segunda-feira, 28 de abril de 2008

Adolescentes

Odeio adolescentes que precisam de chamar as atenções. Eu tento manter-me puro, tento ser positivo mas quando dou de caras com este tipo de pessoas que provocam certas situações tipo, eu perco o controle. Felizmente (ou infelizmente) estão sempre fora do meu alcance portanto não há o perigo de haver mortos e feridos.
É em grande parte um fenómeno normal da adolescência, de alguma forma, todos os adolescentes precisam de atrair as atenções sobre si, de sentir-se integrados em alguma coisa, mesmo que seja algo que não lhes diga algo cinco minutos depois. É assim que as coisas funcionam e todos temos que aceitar isso. Muito dificilmente, eu consigo aceitar. Mas tento, precisam acreditar nisso.
De um modo geral, as pessoas tem tendência a ultrapassar isso conforme crescem, mesmo aqueles que não cresçam o que deveriam crescer. Portanto, perante este problema, há a fácil solução de nos mantermos afastados destas pessoas. Se são adolescentes, mantenham-se afastados deles ou delas - se tiverem uma relação amorosa, bem... boa sorte. Não há pachorra para aturar adolescentes, eu sinceramente, já não a tenho. Tenho amigos e amigas que o são, mas dou-me bem com eles porque têm uma maneira de lidar com a vida diferente. Ou então pelo menos tive sorte de todas as vezes que falaram comigo, não demonstraram o seu lado mais adolescente. Acontece que em certas ocasiões, tenho de levar com estas adolescentisses agudas. Tenho uma conta no Deviant Art, onde despejo semanalmente restos literários que a minha mente solta ocasionalmente. Vou-vos contar algo sobre o Deviant Art... não é um segredo, porque é público:

Aquilo está cheio de adolescentes.

Não digo isto de forma negativa, a deitar abaixo o site, comunidade, o quer que seja. É apenas um facto. Gosto muito do DA, é-me muito útil na exploração e divulgação do que eu faço, independentemente de apenas um punhado de pessoas se interessarem pelo o meu trabalho. Mas gosto muito do meu espaço, gosto muito de acompanhar o trabalho de outras pessoas, a variedade de talento, temos os journals que dá para expor uma infinidade de assuntos, fazer divulgação de projectos, notícias, um mundo. Mas há uma coisa que não suporto. São os journals de despedida. Não há nada pior do que um journal de despedida e... não se vão embora. A desilusão mata-me por dentro. Não pelas pessoas em si, que muitas das vezes têm talento e é realmente uma pena. Eu sou uma pessoa que não gosta muito de surpresas. Se me dizem amarelo, eu digo ok, fixe. Posso não gostar do amarelo, mas estou a contar com a amarelo. O problema com os adolescentes é que conforme estão a dizer amarelo, antes de acabar de dizerem que é amarelo já lhes apetece fazer azul, porque eles não se decidem.

"Vou-me embora, voltei 5 segundos depois, o mundo é cruel, vou-me embora outra vez. Agora é que é, agora é que vou. Voltei, obrigado por todo o carinho, gosto muito de vocês, mas tenho de me ir embora. Agora estou ali, já não venho cá. Vou-me embora. Não me vou embora. Já fui, voltei. Fui outra vez embora tenha voltado para dizer que me fui embora mas que vos amo a todos e decidi dar-vos mais uma oportunidade para dizerem que vão sentir a minha falta, realmente. Se não sentirem realmente, não se preocupem que amanhã volto e depois de amanhã vou-me embora outra vez. Pronto, fui. Voltei, não aguentei mais. A dor é tão grande, tenho de me ir embora,olá outra vez, adeus."

FODA-SE!! BAZEM LÁ DE UMA VEZ!!

Mas eu acho que tenho que começar a dar mais valor aos adolescentes. Eles são como os zombies nos filmes de série b dos anos setenta. Por mais que pensemos que eles desapareceram, voltam sempre. Tal como num filme de terror.

domingo, 23 de março de 2008

Telemoveis Aulas de Circo

... Ou a grandissima falta de educação.

A sério que não há dia que passe e eu veja os jovens de amanhã e não pense que são todos uma cambada de coitadinhos, que mal sabem ler e escrever, porque simplesmente estão "a cagar-se" para o resto do mundo.

Atenção, eu já fui adolescente. Já participei em rixas, já fui mandada para a rua, já tive em faltas colectivas e até já chamei um nome (menos próprio mas não tão mau como os que se ouvem hoje em dia) a um prof (vulgo encurtamento da palavra professor) e que só não me levou a um dia de suspensão porque eu consegui convencê-lo que não era a ele a quem eu me dirigia. Claro que naquela altura, que se lixasse o mundo, principalmente os adultos, gajos chatos, parvalhões, que só sabiam interferir nas coisas que eu gostava, e só me sabiam dizer que tudo passava. Vivia tudo como se nunca mais fosse viver mais nada... mas... e aqui reside a diferença... ERA EDUCADA.

Não ia para a sala de aula de telemovel (sim, criaturas incultas, o telemovel não existiu desde sempre e eu sou do tempo em que ele apareceu em Portugal!), e não fazia escandalos tipo peixeira, a gritar com uma professora quando ela me tirava o papel que eu estava a escrever para outra colega minha. Não parecia uma menina da primaria em total desarranjo, com crises hormonais, aos berrinhos "dá-me o telemovel, já". Eu dava-te o telemovel minha menina... mas juro-te que a seguir se calhar não conseguias fazer chamadinhas com ele...

E tu, oh puto ridiculo, a filmares a cena... pode ser que um dia venha um rufia e te leve o telemovel, e até te deixe uma marquinha, de presente! E porquê? Porque não mexeste um cú para mudar a situação.

A minha geração veio a seguir à geração rasca. Já "tinhamos tudo" e eramos mimados, diziam. Mas, porra, se faziamos cenas destas... Ou deixavamos merdas destas acontecer!

Os pais é que devem ser de uma geração rasca. Tão rasca que o menino não tira boas notas na escola, leva-se a psicologo, ou mete-se num explicador. Na minha altura, ter explicador tinham quem era burro. Agora quem não tem explicador, deve é ser gozado. Um belo de um castigo e cortar nas saidas à noite (valha-me que ainda me dizem que as noites são inseguras e deixam os putos sair para as discotecas, a apanharem bezanas que não lembram ao macaco mais velho! Digam-me lá meninos, se vocês acham mesmo que fazem lindas figuras... porque para mim, "cota mais velha", vocês ainda ontem andavam de bicicleta com três rodas e nota-se nas vossas atitudes). Olhem, eu levei a vulgar "porrada dos pais" e ainda aqui estou. Não sou uma jovem traumatizada e apesar de ter sofrido o sindrome de qualquer adolescente mais "normal" de que "escola para quê?" os castigos não me fizeram mal nenhum.

Ainda à uns anos atrás reclamava-se que os professores eram severos. Batiam com chibatas, e os filhos tinham medo dos pais. Hoje são palhaços. E os pais são criadores de circo, a tratarem das feras como se fossem elas a comandar a vida deles e não o contrário. Vamos ter uma bela geração de idiotas, é o que eu digo.

Talvez eu seja da geração em extinção...
Daquela que fazia merda, era castigada, continuava a fazer merda, mas aprendia que na vida não é aquilo que queremos mas é aquilo que temos que conta.

Por isso...

Toma lá o telemovel, pita.
Diverte-te.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Empurrão

Esta posta vai-se basear em informações que podem estar incorrectas devido ao mau estado em que o meu cérebro se encontra nos últimos tempos. Considerem-se avisados.

Aquando das últimas cheias, foi notório, como sempre nestas alturas, o péssimo estado em que as nossas cidades estão em termos de manutenção e limpeza dos esgotos, facto que ajudou em muito ao que aconteceu. Mas não é por isso que vou falar. Só venho partilhar a minha admiração acerca de um facto que se tornou evidente com estas chuvas intensas e cheias. Um conjunto de casas em Odivelas, que se encontram numa encosta vão ser demolidas porque representam um enorme perigo para as pessoas que lá moram como também para as outras habitações nas imediações. Até aí tudo bem. Ou tudo mal. O engraçado é reparar que as ditas habitações estão ilegais há mais de 10 anos. 10 anos. Alguém constrói uma casa ilegalmente num sítio de potencial risco para as pessoas e... só 10 anos depois é que alguém faz alguma coisa. E faz-me lembrar um padrão que acaba por se revelar dolorosamente verdadeiro e que serve para definir todos nós que habitamos por este país. Nós só funcionamos por empurrão. Todos nós, em todas as áreas. As leis são alteradas quando morre alguém, as vistorias às pontes são feitas quando alguma cai, tenta-se (e muita força na palavra tenta-se porque ainda não está nada decidido) impedir que os políticos possam ter dois cargos simultâneos quando se fala de tráfico de influências, compadrios e lobbies. Até na porcaria do futebol! O Benfica só começa a jogar para ganhar depois de estar a perder.
Outro caso ridículo é da queima de droga apreendida pela Polícia Judiciária. 20 toneladas. O mais ridículo é saber que estas 20 toneladas estavam para ser queimadas há muito tempo. Anos. E que não o foram por burocracias. Foi preciso sair a notícia de que as apreensões de droga desceram brutalmente no ano de 2007 porque a polícia simplesmente não tinha onde guardar a droga apreendida. Dá que pensar não dá?
Nós somos o país dos coitadinhos onde tudo funciona ao contrário e onde se age quando a merda se torna óbvia demais. Sempre foi assim e (pelos vistos) sempre será. Mas não deixará de me fazer confusão.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Carnavalidades

Carnavalidade! É uma Carnavalidade!

Está a chover! Oh, abençoada chuva!

*dança*

Não Há CARNAVAL! Wee...

Não deve haver nada mais impressionante do que ver mulheres crescidas (e não só) de biquinis brasileiros, ou semi-nuas, em cima de carros alegóricos que parece que sairam de algum filme de terror serie Z, a abanarem a celulite, os ossos, e a falta total de inteligência! Oh, por favor, caras leitoras, não se ofendam. Mas quem vive num pais que é tudo menos tropical, andar em roupa interior em cima de um carro alegórico, só pode ser sinal de falta de inteligência. (em relação à celulite e aos ossos, tenham orgulho em vocês mesmas e se não vos faz confusão mostrar, então eu não tenho nada contra isso, também não assisto a estes espetaculos.)

Meus caros leitores masculinos, eu compreendo que os mais rebarbados entre vós possam mesmo gostar de ver os seios das donzelas pintadas a dar a dar tão longe e tão perto de vós. Mas digam-me lá sinceramente... não é ridículo? Elas sorriem a tentar espantar o frio, mas esse, aqui no nosso friorento Portugal, não se vai embora com sorrisos. Será que a nossa mania de importar tudo que é estrangeiro faz-nos burros? A tradição brasileira de Carnaval tem anos, há escolas de samba a competir, a tentar o seu melhor, é o equivalente às nossas marchas populares. Mas ah, atenção, as nossas marchas são no final da primavera. Adivinhem qual é a estação que vem a seguir? Verão! Ora bem!

Mas digo-vos que quem deve ficar feliz é o homem (ou mulher, sim porque também há homens nestes espectaculos, a fazerem as mesmas figuras tristes) que as vai aquecer depois, pois é a única razão pela qual eu vejo alguém se dignar aquele triste show de exibicionismo em pleno inverno (tenham em atenção que não tenho nada contra as pessoas que o fazem, e muito menos contra o Carnaval no Brasil, mas talvez as pessoas que o fazem aqui, devessem ir para o Brasil. Ao menos não sofriam com as nossas condições climatéricas!)

Eu nem sempre detestei o Carnaval, diga-se de passagem. Quando era nova até me disfarçava com as roupas que haviam em casa, não havia cá essa conversa de lojas dos chineses e dos trezentos e alugar ou comprar uma mascara estava fora de questão. Eram caras e eu via a tristeza das minhas amiguinhas quando todos os Carnavais lá iam com a mesma mascara do ano passado, porque não havia dinheiro para comprar nova. Agora olhem à nossa volta... é giro ver os putos todos disfarçados (já vi não sei quantos zorros e não sei quantas brancas de neve para não falar em duas fadas e dois tigres!), mas até agora o Carnaval é sinónimo de consumismo! Onde é que estão as velhas roupas dos pais, dos quais nós fazíamos as nossas máscaras?

No entanto, vejo uma grande vantagem de hoje em dia os putos não brincarem na rua. Se há coisa que me tirava do sério era a mania, que veio sei lá daonde, de os putos atirarem balões de água aos passantes. "É Carnaval, ninguém leva a mal", cheguem-me um desses putos às mãos e ele vai ver o quão eu não levo a mal. É que vejamos, e voltando ao paragrafo inicial, nós não vivemos num pais tropical. Não temos aqui 30 a 40 graus centigrados, montes de calor, alegria e samba. Isso tá bem lá para o Brasil, e afins. Levar com um balão de água, com o frio que faz aqui, é estarem a gozar com a nossa cara. Como eu disse, eu também já brinquei no Carnaval. E com balões de água! Mas era contra os meus amigos, numa guerra que tinha lugar todos os anos, no começo das férias. Ai de nós que os nosso pais soubessem que andavamos a fazer vitimas que não nós próprios.

Esquecemos as nossas tradições para importarmos as estrangeiras. Ao menos que importassemos também as coisas que valem a pena. Agora isto... isto é uma Carnavalidade!

Por isso, agarrem nas linguas-de-sogra, nos tocados índios (olha, aqueles que andam no Rossio não andam de pele vermelha nua às intempéries! Será por isso que não vendem tantos discos?), as roupas góticas, os fatos de princesa e vão festejar o carnaval... para sitios cobertos!


O que é uma carnavalidade? Uma barbaridade em forma de carnaval!

É Carnaval... ninguém leva a mal! Então!

Satiria

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Lê E Passa

Li agora uma mensagem na minha conta de Hi5 que fez encher o meu copo no que diz respeito ao assunto das mensagens e mails em que supostamente temos que passar a toda a gente para provarmos que somos amigos deles ou então para mostrar o quão conscientes e sensíveis somos. A mensagem descrevia o dia-a-dia de uma criança de 3 anos, assassinada pelo pai alcóolico por maus tratos. Se até aqui já me perguntava até que ponto servia uma mensagem extremamente negativa assim, depois do último parágrafo, fiquei completamente decidido. Não tem utilidade absolutamente nenhuma. O parágrafo é este:

"Existem milhões de crianças que assim como a "Sara" são mortos.
E tu podes ajudá-los.
Fico desiludida até ao mais profundo de mim se tu leres isto e não o fizeres passar.
E se porque tu ficaste sensibilizada, faz qualquer coisa!!
Tudo o que eu te peço, é de enviar isto e de reconheceres que estas coisas acontecem, e que pessoas como o pai da "Sara" vivem na nossa sociedade.
Faz passar este poema porque mesmo se isto parece doido pode talvez mudar indirectamente as nossas vidas.
Por favor faz passar isto se fores contra o abuso das crianças :( ..."

O facto de alguém ficcionar a existência de uma criança assassinada pelo pai e enviar isto para toda a gente que está no hi5 ou por toda as suas listas de contactos de e-mail, vai realmente ajudar em algo? O que vamos todos nós, pessoas sensíveis, fazer? Criar milícias, sair à rua com tochas a arder e espancar pais negligentes? Algum pai negligente, depois de ler esta mensagem vai realmente admitir que é um mau pai? Que é uma fraca desculpa de pessoa?
É isto?
É esta a solução para os nossos problemas? Enviar spam?

Faz-me lembrar os famosos mails de "Envia isto para 15 amigos, inclusive a pessoa que te enviou e assim verás quantas pessoas gostam de ti". Recebi esta mensagem de 2 ex-colegas de trabalho que também considero amigos, tem o meu número de telemóvel, sabem onde moro, etc. É engraçado ver que do lote de pessoas que deixei no meu último emprego, estas duas pessoas foram as únicas pessoas das quais só tive notícias através deste mail. Todas as outras, as que se estão a cagar para mensagens idiotas, têm mantido o contacto e demonstraram interesse em realmente continuar a manter a relação que criámos.
Existe muito sofrimento no mundo, existe muita solidão, existe muita miséria, criada principalmente por nós próprios. Não fomos ensinados a amar e se não fomos ensinados, também não podemos ensinar ninguém. Querem ajudar o mundo? Deixem-se de merdas de mails da tanga e mudem o vosso interior. O exterior de certeza que muda mais facilmente. O faz de conta de que somos bonzinhos não ajuda em nada quando não o somos realmente.

Talvez até consiga reconhecer algum valor nestas mensagens. Servem para os pobres de espírito dizerem a si próprios que até são boas pessoas, sensíveis e têm muitos amigos. Resta saber se mesmo assim eles ficam convencidos. A mim não me convencem.
Mas eu também não passo spam, não sou sensível.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Rádio

Graças ao meu novo trabalho, ouço rádio praticamente 8 horas por dia, coisa que já não acontecia à volta de oito, nove anos. O que aconteceu por essa altura foi de passar das 8 horas para as 2 horas diárias, ou seja, passei a ouvir apenas o programa da manhã, na altura o clássico programa da manhã da Comercial, a Rádio Rock (R.I.P.) com José Carlos Malato, Ana Lamy, Pedro Ribeiro e Nuno Markl. Depois de mudar de emprego esse ritmo manteve-se, também porque tive liberdade para isso. Assisti ao falecimento da rádio rock e ao desmembramento do programa da manhã. A Lamy e o Malato já não tinham se mudado para a Antena 3, tendo sido estes dois substituídos pela encantadora Maria Vasconcelos onde se mantiveram assim salvo erro, por volta de 2 anos. Acabaram também com esse programa, tendo Pedro Ribeiro passado para a Rádio Clube Português, o Markl para a Antena 3 e a Maria afastou-se das lides radiofónicas, pelo menos tanto quanto sei. Nessa altura então optei por mudar também para a Antena 3, mas sempre no mesmo esquema, 2 horas por dia. Entretanto mais uma mudança profissional e deixei de ter hipótese de ouvir rádio... até agora. As 8 horas por dia.
Eu não tenho nada contra a rádio, não tenho nada contra as pessoas que gostam de ouvir rádio todo o dia, mas só há uma coisa que me faz confusão... como é que aguentam ouvir um grupo de músicas 5 ou 6 vezes ao dia? Eu não gosto muito da repetição, quando estou a ouvir uma música ou um filme que tem partes que me tocam, ouço ou revejo essas partes até conseguir sentir bem o que é suposto eu sentir. Finalizado esse processo, ponho a coisa de parte e apenas mais tarde pego nela, porque senão, para mim, o que há de positivo acaba por se desvanecer com a repetição. Sempre gostei dos programas da manhã pela forma como são apresentados. Pedro Ribeiro é genial e único a apresentar programas de rádio e isso ficou mais que comprovado quando esteve bastante tempo no Rádio Clube Português, num ambiente que exigia um registo diferente àquele que a Rádio Comercial permitia, e conseguiu manter a sua personalidade e fazer ao mesmo tempo um excelente trabalho. Markl dá uma vivacidade às manhãs da Antena 3, que faz com que se tenha sempre mais interesse nas conversas espontâneas que surgem do que propriamente na música que passa. Tirando isto o que sobra? Música repetida. Não aguento mais ouvir a Vanessa da Mata e o Ben Harper, o Jorge Palma, a música irritante do assobio, aquela do suicidal e todas as outras que depois de tanta repetição não saiem da cabeça. Para mim não há pior que isso. Estar na cama a stressar por causa do trabalho e a lutar para conseguir dormir e surge a Vanessa da Mata, sabe-se de lá de onde, a cantar:

"Tudo o que quer me dáaaaaar, é demais..."

No meu estado actual é complicado arranjar pontos que me prendam à sanidade durante grande parte do dia e depois com estas interferências no cérebro, pior se torna. Acho que esta é a técnica que se usava para fazer lavagens cerebrais. Metiam-nos a ouvir as rádios portuguesas durante todo o dia e no final do processo, a vítima até punha ovos se lhe pedissem. O lado positivo, porque há sempre um lado positivo em tudo o que é mau, é que nunca mais tivemos falta de ovos desde que comecei a ouvir rádio 8 horas por dia.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

TV, a maior invençao do Direito em Portugal

Primeira vez que aqui escrevo, ao fim de tanto tempo como membro ainda não o tinha feito não por falta de matéria prima (porque neste pais muita coisa me irrita) mas por andar feito calão.

Ora não sei se viram uma certa historia no telejornal mas eu conto-a aqui. Uma senhora que devido a doença degenerativa não pode andar e está totalmente dependente de terceiros mesmo para as coisas mais básicas (isto comprovado por médicos) recebeu uma carta para se apresentar ao serviço de novo tudo porque a junta medica achou que nem isso era suficiente para lhe dar a reforma por ela ser muito nova. Ora eu, tal como a maior parte das pessoas, fiquei indignado de tanta que é a piquinhice neste pais no que toca aos fracos e oprimidos (passo a citação do genérico inicial de “o Justiceiro”). Acontece que estes casos não são tão raros como se gostaria e já não é o primeiro que oiço, depois da professora sem parte da língua que tem de dar aulas continuamos todos a descobrir que existem sempre historias que roçam ainda mais o ridículo, qualquer dia temos tetraplégicos ex-mimos que têm de continuar a trabalhar.

Claro que o caso muda de figura se formos deputados, ou gerirmos a caixa geral de depósitos, ai ao fim de poucos anos temos uma reforma milionária. Ora isto dá que pensar, suponho que assim podemos considerar que os deputados ao fim de uns anitos daquilo ficam mais incapacitados do que estes casos que referi. Até estou a imaginar a junta medica:

-hummm não consegue andar? Mostre la isso.

-ah senhor doutor tenho aqui estes exames

-nah nah ponha-se em pé

Puff mulher no chão

-deixe-se de fazer fita ai ai. Vai mas é trabalhar que eu tenho hemorroidas e tambem aqui ando.

Claro que chega o deputado:

-entao senhor doutor quanto tempo teve no parlamento

-8 anos

-ai coitado, e diz aqui que era do CDS?

Entram logo os enfermeiros e levam o senhor de cadeira de rodas, cretinisse aguda é algo grave.

Mas o mais triste é que o ridículo não acaba aqui. Hoje o ministro das finanças veio a dizer que viu a reportagem (depois de sabermos que via o gato fedorento no youtube é sempre bom saber que ele tmb ve o jornal) e que o processo da doente em causa ia ser reavaliado e a senhora ia ficar em casa. Ora isto é bom, justiça terá sido feita mas agora o problema é o seguinte: vem o ministro das finanças desmanchar o veredicto da junta medica? É preciso uma pessoa colocar o caso na TV e esperar que comova um ministro?

As injustiças continuam sempre ninguém as muda, apenas quando um caso aparece na televisão alguém que manda faz qualquer coisa, quer neste caso quer em muitos outros casos isto é verdade infelizmente.

A minha sugestão é muito simples voltem com o juiz decide e fechem os tribunais, se fosse aquele senhor careca com óculos a tratar destas coisas, o processo da casa pia e o apito dourado já estavam resolvidos, e todos os outros casos como o da senhora que vos falei nem existiam.

*rufar *

10 milhoes de pessoas presas num pais por um crime que não cometeram (terem ca nascido)

Se por acaso for vitima de uma injustiça, mordida por um deputado

Se conseguir encontrar um repórter

Talvez consiga contratar

A SIC NOTICIAS

* entra musica do A-TEAM *

Senão foda-se.