sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

The More Things Change

2010.

O Tempo passa a correr, num ápice. Cada vez mais, muito graças às nossas vidas, cheias de compromissos inadiáveis e projectos e responsabilidades. Longe vão os tempos em que se olhava para o relógio e para o calendário e se ansiava por horas e datas respectivas. Agora concentramos-nos naquilo que temos a fazer e quando damos conta é verão. Passados uns segundos, é Natal outra vez.

Vamos parar o tempo, só por uns breves momentos.

O objectivo deste blog sempre foi e, em princípio, sempre será o de descarregar a bílis, como diria a minha querida companheira de descargas filosóficas. Não pretendemos mudar o mundo, nem tão pouco assumir-nos como salvadores da pátria, portadores da luz e do conhecimento.
Nada disso.
Apenas somos seres humanos, simples, com um feitio tramado. Por outras palavras, temos dificuldades em aturar merdas e o facto de muitas das vezes termos de as aturar, provoca-nos automaticamente a diminuição da tolerância e principalmente paciência. Juntar-se a essa necessidade de descarregar a bílis, vem também a necessidade de ver as coisas de forma irónica. Porque a vida é feita de ironias e quanto mais estivermos embrenhados na sociedade, mais depressa nos apercebemos disso.

O nosso objectivo pode ser facilmente mal-entendido como um simples blog de queixume - e obrigado à Maggie pelo seu precioso comentário e participação - e poderá não estar muito longe dessa realidade porque está na natureza do português se queixar. Queixar de tudo e de todos. Quando não chove, queixar-se da seca e pedir subsídios ao governo. Quando chove, queixar-se das cheias e pedir subsídios ao governo. Quando a vida corre mal, queixar-nos que os governos não nos dão subsídios. Ou que dão poucos. Ou que dão muitos. Nada está bom para nós, portugueses. Se o ser humano é imperfeito por natureza e nunca está satisfeito então eu diria que nós somos mais humanos que todos os outros. E preguiçosos.
E aqui assumo-me como português no seu pior. Gosto de me queixar mas sou preguiçoso na maior parte das vezes para me mexer. Activismo não é mesmo o meu forte, até porque eu gosto de observar à distância, muito à distância e tenho a tendência para guardar as minhas opiniões para mim próprio, mas tenho vindo a descobrir aos poucos o prazer destas descargas de material tóxico e descarregar através do uso da ironia e sarcasmo.

Mas mesmo assim, mesmo estando perto do queixume, não é esse o objectivo deste canto, nem sequer o da investigação altruísta, de mostrar as injustiças deste mundo. Mas simplesmente colocar (ou tentar) a nu o ridículo de situações que estão ao alcance de todos mas que nem todos reparam perante a massificação de telenovelas, futebol e programas de cantorias e dança. Ou porque não se querem preocupar. Recuperar a velha tradição portuguesa da má língua, da sátira ancestral que serviu para criticar o incriticável.

E neste ano que agora começa, continuamos com muito material para dissecar. Desde a promiscuidade do poder político com o poder económico, dos seus interesses pela estagnação do movimento ambiental, da hipocrisia, do cinismo. O ano mudou, mas continuamos todos humanos e continua tudo na mesma. Da nossa parte, hà sempre a esperança que não tenhamos assunto, ingénua é certo, mas sempre sincera porque por muito mau feitio que tenhamos continuamos a querer o que todas as misses dizem querer, paz no mundo e o fim da fome e da guerra.

Até esse futuro mais ou menos próximo, mais ou menos distante... Até lá... estaremos por aqui a dar vazão a todo ao nosso ácido gástrico, com a seriedade e leviandade popria de quem não está para aturar merdas mas que acaba sempre por as aturar.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Concorrência

Ele há coisas que me partem a cabeça toda. Não há muito tempo, o governo liberalizou o preço dos combustíveis, ou seja, para não levar com a impopularidade por causa do preço do combustível e dos seus aumentos, passou essa pasta para as próprias petrolíferas. Esta é a visão ingénua da coisa porque na verdade devem ter havido muitas contrapartidas para isso tenha acontecido. Para isso e para que a implantação de sistemas energéticos não poluentes seja tão difícil e dispendiosa por parte do comum mortal porque não interessa que o comum mortal tenha acesso a fontes de energia baratas porque isso, obviamente, não dá dinheiro.

É uma outra história mas é só para mostrar que acaba por ir dar tudo ao mesmo sítio.

Ora, uma das razões dadas na altura era que com a liberalização dos combustíveis, a concorrência iria fazer com que os preços viessem para baixo. O que é que aconteceu realmente? O que seria de esperar... todos aumentaram os preços. Lógico, parece-me a mim.
O Português, como é um gajo pacato e que não se está para se chatear, pelo menos até que alguém com interesses lhe encha os ouvidos, deixou andar. Até que foram precisos alguns anos para que a Autoridade para a Concorrência se desse conta deste facto e decidiu acabar com esta pouca vergonha.

Quer dizer... deu ferramentas para que a concorrência fosse mais perceptível aos olhos do cidadão comum. Então, de uns tempos para cá, foram instalados placards nas auto-estradas com a indicação do preçário dos combustíveis das três próximas estações de serviço. Das viagens recentes que fiz para o norte encontrei duas diferenças de preço! Duas! E as diferenças eram para cima!
Valeu bem a pena colocar aqueles placards para fazer de conta que não há cartel do preço dos combustíveis. Não sei porquê, sempre que os vejo, lembro-me exactamente disso, que deste cartel ninguém se livra.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Os Pequenos e os grandes

Vou-vos colocar uma situação real. Numa estação da CP há três parques de estacionamento. Um de um lado da estação, cujo acesso é mais demorado, já que tem que se passar por uma ponte para se chegar ao outro lado do caminho de ferro. Obviamente esta é a solução menos usada, embora seja, curiosamente, o parque com maior capacidade de carros. Do outro lado, de acesso mais fácil, temos os dois restantes parques, um destinado a autocarros e outro para mais uns carros e para táxis. Pormenores importantes, a estação é nova (cerca de três anos) e apesar de ser numa cidade e de ser uma estação grande, é numa zona quase deserta. No inicío, o estacionamento era feito em ambas as partes, na parte dos autocarros como na outra. Depois de algum tempo de estacionamento selvagem, a GNR local começou com a avisar as pessoas que começavam a apanhar o comboio logo de madrugada que na área dos autocarros não era possível estacionar. Este período de sensibilização durou aproximadamente uma a duas semanas. Começaram então a bloquear os carros que estavam em cima dos passeios, junto às entradas da estação e a todos aqueles que ainda punham do lado destinado aos autocarros. E a partir daí, bloqueiam todos os carros nos passeios e nos lugares dos deficientes (que não sejam deficientes obviamente) tendo o bom senso de não multar os carros que estão estacionados no lugar dos táxis, já que nunca esteve lá um táxi sequer estacionado à espera de clientes.

Esta é a situação.

Não, não vou criticar as forças de autoridade. Vou mais além.

Depois desta situação, há mais um acrescento. Vários meses de carros bloqueados, deparo-me com uma situação no minímo insólita. No parque estacionamento que não dos autocarros está estacionado um... autocarro.

Esta situação é perfeita para mostrar uma metáfora, melhor que qualquer uma que pudesse criar para ilustrar o ponto que quero mostrar.
Portugal funciona desta maneira. Se és grande, tens as forças de tudo o que há a jogar a teu favor. Se és pequeno e estás no sítio errado à hora errada, estás fodido. Porque os bloqueadores de carros da polícia são perfeitos para o teu carrinho.

Mas se tens um autocarro...

sábado, 26 de setembro de 2009

A um dia de eleições

Ora bons dias a quem lê isto.

Já à muito tempo que eu não vinha dar uso a este meu cantinho de descarregar bilis, mas não por falta de assunto, pois Portugal, meus deuses, está cheio de bons assuntos, todos para dissecar o figado dos mais distraidos!

Senão vejamos:

Amanhã vota-se. É verdade! Todas as pessoas sabem disso? Que amanhã se vota? Não? Deviam. Está por todo o lado, no metro, no comboio, e com as campanhas politicas actuais também devia estar em todas as casas de banho do pais! "Rolos de papel higiénico com campanhas eleitorais, limpe o cú às palavras mais sem significado" (tenham é cuidado que pode arranjar hemorroidas).

Agora porquê toda esta minha revolta? Muito simples, para além do facto de eu odiar politica e politicos e mesmo assim excercer o meu direito de voto (sim, eu voto e continuarei a votar!), olhem bem para quem temos este ano como candidatos de centro: Manuela Ferreira Leite, a ex-ministra das Santas Asneiras e o José Socrates, que já lá esteve, já passou, já fez a sua caquinha.

Boa!

Nada como andar para trás, como os caranguejos!
A seguir vamos ressucitar todos os politicos corruptos, porque se os que fazem porcaria voltam a candidatar-se sem consequências, os que roubam também deviam poder fazê-lo com a maior das calmas.

Afinal o povo português é muito brando (ou muito estupido a meu ver, sempre a comer a mesma erva mastigada).

Mas o que torna ainda a situação pior é... o discurso eleitoral. Eu senti-me de volta à primária, com a guerra dos tomates! Ora atiras tu, ora atiro eu. Todos sabemos que os politicos adoram atacar-se, é certo, é como um mais um serem dois, mas esta campanha foi um voltar à infância, de tanta parvoice. Houve de tudo como golpes publicitários e conquistar a simpatia do povo. Houve tantos que nem os acompanhei de perto. Desisti com a cena da TVI. Então onde é que ficou o que vamos fazer pelo povo, que valha a pena ser votado?

Uns prometem voltar para trás em tudo.
Outros prometem plutão para os portugueses irem viver.

Raios os partam, que nós estamos mal, mas eles ainda nos querem por pior.

Mas sabem o que realmente me mete doente?

Mesmo doente?

É que os portugueses, mais uma vez, só vão votar PS ou PSD. Mais uma vez, vão votar na porcaria que já lá esteve, porque talvez seja mais confortavel (nunca se sabe quando compramos um papel higiénico novo se o nosso rabinho se vai queixar não é verdade?). Mais uma vez vamos ruminar a mesma erva regurgitada, com esperança que "nas proximas eleições é que é! Vai aparecer alguém diferente!"

Eu não gosto dos americanos mas vejo-me na posição de dizer : onde anda o nosso Obama?




Façam um favor a vocês próprios amanhã: votem de maneira diferente. Votem no partido menos lógico. Sejam e marquem a diferença neste Portugal politicamente apodrecido.

Satirica


PS (LOL): Eu vou abrir, como administradora do blogue, a possibilidade de quem quiser comentar. Fica aqui o aviso que a primeira critica a um dos autores deste espaço, o comentário é apagado e se continuar, os comentários voltam a ser encerrados.

Obrigado

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Não Me Interessa

Não me interessa a vida dos outros, não me interessa quando os outros morrem, não me interessam as notícias em geral e as tuas em particular. Não me interessa saber o último grito, sussurro, moda, modalidade, funcionalidade, anormalidade. Não me interessam os políticos, nem como me tentam foder mesmo sem me conhecer. Não me interessam os amigos que me tentam foder por me conhecerem. Não me interessa a amizade no geral porque ela apenas existe para que aprendamos a ser hipócritas a dizer aquilo que o amigo quer ouvir. Não me interessa a amizade em particular porque ela apenas me faz sentir só por tratar todos os amigos com indiferença para que eles não me tratem a mim com indiferença. Não me interessa o amor porque não tenho coração. Não me interessa o coração porque existem não dadores compatíveis. Não me interessa sentir porque sentir é o código postal para a dor e não me interessa a dor porque ela é viciante. Não me interessa o vício porque ele me adormece. Não me interessa a dormência, porque estou dormente desde que nasci e não tive nada de positivo com isso. Não me interessa o que é positivo porque vejo tudo negativo. Não me interessa o negativo porque estou farto dele. Não me interessa fartar porque me dá falta de ar. Não me interessa o ar porque não quero respirar. Não me interessam as contradições porque elas andam à minha volta e não me largam. Não me interessa lutar porque quanto mais luto mais me fazem afundar nas areias movediças.

Areias que circulam, evoluem, crescem, prendem-me ao chão, engolem-me e quanto mais fecho os olhos mais eles se abrem. Uma violação contra a qual não posso fazer nada.

Não me interessa a sociedade porque estou farto de pessoas que querem ser outras pessoas para serem aceites por pessoas que não são elas próprias, apenas um ideal estereotipado e vazio. Não me interessam as pessoas porque elas não sabem o querem e querem o aquilo não podem ter, quando o têm, querem outra coisa qualquer. Não me interessa o ter porque quanto mais tenho mais quero ter, quanto mais quero ter mais me sinto humano. Não me interessa a humanidade, porque esta é vã, vazia e cega. Não me interessa ver porque a única coisa que vejo é aquilo que me canso de ver. Não me interessa o cansaço porque me lembra que tenho de parar para descansar. Não interessa parar porque quero ir mais longe, quero quebrar com tudo o que é convencional, para quebrar comigo porque eu não interesso. Não me interessam os números porque sou apenas mais um, não me interessam as letras porque ninguêm as lê. Não me interessa andar porque este mundo anda rápido demais para alguém o apanhar. Não me interessa o mundo porque ele não interessa a ninguém. Não me interessa ninguém porque alguém que interesse é alguém que não existe. Não me interessa existir porque a existência é sobrevalorizada principalmente por aqueles que vivem. Não me interessa ser porque neste mundo é melhor parecr do que ser. Não me interessa parecer porque não tenho paciência para a imagem. Não me interessa a imagem porque vejo tudo a cinzento.

Enquanto sou martelado, enquanto sou violado, tento ver outras cores, outras coisas, algo que me leve longe daquele momento infindável que se arrasta sobre mim como um rolo compressor. E na expansão da dor e da revolta de estar preso no meio de tal antro de atrocidades que é a minha pessoa, acabo por encontrar um sorriso inesperado que me diz:

"Que se foda, não me interessa!"

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Dias Maus

Sabem aqueles dias em que não têm paciência para nada e que todos insistem em trazer-vos más notícias ou simplesmente a melgar-vos o juízo. Nesses dias acaba-se sempre por dizer algo que não se quer, acaba-se por fazer algo que não se queria fazer. Um gesto mais ríspido, uma voz mais alta. E depois a incapacidade de pedir desculpa e admitir que se estava errado em descarregar em quem não merecia também nem sempre está presente. Felizmente nem sempre estamos assim. Acumulação de cansaço, stress, sucessão de acontecimentos infelizes ou simplesmente... tudo junto. Pode acontecer a qualquer um. São dias que marcam a diferença pela negativa e por, felizmente, não serem constantes.

Agora imaginem uma pessoa que torna esses dias uma constante sempre que estão presentes. Capazes de invocar toda a raça de sentimentos negativos que hajam e de fazer com que eles perdurem por muito tempo, bem além da presença dessa mesma pessoa. Será que esse tipo de pessoas, carregadas de negativismo, pessimismo, má-educação, falta de inteligência e senso, têm dias assim? Eu gostava de saber se uma pessoa negativa, uma pessoa que troça com o mau estar de pessoas alheias, que aponta as suas falhas como se não as cometesse, se essa pessoa sente alguma vez que são inconvenientes, que não têm maneiras, etc. Sei que se isso acontecer, a pessoa nunca vai se ver ao espelho e ver-se do outro lado. Nunca há um outro lado, só há o daquela pessoa. Nunca há outra visão, nunca há outra opinião, nunca há outra maneira de agir, pensar e falar. Apenas uma.

"Uma que não vale um ca..."

E depois pensamos... não, não irei descer ao nível, vou passar por cima disso, eu sou melhor que isso, não irei deixar que me afecte. Não vale a pena. É quase uma tarefa impossível, mas tentamos e acreditamos nisso. Queremos acreditar. Temos que acreditar! Tanta mesquinhez não pode ser alimentada, temos que ser superiores à imbecilidade daqueles que são pobres de espírito. Fechar os olhos e pensar no nosso lugar feliz. Estamos lá, respiramos fundo. E a coisa passa.
Até que nos apanham num dia mau e cadeiras voam, num sentido apenas.

Infelizmente isto é no sentido figurado, mas deixo aqui a minha queixa em relação ao facto de ser boa pessoa (dentro de certos limites) porque embora saiba que (qualquer forma) violência não resolve nada, mas iria saber muito, mas muito bem.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Gripe A(bsurda)

Todo este histerismo pandémico acerca da gripe A não vos cheira a manipulação de massas? Daquelas aldrabices que os americanos estúpidos adoram engolir e depois vendem aos idiotas europeus que as compram sem hesitar. É que a mim cheira pior que a carcaça do Michael Jackson.
Ora senão vejamos... temos a gripe das aves (H5N1) que matou uns quantos, e sobre a qual foi dito que ia ser investigada para se encontrar uma vacina. Em vez da vacina, tivemos descobertas de como funcionava realmente a gripe espanhola, que arrasou cerca de 50 milhões de pessoas entre 1918 e 1919. Coincidências das coincidências... temos a gripe dos porcos (H1N1) que não é mais que uma tentativa de recriar essa mesma gripe que eles "investigaram". A agência Reuters noticiou que a gripe A contém traços de ADN de virus de aves, suínos e humanos e altas personalidades do CDC (Center Disease Control), que incentivaram essa mesma pesquisa, acabaram por estar ligados a uma empresa farmacéutica que por acaso, por acaso... mas mesmo num tiro no escuro, num acesso de coincidência do destino... tinham milhares de vacinas para escoar para o mercado graças ao processo rápido de aprovação do CDC. Isto é que é eficiência. Faz-me lembrar ministros adjudicarem obras sem concurso público a empresas que por coincidência vão gerir depois de saírem do governo.
E fico triste porque pensava que este esquema era exclusivo português.
Bem, voltando e para finalizar o absurdo de tudo isto... os primeiros comentários de médicos foram no sentido que um vírus do estilo nunca havia sido detectado antes e que parecia mesmo com algo que tivesse sido criado num laboratório.

A piéce de resistance... nenhum dos infectados esteve em contacto com porcos.

Agora... que estamos todos esclarecidos... podemos passar ao futebol?