terça-feira, 18 de setembro de 2007

Cursos Des-profissionalizantes

Vinha a ler o jornal quando me surgiu pela milesima vez a pagina dos bem-fadados cursos "profissionais". A sério, quantas e quantas pessoas já não ouviram falar nestes cursos? Prometem estágios, e empregos quase garantidos. Abanam bandeiras no ar em dias sem vento, digo-vos. E então, deixem-me partilhar convosco uma coisinha ou outra sobre os cursos "profissionalizantes".
A maioria é de curta duração (de 6 meses a 1 ano) e cara como se andassem a comprar diamantes ai aos traficantes vindos de Africa. Saia-vos mais barato se fossem comprar contas de vidro aquelas lojecas que agora invadiram tudo que é centro comercial que vendem pedrinhas e continhas para fazer bujigangas. Um curso pode ficar-vos na modica quantia de 1500 euros, e, se tiverem o azar de estarem desempregados, terão de pagar esta quantida de xofre, assim que se inscreverem (não vão as pobres escolas profissionais ficarem pobres por os alunos as chularem) ou se forem estudantes (como foi o meu caso) têm de desencantar dinheiro nas árvores para os pagarem. Depois, aulas práticas? O que é isso?? Para verem, tirei um curso de técnica de auxiliar de farmácia que dizia que me dava formação para ir trabalhar num laboratório... meus caros, não caiam nisso. Nos meses que lá estive, nunca vi um único material de laboratório e a única coisa que nos ensinaram foi "mandem os doentes ao médico!", porreiro... o curso devia chamar-se Técnicas de Aconselhamento Farmacêutico (que tem exactamente as mesmas iniciais, para os mais distraidos). Depois verifiquem e contra-verifiquem se o curso está no Instituto de Formação e se é reconhecido. A maioria terá a péssima surpresa que depois de ter feito o curso, atirou dinheiro pela janela porque a única coisa que é reconhecida é a sua fantástica cara de parvo ao ver que não tem nada, apenas um papel bonito, com letras bonitas a dizer "Tiraste um curso da Tanga, agora vira-te Tarzan!".
Mas tudo isto dá-me é valentes voltas ao estômago porque supostamente são escolas para formar profissionais e a única coisa que formam é des-profissionais... uma pessoa sai de lá a saber a mesma coisa com que lá entrou quase e quando isso não acontece, na hora do estágio... chapéu! Estágio é palavra bonita mas que não existe no dicionário das escolas, dizendo que é da nossa competência arranjarmos um ou não... ora, publicidade enganosa devia ser proibida e as instituições que as pedissem, fechadas a sete chaves e dadas de comer aos cães.
O desemprego continua a crescer, os formandos continuam a chuchar no dedo. Sacam o dinheiro aos "alunos" e chuto no rabo que é bom, também é garantido. Querem profissionais bem formados? Não os mandem para essas escolas! Um técnico de auxilar de farmacia que não sabe sequer o que é um composto quimico, não os devia andar a vender...
E no fim... ainda pode ser que depois de tirar um curso de fisioterapia se acabe a tirar cafés num bar da Nicola... num Metro perto de si!

"Entrevista de emprego.

- Então diga-me lá, senhor Manuel Martins, o que o faz pensar que pode trabalhar na nossa empresa farmacêutica?

- Eu tirei um curso profissional de Auxiliar de Farmácia.

- Ah sim? Muito bem, sim, eu vi isso no seu curriculum... apesar da falta de experiência no ramo, gostaria de lhe fazer um pequeno teste para ver se está apto...

- Força, senhor doctor.

- Ora muito bem, o que é uma equação quimica?

- É uma coisa com letras e setas que depois dá numeros e mais letras!

- Mau, não é não senhor... Mas em frente... o que é que entende por proveta?

- Proveta...? É qualquer coisa que serve para provar...

*incredulidade do entrevistador*

- Diga-me, o que é um ácido?

- Sei que isso se compra nas festas da night! Posso arranjar-lhe algum se quiser.

- Já vi que não percebe nada disto!

- Ai isso é que percebo! Tenho um curso profissional!

- Então só mais uma pergunta, mas juro-lhe que se não acertar, o seu curriculo vai direitinho para o caixote do lixo!

- Faça favor de perguntar.

- Qual é a diferença entre um goblet e um copo de vidro?

- Um é usado nas festas chiques e o outro no bar da esquina... "

Satiria

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Carnes Frias

Qual é o senso de se comer carnes frias como almoço ou jantar? Não percebo. Acho que é um daqueles mistérios da natureza moderna que ninguém ainda me conseguiu explicar. Hoje o meu almoço foi um prato com uma tira de fiambre, outra de bacon, uma salsicha, um ovo e batatas. Pedi mais uma salsicha dada a desolação da visão culinária que estava à minha frente. Mas porquê? Quem foi a alminha que decidiu que carnes frias é comida de gente? Será o desespero de não ter mais nada para comer? Eu sou muito preguiçoso para fazer comer, mas nunca em dias de vida preparei um prato de carnes frias para um almoço ou jantar.
Eu tenho uma teoria. Certo dia alguém à beira de um esgotamento nervoso pediu num café rente à hora de almoço, uma sandes mista e talheres, tirou o fiambre, queijo e bacon do pão e começou a comer as ditas carnes frias com o talher. O café parou, todos pararam, a observar aquela estranha visão. Um mais distraído soltou uma risada, tentando ridicularizar a pessoa que agia tão fora do normal, mas de imediato, todo o café se voltou para ele, soltando um “shhh” impiedoso e lançando um ar de desaprovação. Voltam novamente a atenção para o estranho ritual que estavam a ver a nascer à sua frente. O homem notando-se observado volta-se para a pessoa mais perto de sim e pergunta-lhe “É servido?”. Meio a medo ele lá aceita e a tensão cresce no café até que ele diz a sorrir “É bom!!” e volta-se para todos a dizer continuamente em ar de triunfo e alegria “É bom, é bom!”. E todos ficaram maravilhados perante aquela descoberta. Era como se tivesse sido descoberto o caminho marítimo para a lua. Como tal todos os presentes espalharam a boa nova e assim nasceu o malfadado prato de carnes frias.
Quanto a mim, continuo a fazer a mesma pergunta sempre que me metem o prato de carnes frias à frente:

“Porque é que esta sandes mista vem sem pão?”

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Aparece

As pessoas gostam de aparecer. É ponto acente. Pessoalmente, isso faz-me confusão por eu não gostar (mesmo) de ser o centro das atenções mas quando faço um esforço para perceber, por vezes até consigo entender. As pessoas vivem todas na sua vida normal, fazem tudo para evitar o banal e não se apercebem que para evitar o banal acabam por fazer o que todos os outros fazem, querem ir onde todos os outros vão e estar onde todos os outros estão. Sei que posso estar a parecer um bocado crítico com isto por ser exactamente o oposto mas a paciência para estas pessoas e esta suposta integração na sociedade em que vivemos já há muito tempo que se esgotou. As pessoas sonham por se afirmarem mas porque é que fazem tudo para serem o que outros são? Será que essa necessidade de afirmação é apenas uma desculpa para se sentirem integrados? É por isso que a minha paciência já se esgotou há muito tempo para este tipo de pessoas, porque elas não são coeerentes. Há muito a ser dito em relação a elas porque mistura-se também com outra questão. Eu apenas cansei-me de pessoas que tentam encontrar noutras o interesse que elas deviam ter por elas próprias. Eu próprio já fui assim, mas a adolescência já lá vai à muito, muito tempo. E adolescentes com quase 30 anos fazem-me confusão. Acho que no fundo já não tenho paciência para aquilo que me faz confusão.

sábado, 25 de agosto de 2007

Pseudo-intelectuais

Ah... nunca conheceram pseudo-intelectuais que vos fazem pensar nas origens da vida? Daqueles que comem enciclopédias ao pequeno-almoço e obram dicionários à noite? O mundo está cheio deles e nunca se sabe onde é que nos vamos cruzar com estes balões cheios de ar (para não dizer algo pior) que nos fazem desejar que a teoria de Darwin tivesse realmente correcta e eles tivessem sido eliminados por não se adaptarem ao meio ambiente onde vivem.

Saem-se com teorias que não lembrariam nem ao Papa, nem ao Einstein, e duvido muito que até o Gandhi pensasse nelas. Parecem ter sido criadas com muito esforço daí normalmente sabermos quando entrou um pseudo-intelectual na sala.

Primeiro deixem-me falar do vestuário. Normalmente ou é muito geek, blazer, polo (de preferência de marca cara), calças por cima do umbigo e não esquecer os sapatos roçados de tanto andar nas bibliotecas, ou então é algum extravagante, com um ar completamente alucinado, que tem o péssimo hábito de fumar as ervas do jardim para se inspirar para os seus magníficos textos e retiros espirituais, dos quais depois espremem o sumo (mau, ou muito muito mau, quanto mais mau melhor!) que insistem em espetar-nos com ele.

Segundo, a voz normalmente ou é um sussurro ou é algo sibilante que não nos faz ter muita a certeza que queremos ouvir o que eles estão a dizer.

Terceiro, o que é mesmo delator de um pseudo-intelectual numa sala (para além da óbvia mania de interromper tudo e todos, atirando ao ar as teorias como se fossem ovos de malabarismo) é o mau cheiro. Verdade. O mau cheiro... é que todos sabemos o que acontece quando os neurónios fritam... agora imaginem o tico e o teco fritos em banha...

Pobres neurónios...

Farta de encontrar essas excelências que proliferam como spam, resolvi perder o meu tempo a postar aqui um poema que eu adorava que todos eles lessem... se bem que duvido sequer que a mensagem principal os atingisse, tão preocupados que ficam com quadras, rimas, métricas e estruturas, com o conceito de arte... Para todos esses "artistas da inteligência", para todos esses "intelectuais de pequeno-almoço", aqui os deixo.

"Teóricos

Juro que há gente convencida, na teoria,
Que anda para ai armada em artista
A debitar palavras como se engolir enciclopédias
Fosse um grande sinal de sabedoria

A esses eu digo, “mas oh que pena!”
Que é mesmo preciso doses de paciência
Para explicar a essas criancinhas teimosas
Que o mundo não gira à volta da sua cena

Pergunto-me mesmo então
Se vale a pena falar com tal gente
Com menos inteligência que o normal
Cheio de mania e presunção

Mas ao menos dão para escrever
Umas quantas linhas, para perder tempo,
Em vez de rir directamente na cara
Desse senhor, patetinha, que cego, não quer ver.

Guarda-te no teu mundo, sossegado
Pára de chatear o resto das pessoas
Criança! És mais irritante que um palhaço
Não és nenhum pastor e nós não somos teu gado!

Por isso, shiu, silêncio! Está calado!
Vira-te para o outro lado
De costas para o canto como mereces
E fica assim, lindo como um burro amuado!"

Satiria


terça-feira, 21 de agosto de 2007

Pró-Idiota

Recentemente vi uma notícia que me deixou meio enjoado/enojado. E como se tratava da hora da refeição, poderia ser alguma reportagem de operação ao pâncreas ou simplesmente uma entrevista ao José Castelo Branco, mas não. Era uma notícia de como estavam a proliferar os blogs pró-anorexia cá no burgo. Ao mesmo tempo que ouvi o pivot do telejornal a introduzir a notícia senti logo um calafrio de vómito (inventei agora) e simultaneamente estava a pensar "deixa cá ver o que vai sair daqui". Depois de alguns depoimentos de jovens que davam as razões do porquê de criarem e apoiarem o movimento o calafrio de vómito foi-se multiplicando junto com uma certa perplexidade. Segundo uma jovem - que ao falar dela própria disse que não se considerava gorda nem magra mas que queria perder mais peso - era um ideal de beleza que queriam seguir, não era ficar com os ossos todos à mostra mas apenas alguns (apontando para as ancas e zona acima do peito), acabando por admitir que era algo que se poderia tornar perigoso. Durante a reportagem podia se ver post(as) dos blogs em que se descrevia o que se tinha comido naquele dia (fixei um "Iupiiii peso 46kgs!!") e eu comecei a pensar de como realmente há muita pessoa idiota. Na opinião de um psicólogo (se não estou em erro), isto acabava por facilitar os doentes a serem tratados porque quem sofre de anorexia ou bulimia tem tendência a esconder tudo de toda a gente. Ora pois bem, como Portugal está sempre em último lugar em tudo o que é rankings da União Europeia, aqui está a nossa oportunidade de estarmos em primeiro lugar em algo, como é que ninguém se lembrou de qualquer coisa assim antes? Não paremos por aqui, vamos iniciar blogs pró-cancro, pró-sida, pró-lepra e porque não pró-peste-negra? Já não há mas de certeza que algum adolescente, frustrado de não ter amigos e de querer chamar a atenção de todos, lembra-se que a coisa é capaz de pegar e diz que apanhou peste negra quando foi assaltado por alguma pessoa de cor em Chelas.
Como tal faço aqui o apelo para a criação do primeiro blog pró-idiota. Será algo para nos manter na vanguarda. Um blog de apoio e partilha de opiniões de todos os idiotas, dos seus problemas, dúvidas e idiotices. Todos os que procuram pelo ideal da idiotice podem encontrar aqui o seu refúgio. Eu acho que faz sucesso. Pelo menos candidatos não parecem faltar.

domingo, 19 de agosto de 2007

Fodavone

Sem querer monopolizar este espaço com a minha humilde pessoa, venho aqui deixar mais uma reflexão. Uns tempos atrás saiu a notícia bonitinha (e como a notícia não é recente e não a investiguei depois disso é natural que certos pormenores estejam incorrectos, mas dá para ter uma ideia geral do que se sucedeu e do principio da coisa) de que o director / presidente da Vodafone em Portugal viu perdoadas as suas dívidas ao fisco de 75 mil euros respeitantes ao ano de 2004 (se não me engano), por prescrever. Isto é, as finanças tem um certo tempo para cobrar as suas divídas e esse tempo foi ultrupassado. Dá que pensar não dá? Eu quando estou a dever 3 euros ao padeiro até a Swat me cerca o prédio. Mas o melhor ainda está para vir. Parece que o motivo que levou á prescrição foi tão simples como isto: mudança de residência.

...

Não, a sério. Foi mesmo isto.

Eu sei o que estão a pensar...então o presidente da Vodafone muda de residência e ninguém o consegue apanhar para o notificar? Eu percebo, que mesmo aparecendo na televisão e dando vários seminários sobre a iniciativa Força Portugal ou coisa que o valha (a dizer que os portugueses tinham de poupar e de trabalhar mais para levar o país para a frente - claro que a trabalhar para sustentar este pessoal temos que trabalhar muito, temos trabalhar a triplicar) não seja fácil de o apanhar, talvez por medo dos seguranças e todos sabemos como os funcionários são explorados pelo sistema, cheios de faltas de direitos em relação aos restantes trabalhadores (sem querer generalizar porque existem realmente funcionários públicos que não têm condições tais como polícias e... polícias), por isso até se compreende. E de certo que como o presidente da Vodafone, com a sua falta de dinheiro crónica, deve ter tirado cursos de camuflagem com os principais artistas de fuga do país, de ninjas ocidentais como Santana Lopes, Valentim Loureiro. Penso que não tenha nenhum sobrinho taxista na Suiça por isso penso que Isaltino Morais esteja livre de culpas desta. É compreensível que tal personagem tenha passado despercebida das finanças... é normal... porque não é fácil apanhar um ninja...

Mas eu depois meti-me a pensar...e sem querer insultar a inteligência de ninguém... meti-me a pensar que possivelmente existe uma maneira de apanhar tal personagem. Sei que se calhar é um pouco rebuscada e até incomum a roçar os limites da possibilidade mas mesmo assim acho que era de tentar... vejamos... estamos assim no parque das nações, perto do centro comercial Vasco da Gama (querem sítio mais underground que este?) e parece (parece!!! Não tenho a certeza!!!) que existe um prédio gigante com uns cento e quinhentos andares com letras vermelhas no topo a dizer V-O-D-A-F-O-N-E!! Provavelmente todos foram lá ter, até os bois da Lezíria, menos os funcionários do fisco.

Os funcionários das finanças responsáveis pelo caso estão a ser investigados, parece que houve favorecimento...


Moral da história: Isto está bom é para os presidentes da Vodafone que devem mais de 75 mil euros ao fisco.