terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Rádio

Graças ao meu novo trabalho, ouço rádio praticamente 8 horas por dia, coisa que já não acontecia à volta de oito, nove anos. O que aconteceu por essa altura foi de passar das 8 horas para as 2 horas diárias, ou seja, passei a ouvir apenas o programa da manhã, na altura o clássico programa da manhã da Comercial, a Rádio Rock (R.I.P.) com José Carlos Malato, Ana Lamy, Pedro Ribeiro e Nuno Markl. Depois de mudar de emprego esse ritmo manteve-se, também porque tive liberdade para isso. Assisti ao falecimento da rádio rock e ao desmembramento do programa da manhã. A Lamy e o Malato já não tinham se mudado para a Antena 3, tendo sido estes dois substituídos pela encantadora Maria Vasconcelos onde se mantiveram assim salvo erro, por volta de 2 anos. Acabaram também com esse programa, tendo Pedro Ribeiro passado para a Rádio Clube Português, o Markl para a Antena 3 e a Maria afastou-se das lides radiofónicas, pelo menos tanto quanto sei. Nessa altura então optei por mudar também para a Antena 3, mas sempre no mesmo esquema, 2 horas por dia. Entretanto mais uma mudança profissional e deixei de ter hipótese de ouvir rádio... até agora. As 8 horas por dia.
Eu não tenho nada contra a rádio, não tenho nada contra as pessoas que gostam de ouvir rádio todo o dia, mas só há uma coisa que me faz confusão... como é que aguentam ouvir um grupo de músicas 5 ou 6 vezes ao dia? Eu não gosto muito da repetição, quando estou a ouvir uma música ou um filme que tem partes que me tocam, ouço ou revejo essas partes até conseguir sentir bem o que é suposto eu sentir. Finalizado esse processo, ponho a coisa de parte e apenas mais tarde pego nela, porque senão, para mim, o que há de positivo acaba por se desvanecer com a repetição. Sempre gostei dos programas da manhã pela forma como são apresentados. Pedro Ribeiro é genial e único a apresentar programas de rádio e isso ficou mais que comprovado quando esteve bastante tempo no Rádio Clube Português, num ambiente que exigia um registo diferente àquele que a Rádio Comercial permitia, e conseguiu manter a sua personalidade e fazer ao mesmo tempo um excelente trabalho. Markl dá uma vivacidade às manhãs da Antena 3, que faz com que se tenha sempre mais interesse nas conversas espontâneas que surgem do que propriamente na música que passa. Tirando isto o que sobra? Música repetida. Não aguento mais ouvir a Vanessa da Mata e o Ben Harper, o Jorge Palma, a música irritante do assobio, aquela do suicidal e todas as outras que depois de tanta repetição não saiem da cabeça. Para mim não há pior que isso. Estar na cama a stressar por causa do trabalho e a lutar para conseguir dormir e surge a Vanessa da Mata, sabe-se de lá de onde, a cantar:

"Tudo o que quer me dáaaaaar, é demais..."

No meu estado actual é complicado arranjar pontos que me prendam à sanidade durante grande parte do dia e depois com estas interferências no cérebro, pior se torna. Acho que esta é a técnica que se usava para fazer lavagens cerebrais. Metiam-nos a ouvir as rádios portuguesas durante todo o dia e no final do processo, a vítima até punha ovos se lhe pedissem. O lado positivo, porque há sempre um lado positivo em tudo o que é mau, é que nunca mais tivemos falta de ovos desde que comecei a ouvir rádio 8 horas por dia.

6 comentários:

Kveld-Ulf disse...

nos tempos em que a comercial era MESMO a radio rock eu ouvia regularmente. Lembro-me dos programas dos american charts onde cotumamvam passar muitas bandas de hard rock ou pop rock decente. Lembro-me de passarem concertos. Foi a morte dessa radio que fez com que eu a anos que nao oiça radio.
A radio em portugal está francamente má, nao existe comunicaçao, temos de levar sempre com a mesma playlist o dia todo, o que so por si ja era mau com musica boa, mas agora com musica de que nem sequer gosto...enfim.

O unica programa de radio que ainda gosto (Alta tensão) dá a horas improprias, duvido que haja muita gente que teja a ouvir radio entre a 1 e 2 da manha aos dias de semana.

Clepsidras disse...

Verdade seja dita, deixei de ouvir radio quando me fartei da repetição ainda era eu uma adolescente que ouvia (reparem bem!) a radio Cidade! (sim sim, eu gostava da radio Cidade, e até gravava algumas emissões em cassete!) Mas quando mudei de radio (algum dia eu tinha de crescer) apareceu-me a radio Marginal, e nunca mais a larguei até ao dia em que me ofereceram um leitor de cds (que devo dizer que foi pouco depois de começar a ouvir a radio marginal).
Apartir daqui, como sempre gostei de ouvir aquilo que me interessava e de pôr em repeat as musicas que EU gostava mais, larguei os mundos escuros da radio.

Lembro-me quando estava a tirar a carta ainda ouvia a Antena 3, por "pressão" da minha instrutora, mas foi tudo.

Agora, e de vez em quando, oiço a M80., já escaldada com as radios portuguesas e as suas playlists curtas e repetitivas, para não enjoar das minhas queridas musicas dos anos 70/80/90.

E fica-se por ai.

Fernando Ferreira disse...

Já não ouço o alta tensão há que tempos, acho que das últimas vezes que o ouvi foi quando andava a estudar. E quando ouvia era da meia noite à uma. Depois acho que nem dava de segunda a sexta...

Kveld-Ulf disse...

quando comecei a ouvir o alta tensão dava da meia noite a 1 sim. mais tarde alteraram o horario para da 1 as 2. o horario anterior foi ocupado por um programa de chill out lol

normalment ouvia o alta tensao porque deixava a aparelhagem programada para começar a gravar a hora do programa de quando acordava ouvia.

mas que eu me lembre deve ser dos unicos programas que ainda têm aquela ligaçao locutor/ouvinte e nunca repete as mesmas musicas

Fernando Ferreira disse...

Sim sem dúvida. Até porque é o locutor que escolhe a música, à antiga, e não é uma playlist programada por um director de programas que a compoe conforme o dinheiro que lhe dão das editoras.

Alexandre disse...

A primeira e a ultima vez que fui fã incondicional de uma rádio foi nos tempos da comercial - radio rock. Em qualquer carro que andasse ou onde quer que estivesse a dar rádio tinha que ser a comercial. Só passava musica na minha onda e para além disso tinha grandes comunicadores. Lembro-me também de um programa com ana lamy e o malato (já não me lembro quem eram os outros), era tipo um top, com muito humor. Penso que dava sábados á noite e repetia domingos á tarde. Algém se lembra do nome? E pronto, desde essa altura as radios desiludiram-me muito porque repetem sempre as mesmas músicas e não há uma rádio em que consiga ouvir 4 ou 5 seguinda em que diga "grandes malhas". Para tar a levar com coisas que não gosto, perfiro o CD ou o MP3...