desta decisão, nem tão pouco do anúncio da decisão, além do óbvio de tentar ficar bem na fotografia. As pessoas que vivem exclusivamente da imagem normalmente são ocas e as suas acções são igualmente vazias e muitas das vezes desprovidas de sentido. O sr. primeiro ministro não deixou de fumar pelo tabaco ser prejudicial à saúde. Nem deixou de fumar porque com os impostos sobre o tabaco deixem o mais comum dos portugueses com os bolsos mais leves. Esse de certeza que NÃO é um problema dele. Também acho que o facto de haver cada vez menos espaços para se fumar não foi o que esteve na base da decisão, já que ele parece não ter conhecimento da lei. Não, o sr. primeiro ministro deixou de fumar porque foi apanhado. Porque se não tivesse transpirado cá para fora o que se passou durante o voo, de certeza de que hoje ainda seria um alegre fumador.

A eterna questão de que mais vale parecê-lo do que verdadeiramente sê-lo. Por muito que as sociedades evoluam (?), por muito que estes tipos de palhaços sejam criticados - que o são há já muito tempo - há sempre alguém insiste em viver única e exclusivamente de aparências (há até aqueles que preferem passar fome para manter o Mercedes, o apartamento ou o estilo de vida acima das suas posses). Há sempre alguém mais preocupado com aquilo que os outros pensam de si do que propriamente nas acções que praticam. Mais preocupados com o reflexo do que com o real conteúdo por trás da imagem que é reflectida. Um dos reflexos do triste estado a que esta espécie humana ainda continua mergulhada. Quando um dos nossos poderes máximos a nível nacional dá este exemplo... como podemos culpar o restante do povo, onde estou inserido, da sua ignorância, pequenez e insensatez. Afinal a mensagem que é passada é que no fundo, no fundo, podes fazer o que quiseres, desde que não sejas apanhado. Porque não interessa o que tu digas, nunca é o mesmo que tu fazes. O que tu dizes é para ser aplicado aos outros. Tu fazes o contrário se for preciso. Às escondidas, claro. Senão a imagem estraga-se e depois sem a imagem... não há nada que sobre.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Adolescentes

Odeio adolescentes que precisam de chamar as atenções. Eu tento manter-me puro, tento ser positivo mas quando dou de caras com este tipo de pessoas que provocam certas situações tipo, eu perco o controle. Felizmente (ou infelizmente) estão sempre fora do meu alcance portanto não há o perigo de haver mortos e feridos.
É em grande parte um fenómeno normal da adolescência, de alguma forma, todos os adolescentes precisam de atrair as atenções sobre si, de sentir-se integrados em alguma coisa, mesmo que seja algo que não lhes diga algo cinco minutos depois. É assim que as coisas funcionam e todos temos que aceitar isso. Muito dificilmente, eu consigo aceitar. Mas tento, precisam acreditar nisso.
De um modo geral, as pessoas tem tendência a ultrapassar isso conforme crescem, mesmo aqueles que não cresçam o que deveriam crescer. Portanto, perante este problema, há a fácil solução de nos mantermos afastados destas pessoas. Se são adolescentes, mantenham-se afastados deles ou delas - se tiverem uma relação amorosa, bem... boa sorte. Não há pachorra para aturar adolescentes, eu sinceramente, já não a tenho. Tenho amigos e amigas que o são, mas dou-me bem com eles porque têm uma maneira de lidar com a vida diferente. Ou então pelo menos tive sorte de todas as vezes que falaram comigo, não demonstraram o seu lado mais adolescente. Acontece que em certas ocasiões, tenho de levar com estas adolescentisses agudas. Tenho uma conta no Deviant Art, onde despejo semanalmente restos literários que a minha mente solta ocasionalmente. Vou-vos contar algo sobre o Deviant Art... não é um segredo, porque é público:

Aquilo está cheio de adolescentes.

Não digo isto de forma negativa, a deitar abaixo o site, comunidade, o quer que seja. É apenas um facto. Gosto muito do DA, é-me muito útil na exploração e divulgação do que eu faço, independentemente de apenas um punhado de pessoas se interessarem pelo o meu trabalho. Mas gosto muito do meu espaço, gosto muito de acompanhar o trabalho de outras pessoas, a variedade de talento, temos os journals que dá para expor uma infinidade de assuntos, fazer divulgação de projectos, notícias, um mundo. Mas há uma coisa que não suporto. São os journals de despedida. Não há nada pior do que um journal de despedida e... não se vão embora. A desilusão mata-me por dentro. Não pelas pessoas em si, que muitas das vezes têm talento e é realmente uma pena. Eu sou uma pessoa que não gosta muito de surpresas. Se me dizem amarelo, eu digo ok, fixe. Posso não gostar do amarelo, mas estou a contar com a amarelo. O problema com os adolescentes é que conforme estão a dizer amarelo, antes de acabar de dizerem que é amarelo já lhes apetece fazer azul, porque eles não se decidem.

"Vou-me embora, voltei 5 segundos depois, o mundo é cruel, vou-me embora outra vez. Agora é que é, agora é que vou. Voltei, obrigado por todo o carinho, gosto muito de vocês, mas tenho de me ir embora. Agora estou ali, já não venho cá. Vou-me embora. Não me vou embora. Já fui, voltei. Fui outra vez embora tenha voltado para dizer que me fui embora mas que vos amo a todos e decidi dar-vos mais uma oportunidade para dizerem que vão sentir a minha falta, realmente. Se não sentirem realmente, não se preocupem que amanhã volto e depois de amanhã vou-me embora outra vez. Pronto, fui. Voltei, não aguentei mais. A dor é tão grande, tenho de me ir embora,olá outra vez, adeus."

FODA-SE!! BAZEM LÁ DE UMA VEZ!!

Mas eu acho que tenho que começar a dar mais valor aos adolescentes. Eles são como os zombies nos filmes de série b dos anos setenta. Por mais que pensemos que eles desapareceram, voltam sempre. Tal como num filme de terror.