sábado, 9 de maio de 2009

Apontar Dedos

Estou completamente fodido. Não se trata apenas de uma indisposição ligeira. É toneladas de merda acumuladas prestes a voar em todas as direcções e não quero ir por aí. Não quero mesmo. Sei o quão injusto posso ser quando isso acontecer, felizmente (ou infelizmente) apenas uma ou duas pessoas tiveram contacto com o fogo difícil de apagar da minha ira. Não é justo que os transeuntes inocentes levem com balas perdidas de tiroteios idiotas. E é o que acaba por ser mesmo quando se tem muita razão. Tiroteios idiotas. Porque não resolvem nada, não provam nada. Nada é realmente a única palavra que os define. Nada e o vazio.
Isto tudo para dizer algo muito simples. Estou farto queixumes. Estou farto de ouvir lamentos em que o governo nos fode, em que os americanos nos fodem, em que Cristo, Maomé, Bin Laden e os Cruzados nos foderam e fazem com que sejamos fodidos. Eu só gostava que de uma vez por todas as pessoas entendessem uma coisa de uma vez por todas:

Nós viemos a este mundo para ser fodidos!

Entendam isso de uma vez por todas! É uma merda de uma selva lá fora, comer ou ser comido. Não estou a dizer que devemos ser ainda mais individualistas do que já somos, de nos tornarmos mais frios do que estamos a nos tornar. Apenas que estamos cá para sofrer até morrer e sobretudo viver com isso. Viver pessoal! Enquanto estão tão amargurados na merda que a vossa vida se tornou, não se esqueçam que a vida é vossa. A merda é vossa. Não culpem o governo corrupto que temos, não culpem a democracia com as vossas merdas que no tempo do Salazar é que era, não culpem os bandidos brancos, pretos, ciganos, de leste que vos assaltam ou que vos roubam o emprego enquanto vocês nem sequer têm direito ao fundo de desemprego depois de uma vida de trabalho.
Não culpem os outros, caralho!
Culpem-se a vocês mesmo, culpem os vossos erros. Enfrentem-nos, vivam com eles. Aprendam alguma coisa na puta da vossa vida para não terem de andar sempre em círculos. Não estão farto disso? Pois eu estou, sobretudo farto de vos ouvir a choramingar em como são azarados. Todos são azarados, porque está cá neste mundo. Claro que meia dúzia nasce de cu virado para a lua e vive a cagar para todos os restantes, mas esses caralhos também as vão amargar, mais cedo ou mais tarde. Olhem para a vossa figura no espelho e percebam que não adianta andar a apontar dedos à vossa volta, a fazerem-se de vítimas em como o governo liquidou a vossa empresa, em como a Comunidade Europeia, o aquecimento global e as seguradoras vos fodeu a agricultura e pescas e não lhes deram os subsídios para vos ajudar. Não há ajudas! Nao há nada! Só o vazio da vossa vida patética em que quando não lhes dão tudo de mão beijada, usam todos os bodes expiatórios que encontram para que alguém vos passe a mão pelo pêlo! Se não conseguem aguentar a merda que fizeram, peçam ajuda daqueles que vos amam, para conseguirem viver com vocÊs próprios, para conseguirem continuar a olharem-se ao espelho. Qualquer coisa, menos apontar as culpas para tudo o que vos rodeiam. Garanto-vos, serão miseráveis se assim o fizerem. Arrependam-se para que possam aprender com o vosso erro, peçam apoio para passar por cima desse erro, para tentar minimizá-lo. Para seguir em frente.
Sigam em frente... e tentem viver com o que têm, com o que são. Em paz.

domingo, 12 de abril de 2009

Para Mais Tarde Recordar

Sou uma pessoa bastante calma por fora. Todos dizem: "ah, o Nando é muito calmo, tem sempre muita paciência para tudo e todos".

Não é bem assim.

Dentro de mim tenho a fúria mais incontrolável à espera de uma brecha para explodir. E é por isso que tenho que ter estes blogs, para tirar de dentro de mim as coisas que estão prestes a explodir. DNão é uma terapia eficaz mas tenho que confessar que ajuda a manter o demónio controlado, embora por vezes seja complicado principalmente em certa ocasiões e situações. Semanas atrás fui a um concerto, coisa que não acontecia há já mais de um ano. Ir a concertos regularmente é como poder respirar. Embora seja alérgico a confusão, o ambiente e a música são-me necessários e foi algo bom o retorno a essas duas coisas. Como poderia dizer quem me conhece minimamente mal, o meu sítio preferido para ver concertos é cá atrás, longe da confusão e de maneira a ter visualisação completa do palco devido à minha diminuta estatura. Desta vez fui com um amigo meu que gosta de ir lá para a frente e sim, ele é um pouco mais alto do que eu. Para não ser desmancha-prazeres, acedi. Vimos Testament e Megadeth mais recuados e quando foi Judas Priest fomos lá para a frente. E pronto, aconteceu aquilo que esperava, gajos e gajas a voar, algumas pessoas a magoarem-se mas pronto, faz parte e eu estava preparado para isso. Faz parte do tal ambiente, por muito idiota que me pareça.
O que me fodeu mesmo foi estar a lutar contra a minha estatura para ver minimamente... alguma coisa e ter à frente uma quantidade estúpida de pessoal de braços levantados a tirar fotos e fazer vídeos e o pénis que os fecunde. Qual é a pancada de ir para um concerto de metal, mais ou menos clássico (Thrash e Heavy Metal), e em vez de sentir o som, de sentir as músicas, sentir a história de 3 instituições da música pesada, tirar fotografias como se se fosse da agência Reuters? É para poder dizer "Eu estive lá!"? Já não basta o que sentimos, apenas aquilo que conseguimos mostrar? Gravações manhosas de vídeo captadas por uma câmara digital, quanto tempo vai isso durar na memória de um disco rígido? Se calhar ainda menos que na memória da pessoa que as gravou. O príncipio de ir para a frente dos músicos que estão a tocar, a sua primeira linha de visualização tirar fotografias é para mim para lá de idiota. Os músicos qualquer dia começam a pensar que estão numa conferência de imprensa para falar do seu novo álbum em vez de estarem num palco para tocar. Não se admirem de eles começarem a vir de óculos escuros... por causa dos flashes.
Haja pachorra para esta gente.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Calças À Boca de Sino

Não quero ser apocalíptico mas... não estará o mundo a regredir ao passado? Não sei será intencional mas o que é certo é que cada vez mais se parece que estamos a viver o que já foi vivido e não é preciso pensarmos muito. Vamos parar por um minuto e pensar um pouco: Temos conflitos no médio oriente que estão a causar um crescente sentimento anti-semita,;temos a maior crise económica desde 1929 - e pondo as duas na balança, não sei se esta não será bem maior; temos conflitos sociais, tumultos, revoluções, governos corruptos, opressão da liberdade e as calças à boca de sino. O século XX foi o século da história escrita da humanidade mais sangrento de sempre. Foi também o século onde houve mais avanços tecnológicos, culturais, em termos de direitos civis, consciência do ambiente. Mas todos estes avanços parecem pálidos perante o mal que os motivaram. E agora que a primeira década deste novo século/milénio está a chegar ao fim, parece-me que em vez de aprendermos com os erros, estamos apostados em cometê-los vezes sem conta. O último caso que me chamou à atenção foi o caso da censura explícita numa feira do livro em Braga onde foram apreendidos 5 livros por serem considerados pornográficos. Eu nem dei conta que de repente a pornografia tinha sido proibida. É bom pelo lado de me fazer sentir fora-da-lei e para alguém que não sai de casa, é sempre excitante este tipo de mudanças de estatuto.
Pessoas, animais e políticos. Vamos a levar o país para a frente, deixem-se de merdas e esqueçam as calças à boca de sino no fundo do armário. Se elas foram deixadas de ser usadas, por alguma razão foi.
Vá, toca a trabalhar, sim?

domingo, 14 de dezembro de 2008

Filhos dePutados

Hoje ouvi algo que não queria acreditar que estava a ouvir. O mundo está em crise, a economia está de rastos, o planeta a caminhar para o colapso, contestações sociais, confrontos com a autoridade, guerras, terrorismo.

Está tudo na merda.

Mas nós conseguimos sobreviver a tudo isso, apesar da depressão da selecção não poder-se qualificar para o mundial ou do Benfica provavelmente ser eliminado da taça Uefa, quando a desgraça aperta, o telejornal acaba ou simplesmente mudamos de canal para uma novela qualquer. Apesar do controlo que há nos media, cada vez me interesso mais pelas notícias, dá para aprender muito daquele que nos controla.
No telejornal da tarde de hoje vi uma breve entrevista (editada) a Almeida Santos, alguém de quem tinha um profundo respeito, acerca da mais recente polémica: aquando da votação de plenário a semana passada, uma série de deputados do PSD resolveu ir de fim de semana mais cedo.
Contrário ao que poderia esperar, o histórico do PS saiu em defesa dos deputados do PSD. Disse e passo a citar: "No meu tempo não havia votações à sexta-feira, porque já sei que é a véspera do fim-se-semana. Os deputados são humanos, não são máquinas. (...) Os deputados têm a sua vida profissional, não se paga aos deputados o suficiente para eles serem todos apenas deputados, sobretudo quando são profissionais do Direito ou fora do Direito. Um advogado que tem um julgamento, não pode não pode estar na Assembleia e no julgamento ao mesmo tempo. Há justificações para as faltas. (...) Talvez esteja errado é que as votações sejam à sexta-feira, é preciso arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que, normalmente, é mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República."

Eu não podia acreditar no que estava a ouvir. O país está na merda, não, o mundo está na merda porque cabrões gananciosos fartaram-se de por ao bolso com desfalques milionários e quando são despedidos por incompetência ainda levam indeminizações milionárias. Políticos são meros funcionários dos lobbies, escravos do petróleo, da corrupção e dos interesses de quem está nas sombras a puxar os cordelinhos e ainda há alguém com coragem para defender que talvez fosse melhor não obrigar os deputados a votações em vésperas de fins de semana, na Assembleia da República, como se de um emprego se tratasse e que além disso deveria haver ainda um aumento de salário para os deputados para melhorar a imagem dos mesmos e credibilizar a classe política portuguesa. Coragem, não. Descaramento.

Eu sei que eu sou insignificante. Se me pusessem num debate com o excelentíssimo senhor doutor Almeida Santos, sei que não teria bagagem cultural para o confrontar e que se ele me perguntasse quem era eu para questionar o quer que seja, eu teria que me remeter à minha insignificância e dizer que realmente sou ninguém. Que era o facto de ser ninguém que me permitia o sustentar a ele e à corja dele. Que era ninguém por ter de trabalhar todas as sextas-feiras e de de não ter o mais alto provilégio de votar em leis, moções do suposto interesse do país. Que se faltar ao trabalho para ir de fim de semana prolongado para qualquer alojamento de luxo, o dinheiro que não me é pago no final do mês pode significar ter de escolher entre deixar de comer ou deixar de pagar alguma das prestações que me sufocam o pescoço todos os meses. Não sou alguém porque não tenho que estar apenas oito anos / dois mandatos para ter direito à a uma reforma mais elevada que todos os outros restantes otários que descontam mais de cinquenta anos para a segurança social e trabalham até à cova para receberem uma merda de quinhentos euros. Realmente sou um merdas. Não, sou mesmo. Se estiver doente e precisar de ir ao hospital, tenho de pagar e corro o risco de se for algo de grave, morrer antes da ambulância chegar. Se for dono de uma pequena empresa e tiver sorte de ser credor do estado, estou fodido porque tenho que pagar o IVA do lucro que ainda não tive e suster a respiração durante três anos, até quando o Estado se resolver a pagar.

Agora que penso nisso... Eu sou tão desgraçado, tão desgraçado que se calhar... sou deputado!

Ah... espera... eu tenho de trabalhar todos os dias, não tenho tachos nem uma reforma garantida por andar oito anos a fingir que tenho interesse no que os portugueses querem ou no bem maior da Nação. Não sou desgraçado o suficiente.

Deixem-se de merdas e trabalhem mas é!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A Raiva

A falta de tempo é tramada. Numa era e mundo em que temos que andar a correr para não sermos atropelados, torna-se complicado fazer aquilo que se gosta e nos propomos a fazer. Foi o que aconteceu comigo em relação a muitos dos meus projectos e em relação a este blog especificamente. Alguma coisa teve que ser deixada para trás e no misto de preguiça, cansaço e prioridades, despejar aqui a minha raiva acabou por ficar sempre para o dia seguinte. E por muito estranho que pareça, no dia seguinte, a raiva invariavelmente desaparece.

Já estão a perceber que não vai sair daqui nenhuma crítica furiosa a deitar abaixo uma minoria ou maioria, um governo ou até mesmo a minha própria pessoa. Esta vai ser uma posta mais pacata. Apenas para ficarem a perceber mais um pouco o porquê de escrevermos aqui o que escrevemos.

Antes de mais, não somos más pessoas. Eu acredito que não. Apenas não temos pachorra para certas merdas com que cruzamos no dia-a-dia. Coisas que nos provocam um certo mal-estar no mínimo ou que nos deixam com vontade de acabar com a raça humana no máximo. No dia seguinte, tudo passa. Claro que se formos dar de caras com essas mesmas merdas, toda a fúria divina se despoleta sobre o sistema solar.

O que se tem passado é não ter a oportunidade para atempadamente soltar essa fúria. Infelizmente não é falta de assunto. Basta olharmos para a nossa economia, para a nossa educação, para a nossa saúde, para o nosso governo, para a nossa classe política, para a nossa justiça. Acreditem, assunto não falta. E com isso voltamos ao objectivo deste blog. Não é deitar abaixo por deitar abaixo. É deitar abaixo antes que nos deite abaixo a nós próprios. Deitar cá para fora este pus peçonhento que se forma e acumula interiormente. E fazê-lo da forma mais sincera possível. Não adianta deitar abaixo algo que não está bem, mesmo sabendo que não esteja bem, se não nos ultraja, se não nos ofende de tal maneira que por breves minutos vejamos tudo de vermelho… então é porque ainda não está no ponto.

Por isso preparem-se, que com tanto tempo sem deitar nada cá para fora, a próxima será radioactiva e devastadora.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Wasting My Hate

Hoje vou despejar o meu ódio em mim.

Uma maneira de dizer as coisas. Não que tenha ódio dentro de mim, ou pelo menos muito ódio dentro de mim.
A vantagem de estarmos bastante tempo fechados sobre nós próprios é que isso nos permite ver coisas que antes não tínhamos tempo para ver. E é nesta altura em que me sento numa cadeira oposta a mim mesmo, me olho a mim mesmo nos olhos e digo:

És um sacana insensível

E é verdade. Nestes tempos eu não consigo reagir à verdade, nem como nos velhos tempos, fingir que é mentira. Se as pessoas soubessem disto passavam-me a vida a fazer perguntas incómodas que eu não quero responder. Provavelmente atrofiaria tanto que eles não iriam entender as minhas respostas, mas isso já não é culpa dele. Ou minha.
A minha misantropia natural foi-se refinando de maneira incontrolável. E acreditam que há uns tempos atrás eu realmente acreditava de que estava curado dela?

Ela não desapareceu, apenas sofreu uma mutação a uma espécie talvez não desconhecida, talvez não rara mas apenas... inesperada.

Eu não tenho paciência para as pessoas. Aliás, eu não tenho paciência para nada daquilo que é suposto ter de fazer. Ou seja, conforme envelheço, em vez de abraçar responsibilidades, deveres, livro-me deles. Tudo o que tenha a ver com pessoas. E estou viciado em estar sozinho. Um vicio perigoso do qual não quero abrir mão. Pelo menos sem ter uma boa razão para isso antes. E não há boas razões para isso. Não há boas razões para nada. Ultimamente o meu objectivo tem sido por estudar, dissecar e transmitir informações e conhecimentos. Para ninguém em especial, apenas despejar cá para fora. E isto tem sido a minha vida nos últimos tempos, ou no último ano. Basicamente. Daí ter chegado a esta conclusão porque sei que estou ao alcance de todos os que quiserem estar ou precisam de mim por alguma razão, sei que os afasto. Porque no fundo, eu não quero pessoas à minha volta. Nasci e renasci através do amor, vi a luz, experimentei a iluminação através da percepção universal de paz e bem estar mas... continuo sem paciência para pessoas. Agora menos que antes. Porque antes lutava contra isso. Antes era capaz de dizer coisas como disse há pouco de ser um sacana insensível ou outras coisas depreciativas da minha pessoa para que pudesse aparecer alguém para dizer o contrário e eu sentir-me bem com isso. É uma táctica mais velha que o cagar e nem sempre resulta mas foi isso que fiz durante bastante tempo. No fundo eu queria atrair as pessoas para que de alguma forma fosse aceite e conforme isso resultava ou não resultava, vi que tudo continuava basicamente na mesma. Se tinha pessoas à minha volta sentia-me uma merda, se não as tivesse, sentia-me uma merda à mesma. E foi aí que tive um rasgo de génio.

Se calhar, o problema sou eu

E estava certo. E depois da iluminação, depois do amor e dessas merdas todas, eu tomei consciência com as coisas que fiz e disse. E como algumas não coincidiam umas com as outras. E soube quem era finalmente. Dizer que sou um sacana insensível não é algo que uso para que ganhema simpatia ou compaixão de pessoas que nunca vi a cara ou se vi nunca as conheci realmente. Ou nem quero conhecer. É para ter consciência de que o sou. E aceitar e conformar-me. Ou não. Esta conquista pessoal em vez de me levar para próximo das pessoas e melhor interagir com elas, levou-me no caminho oposto. Eu não preciso das pessoas que me digam que sou bom ou mau, não preciso que me digam se sou bonito ou feio. Eu sei o que sou. Não preciso de pessoas para isso.
Hey, hey, calma. Eu não estou tão misantrópico assim. Eu preciso de pessoas, tal como toda a gente. Continuo a gostar de pessoas e a fascinar-me por elas. Bem, por um grupo restrito delas. Apenas não tenho pachorra para as restantes. E por isso sou um sacana insensível. Porque não tenho paciência para conversas vazias, por visitas de circunstância. Tenho tanta coisa para fazer, tantos livros para ler e tantos filmes para ver, porquê desperdiçar tempo com pessoas que a única coisa que têm para dizer é que o Cristiano Ronaldo anda a papar outra modelo ou que não temos dinheiro para nada. Eu sou solteiro, por isso não há perigo do Ronaldo me papar a mulher e eu sei que não há dinheiro para nada. Eu trabalho há 10 anos e não tenho dinheiro para nada. Eu adoro quando as pessoas me surpreendem mas não tenho paciência para as restantes. E agradeço quando elas me põem de parte, poupa-me o trabalho de me excluir. Pela primeira vez na minha vida, eu estou feliz por ser como sou e por ser o oposto da grande maioria. O universo está em harmonia por finalmente eu e os outros termos aceite as nossas posições antagónicas.

Portanto...

Quando eu me sento à minha frente, me olho nos olhos e digo que sou um sacana insensível, a reacção é invariavelmente...

-Tens razão. (longo silêncio) Queres ir tomar um copo?
-Eu não bebo.
-Não faz mal, eu também não.
- Ok, vamos lá.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Justiça

A senhora Maria de Graça, de 45 anos decide, depois de ter sido aconselhada a tal pelo seu médico, secar as varizes nas pernas numa clínica, na Póvoa de Varzim. A coisa não correu bem e a pobre senhora acabou por ter de recorrer ao Hospital de São João no Porto devido a queimaduras de 3º grau.
A senhora decide apresentar duas queixas - uma na Ordem dos Enfermeiros e outra na Entidade Reguladora de Saúde - e fazer uma reclamação por escrito à clínica onde fez o "tratamento". Um ano depois do tratamento apenas recebeu resposta da clínica, onde negava toda e qualquer responsabilidade (claro). Entretanto, a senhora já gastou mais de dois mil euros (e porque tem acesso a ADSE) só em tratamentos para cicatrizar o lindo serviço feito pelos talhantes, que afirmaram que pagavam os tratamentos se ela assinasse uma declaração onde ilibava a clínica de toda a responsabilidade. Que obviamente não assinou.
Um ano sem qualquer tipo de resposta, sem contar com a da clínica. Ou seja... um gajo depois de ser assaltado, escreve três cartas, uma à polícia Judiciária, outra à GNR e uma terceira ao ladrão, como descargo de consciência, a condenar veemente o que fez. No final, apenas o ladrão responde.

Lindo.

Principalmente, por NÃO ser ficção.